BOCA DE LOBO

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1 - TIPOS

Entende-se por Boca de Lobo o dispositivo instalado na via pública para promover a drenagem da águas da via. Veja uma foto de uma boca de lobo típica:

A foto da esquerda mostra uma boca de lobo de guia enquanto que a outra mostra uma boca de lobo de sarjeta.

A boca de lobo de guia é feita com um pré-moldado especial conhecido como Guia Chapéu:

A boca de lobo de sarjeta é feita com um pré-fundido de aço ou de concreto, podendo ser de simples encaixe ou com dobradiça:

As bocas de lobo devem propiciar segurança e bem estar dos veículos e transeuntes. Em dias de chuva, a água da chuva correndo pela superfície da rua forma uma enxurrada. Quando a enxurrada toma certo volume, pode acarretar riscos e inseguranças como a inundação de lojas, derrubar e arrastar uma pessoa e até dificuldades de atravessar uma rua.

Não confundir Boca de Lobo com Bueiro pois Bueiro é a passagem que é construída por tubos ou galerias para a passagem da água (da chuva, de rios e de esgoto) por baixo de rodovias e ferrovias.

Não confundir também Boca de Lobo com Poço de Visita ou Poço de Inspeção que são poços (verticais e geralmente redondos) dotados de tampas que servem para a entrada de pessoas para fazer a manutenção da rede:

Operário entrando no Poço de Visita 
da Rede Elétrica Subterrânea: 
Tampa de um Poço de Visita de 
Rede de Drenagem - Tem furos:
Tampa de um Poço de Visita de 
Rede de Esgoto - Não tem furos 
por causa dos gases do esgoto:

A água da chuva deve escoar dentro da sarjeta para evitar situações de insegurança como as seguintes:

Bocas de Lobo estratégicamente instaladas irão promover a rápida drenagem da água da chuva para dentro da galeria de águas pluviais.

2 - DIMENSIONAMENTO:

Qual é a distância máxima entre uma boca de lobo e outra? Posso ter uma boca de lobo aqui e a outra somente daqui a 100 metros?

Depende da quantidade de água recolhida pela sarjeta. A sarjeta é inclinada para conter a água escoando sem transbordar. Veja como é calculada a inclinação e a largura da sarjeta, clicando na figura:

Ruas estreitas e loteamento com padrão pequeno de lotes irá exigir poucas bocas de lobo, isto é, as bocas de lobo poderão ficar longe uma das outras.

Ruas largas e loteamento com padrão grande de lotes irá exigir muitas bocas de lobo e até agrupamento de bocas de lobo no formato duplo, triplo e até mais.

Em ruas muito íngremes que causam enxurradas de alta velocidade pode acontecer da água passar direto pela boca de lobo. Então nesses casos é possível se fazer um rebaixo na sarjeta para facilitar o desvio do fluxo hidráulico para dentro da boca de lobo. Em zonas urbanas devemos evitar esse tipo de rebaixo pois além da sarjeta já ter uma inclinação que oferece certo risco às pessoas, a confecção desse rebaixo irá criar um risco adicional aos transeuntes.

Veja uma caso de conjugação de uma boca de lobo de guia com uma boca de lobo de sarjeta:

3 - DIMENSÕES MÁXIMAS E MÍNIMA DAS ABERTURAS:

As aberturas das bocas de lobo e das grelhas não devem ultrapassar um certo limite pois cria riscos às pessoas. 

Imaginem uma situação em que uma criança seja, acidentalmente, arrastada pela enxurrada. Se a abertura da boca de lobo for maior que 20 centímetros irá permitir a passagem de uma criança.

Ao contrário, se a abertura for muito pequena, irá entupir com facilidade pois a rua tem todo tipo de detritos como pedaços de papel, embalagens, palito de sorvete e latas de refrigerantes.

A rede de águas pluviais deve ser dimensionada para permitir o transporte desses materiais pela água da chuva.

A chuva lava e limpa a rua. Detritos comuns como excrementos de animais, pequenas embalagens, latas de refrigerante devem ser transportados pela água da chuva (ou pela água da lavagem da rua) para dentro das Galerias de Drenagem.

Uma lata de refrigerante tem um diâmetro de 7 cm, uma garrafa de vinho ou cerveja de 8 cm. Então a abertura mínima para uma boca de lobo deverá ser de 8,5 centímetros.

8,5 < H < 15 cm

Adotaremos, então uma medida média de H = 10 centímetros para a boca de lobo de guia.

No caso das grelhas, as restrições deverão ser maiores e uma boa medida é de 5 centímetros para evitar que uma criança enfie o pé e de no mínimo 3 centímetros para evitar que a grelha entupa à toa.

Adotaremos, então uma medida média de B = 4 centímetros.

As Bocas de Lobos podem ser confeccionadas no local ou podem ser adquiridas no comércio na forma de premoldados de concreto. Neste caso, os padrões de medidas praticadas no comércio são as seguintes:

 

4 - VAZÃO (quantidade de água que deve passar):

Vazão da boca de lobo pode ser determinada por fórmulas (mais complicado) ou por meio de nomogramas. No caso utilizamos o nomograma do DNIT contido no Manual de Drenagem de Rodovias:

A relação entre a lâmina d´água e a abertura da boca é de 7,5/10 = 0,75 e a abertura que adotamos é de 10 centímetros. Entrando no nomograma encontramos a vazão Q = 35 litros por segundo para a boca de lobo de guia.

