TIETÊ - O grande vilão das Enchentes em São Paulo
logop.jpg (4792 bytes) Veja, tecnicamente, como ocorre o escoamento das águas de um rio. logochuva.jpg (6469 bytes) Conheça a diferença entre Chuva de Verão e Chuva de Inverno

Veja como foi feia a situação em São Paulo na quarta-feira dia 25/05/2005 botaomaisdetalhes.jpg (1184 bytes)

O engenheiro Roberto Massaru Watanabe apresenta uma visão técnica sobre o assunto ....
Muito se ouve falar de Piscinões, Rebaixamento de calha do rio e de outras providências que, no mercado dos políticos demagógicos onde eles vendem os seus peixes, dizem que irão resolver definitivamente os problemas causados pelo grandes vilões das enchentes da cidade de São Paulo, ou seja, o Pirajuçara, o Aricanduva, o Tamanduateí, o Tietê, o Cabuçu e mais alguns coadjuvantes de menor destaque.

Somos testemunhas de que até governadores foram eleitos prometendo "Beber desta água", mas, infelizmente, para todos os habitantes dessa maltratada metrópole, até hoje nada de efetivo foi feito. Parece um grande paradoxo, pois já se gastou, até onde se sabe, muitos bilhões de dólares nesses projetos de eficiência duvidosa.

No período de chuvas, tudo quanto é problema é atribuído às chuvas. Veja a desculpa do Secretário da Educação do Estado de São Paulo justificando que o atraso da entrega de carteiras escolares se deu por causa das chuvas intensas.

Parece até que existe uma grande dessintonia entre os diversos níveis dos governos. Se o assunto vai render votos nas eleições, então é da alçada de todos os níveis, ao contrário, se não vai render dividendos políticos, então se valem do já conhecido "jogo da barriga".

Pior é que pelo bem da governabilidade os cargos públicos são loteados entre os partidos aliados e dificilmente se consegue consenso quando se fala em projetos de aproveitamento múltiplo de bacia.

Não é raro uma obra de vulto ser tocado por apenas uma secretaria ou ministério enquanto os demais ficam torcendo para "não dar certo". Parece que esta é a regra do jogo político.

Pessoas ocupam, constroem em áreas de risco, os políticos são tolerantes e até prometem regularizar, quanto à ocupação de áreas de risco e depois quando ocorrem deslizamentos de terra afirmam que a chuva é que foi a culpada pelas mortes ocorridas e que eles estão solidários e fornecem até vales-aluguel.

Nas enchentes que ocorrem em todos os verões, assistimos prefeitos, vereadores, administradores regionais e mais um sem número de autoridades, dos mais variados níveis e incríveis escalões governamentais dizendo que muito foi feito, que o seu governo foi o que mais investiu, etc, etc e etc.

Entretanto, não precisamos ir muito longe para constatar a grande farsa, o grande teatro em que transformaram a política brasileira. O lendário rio Tietê, no trecho que banha o Tatuapé, encontra-se no estado de total abandono podendo se constatar êrros, omissões e descasos grosseiros. Veja uma análise técnica em CLIQUE AQUI.

Em outros países, o interesse público é colocado acima do interesse político e, por exemplo, o Rio Cheng Gye Cheon que passa dentro da cidade de Seul tinha uma via elevada parecida com o nosso "Minhocão" foi corajosamente demolido e o rio foi devolvido aos cidadãos. CLIQUE AQUI.

O interessante é que as desculpas são sempre as mesmas. Parece que participaram de um cursinho padrão (desses que ficam sempre repetindo as mesmas coisas) sobre enchentes e aprenderam que:

1 - O desenvolvimento desordenado da cidade causa mais enchentes;
2 - A população mal educada joga lixo na rua;
3 - A chuva foi maior que a esperada.

Não sabem, ou esquecem que:

1 - O desenvolvimento ordenado depende somente deles e que eles é que têm o poder, até de polícia, para evitar que as pessoas construam em locais de risco;
2 - Que é responsabilidade deles recolher diariamente o lixo em todas as ruas da cidade e que a população não faz nada mais que a obrigação ao "colocar" o saco de lixo na calçada
;
3 - A construção de galerias de águas pluviais é responsabilidade deles e que a maior parte das ruas, mesmo nas grandes capitais, não possui galeria para a
coleta e condução das águas pluviais e é por isso que as águas da chuva correm pelas ruas (você, leitor, vê se encontra alguma boca de lobo na rua onde você mora);
4 - Falam muito de Mudanças Climáticas, El Niño, aquecimento global e deixam as faculdades ensinarem com material didático ultrapassado usando tabelas de chuva elaboradas na década de 40 quando São Paulo era conhecida como "São Paulo da Garoa", as ruas foram projetadas para o tráfego de carroças e hoje vemos, diariamente, carretas entaladas nas ruas e viadutos da cidade; avenidas marginais de grande tráfego são construídas sem acostamento para situações de emergência e um simples pneu furado causa congestionamentos de centenas de quilômetros.

Nos anos 1900 o rio Tietê apresentava vazões de 174 metros cúbicos por segundo, na década de 30 de 318 m3/s, na década de 70, 530 m3/s e hoje leva tranquilamente mais de 1.000 metros cúbicos por segundo. Não é à toa que aqueles "fantásticos" 800 m3/s fixados na década de 80 "nem dê pro cheiro".

Algum dos políticos anda propondo medidas para que as metrópoles passem a ter um crescimento ordenado?

Algum dos políticos anda propondo medidas para resolver o problema da coleta e destino do lixo urbano?

Algum dos políticos anda propondo algum Plano de Drenagem para as cidades?

Parece que todos foram tomados de uma letargia coletiva. Até as companhias de seguro que costumam ser bem rápidas ainda não adotaram o CEP como fator de risco e todos os anos perdem milhares de reais indenizando perdas totais de carros que estavam transitando nesses locais de risco certo de enchentes e inundações.

A situação está tão crítica que não adianta tomar medidas, mesmo que tardiamente, para atacar problemas específicos. 

Por que ainda teimam em falar em impermeabilização do solo das cidades? Acaso seria possível mandar derrubar os prédios e casas para restaurar aqueles índices de permeabilidade de solo que a cidade tinha na década de 40?

Creio que já tenhamos chegado a um estado crítico tal que se faz necessária uma CONVOCAÇÃO NACIONAL PARA UM MUTIRÃO DE ATUALIZAÇÃO TÉCNICA.

Cuidado com as BANANEIRAS no morro. Bananeiras só crescem em local com muita umidade. Se o morro tem bananeiras é por que o lençol freático está bem raso e isto significa alto risco de escorregamento.

Ao longo de um talude, se num determinado local há muitas bananeiras, é lá que tem mais chance de ocorrer um escorregamento.

Veja a fartura de bananeiras nos escorregamentos ocorridos em setembro de 2009:


Mais bananeiras em 03/12/2009;
Mais bananeiras em 20/01/2010;
Mais bananeiras em 21/01/2010;
Mais bananeiras em 22/01/2010

É urgente fazer uma convocação nacional para um mutirão para discussão das questões que envolvem a Ocupação Urbana pois todos os modelos de ocupação que vieram ou estão sendo adotados para direcionar os projetos se mostraram ou estão se mostrando ineficazes. Por que insistir no êrro? Sabe, essa questão da ocupação urbana não deveria ficar na mão apenas de alguns políticos e sim ser debatido por todos os setores da população.

Quais são as questões que dizem respeito à Ocupação Urbana?

1 - Habitação. O Brasil já tentou diversos modelos de desenvolvimento habitacional mas todos fracassaram ou não estão atendendo adequadamente a demanda. BNH, COHAB, CDHU etc. são todos modelos que não deram certo. Você pode verificar que existe um conjuinto Habitacional dentro do Jardim Romano, um local que o próprio governo diz que é área de respiro do Rio Tietê. Veja o que acontece nas grandes capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Belém, enfim, em todas as grandes cidades brasileira grande parte da população vive em condições sub-humanas em barracos improvisados e longe de seus locais de trabalho. São Paulo terá logo logo 50 milhões de habitantes. Rio e São Paulo serão uma única região metropolitana englobando todas as cidades do vale do Paraiba. Algum político se candidata a apresentar um plano habitacional para acabar com as favelas?

2 - Transporte Público. O Brasil já tentou diversos modelos e algumas cidades até ganharam prêmios internacionais pelo modelo adotado, mas o que encontramos são ônibus mal conservados que vivem causando acidentes sérios e quando tem metrô o mesmo anda superlotado. Dizem que temos metrô, mas o que dizer de nossas modestas 60 estações frente às 400 e até 600 estações dos metrôs de Paris, de Nova York, Moscou, Tókio e até da cidade do México? E ainda têm a coragem de mostrar imagens do metrô de Tókio querendo comparar o nosso ao deles. Gostam de inventar: trem-bala, monotrilho, fura-fila, etc. mas soluções consagradas como o metrô ninguém quer investir e nem permitem que a iniciativa privada o faça. Algum politico se candida a apresentar um plano de expansão do metrô com 800 estações em São Paulo prevendo situações para o ano 2030?

3 - Drenagem. Os romanos já dotavam as vias (todos os caminhos levam a Roma) de galerias de águas pluviais. Na falta de água em Roma íam buscar água a 600 quilômetros de distância e construíam aquedutos de pedra e na mão para trazerem água potável até Roma. Já vimos até filmes que se passam no subterrâneo das galerias de águas pluviais. Você internauta já reparou se na rua onde você mora existe um dispositivo conhecido como Boca de Lobo? Com o aquecimento global, as chuvas dobraram de intensidade. Não é à toa que as obras que foram projetadas com tabelas pluviométricas da década de 40 estão todas entrando em colapso. Catastrofes como as de Santa Catarina, São Luiz do Paraitinga ocorrem por que as condições climáticas atuais não são as mesmas da década de 40 quando esses locais eram considerados seguros. 

Os rios, os bueiros e as poucas galerias existentes precisam, urgentemente, serem revisadas. Revisadas com os parâmetros da chuva de hoje. As galerias e canais, dimensionados para aquela chuvinha da década de 50 não comportam as chuvas de hoje.

Veja o canal do rio Ipiranga, na avenida Teresa Cristina, transbordando em 05/02/2010;
Veja o canal do córrego do Congo, na avenida Edgar Facó, transbordando em 26/01/2010.

Se faz necessária uma Convocação Nacional, um ato corajoso e necessário para que técnicos como Meteorologistas, Geólogos, Hidrologistas, Engenheiros, Pesquisadores e Cientistas possam atualizar os parâmetros, as tabelas, as normas técnicas e os materiais didáticos face à conjuntura atual e futura (até onde seja possível prever) das Mudanças Climáticas. Nesse mesmo instante em que você lê este texto, temos milhares de estudantes em escolas profissionalizantes, escolas técnicas e faculdades apresendendo a calcular calha, condutor, rede, galeria, bueiros, pontes, etc. com tabelas antigas feitas em cima de uma chuva que não existe mais. As obras que esses profissionais irão calcular amanhã vão apresentar muitos problemas. 

Esse grupo convocado em regime de urgência poderá em 15 dias elaborar dicas que consideram as condições atuais em que se encontram as Mudanças Climáticas e passar Regras Simples do tipo "remover imediatamente qualquer morador de encostas que tenha bananeiras". Não podemos ficar passivamente esperando a visita dos técnicos do IPT pois temos mais de 20.000 municípios no Brasil.

Acorda gente! Precisamos acordar e perceber o que está acontecendo. As chuvas que castigaram Angra dos Reis é resultado do Aquecimento Global. Em todo o mundo as tempestades (de chuva, de neve e até de areia) estão mais violentas. A natureza já deu provas de que é fácil mandar uma chuva de 10 metros em São Luiz do Paraitinga ou em Agudo ou em outros lugares. Está mais que evidente que no ano 2011 ela pode mandar uma chuva de 12 metros. E tem gente pensando em reconstruir a igrejinha no mesmo lugar e, como é um patrimônio histórico ela vai ser reconstruida, com taipa de pilão! Pode? Por que construir em local que a gente tem certeza que vai ocorrer outra enchente? Ou será que a tecnologia vai ter que inventar uma taipa que aguente água de 12 metros de altura? 

O mesmo se pode dizer da ponte do Rio Jacui. Ela deve ter sido projetada para uma chuva de 167 milímetros que é o que recomenda a norma brasileira NBR-10844 para a região de Porto Alegre e eu estou com uma leve desconfiança que o inquérito vai descobrir que não há nada de errado com a ponte pois foi projetada "de acordo com a norma". O pior éque a ponte vai ser reconstruída para a mesma chuva de167 milímetros.

Neste ano, que mal se inicia (estamos no dia 5 de janeiro de 2010) já morreram 62 pessoas e por causa do El Niño e aquecimento global muitas outras vidas serão sacrificadas. Ainda dá tempo de evitar todas essas mortes que irão ocorrer no decorrer no mês de janeiro e fevereiro até que as águas de março fechem o verão de 2010?

Veja casos de enchentes, carros boiando na Vila Pompéia em 26 de março de 2010, fechando o verão - botaomaisdetalhes.jpg (1184 bytes)

 

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[4647] -  ET6/www/roberto/rotary/tiete.htm em 26/12/2000, atualizado em 26/08/2014.