Para as grelhas, devido à grande variedade de modelos existentes no comércio, recomendamos realizar um ensaio para determinar a vazão. Além do ensaio, não esquecer de aplicar um coeficiente de redução prevendo entupimento parcial de algumas aberturas.

De qualquer forma, adotaremos a vazão de Q = 15 litros por segundo para efeito de ilustração neste site.

O Centro Tecnológico de Hidráulica da Universidade de São Paulo ensaiou Bocas de Lobo de diversas aberturas em situações diversas de declividade e inclinação da rua e chegou à seguintes conclusões:

A vazão por uma Boca de Lobo qualquer, pode ser calculada pela Fórmula de Bernoulli:

Q = C L y (g y)1/2

onde C é o coeficiente de descarga, L a largura da boca, g a aceleração da gravidade e y a altura da lâmina d'água junto à guia.

Por meio de experi~encias práticas em modelo reduzido, chegaram à conclusão que para a chuva na cidade de São Paulo, teremos a fórmula simplificada:

Q = 0,75 y3/2 para sarjeta sem depressão e

Q = 1,02 y3/2 para sarjeta com depressão.

estas fórmulas valem para inclinação da rua entre 0,5% e 14%, declividade transversal da sargeta de 20%, largura da sarjeta de 40 centímetros que são o padrão adotado por muitas prefeituras.

Q = 17 litros por segundo, para sarjetas sem depressão e

Q = 23 litros por segundo, para sargetas com depressão.

Veja as perspectivas para os casos de sarjeta sem e com depressão:

 

5 - ONDE DEVEMOS COLOCAR AS BOCAS DE LOBO:

Veja algumas regras práticas para a localização das bocas de lobo.

1 - Ao final de um trecho de rua antes do cruzamento. As águas pluviais não devem cruzar a via transversal.

2 - Antes da faixa de travessia de pedestres. O pedestre ao atravessar a faixa de segurança não deve enfrentar enxurrada na sarjeta.

3 - Na parte mais baixa do quarteirão.

4 - Não permitir que a sarjeta receba mais água que sua capacidade.

Veja como fica um cruzamento a seco, sem valeta e sem enxurrada:

Veja o que acontece se a Boca de Lobo estiver mal posicionada, se entupir ou se não existir:

Imagine, então o caos que se forma em dias de chuva se o cruzamento não tiver nenhuma Boca de Lobo:

Para evitar que a vazão de água ultrapasse a capacidade da sarjeta, devemos levar em consideração a área de contribuição da chuva.

Em ruas do tipo Caso-A: Somente a rua e os imóveis da própria rua.

CASO TIPO DE BOCA DISTÂNCIA MÁXIMA
1 Boca de Guia Simples Uma boca a cada 18,1 metros
2 Boca de Guia Dupla Um conjunto de Boca Dupla a cada 36,3 metros
3 Boca Conjugada  Um conjunto de Boca Conjugaa a cada 25,9 metros
4 Duas Bocas Conjugadas Um conjunto de Bocas Conjugadas a cada 51,8 metros

Em ruas do tipo Caso-B: A rua e os imóveis da vizinhança à montante.

CASO TIPO DE BOCA DISTÂNCIA MÁXIMA
1 Boca de Guia Simples Uma boca a cada 10,2 metros
2 Boca de Guia Dupla Um conjunto de Boca Dupla a cada 20,4 metros
2 Boca de Guia Tripla Um conjunto de Boca Dupla a cada 30,6 metros
3 Boca Conjugada  Um conjunto de Boca Conjugaa a cada 14,6 metros
4 Duas Bocas Conjugadas Um conjunto de Bocas Conjugadas a cada 29,2 metros
4 Três Bocas Conjugadas Um conjunto de Bocas Conjugadas a cada 43,8 metros
Boca de Guia Simples Boca de Guia Dupla Boca Conjugada Dubas Bocas Conjugadas

NOTA IMPORTANTE:

Não se assuste com os números apresentados. Ao verificar a distância existente entre as bocas de lobo de sua rua, você verá que os números aqui apresentados são bem menores do que os que você poderá constatar na rua onde você mora ou daquele limite de 60 metros fixado nas Diretrizes Básicas para Projetos de Drenagem Urbana no Município de São Paulo. É que o projeto da rede de drenagem da sua rua e as Diretrizes foram feitos numa época em que não havia a grande contribuição dos gases de efeito estufa como na atualidade. Lembre-se que acrescentamos 20% à vazão de projeto por conta do aquecimento global.

Se você vai projetar uma rede de drenagem nova, não se esqueça de majorar a vazão de projeto com um percentual bem maior que o 20% que adotamos aqui, pois a COPE-15 resultou em grande fracasso nas negociações e não houve acordo com relação a um número mínimo de redução de emissão de gases que contribuem com o efeito estufa de modo que aquele limite de no máximo 2% de aumento da temperatura média da terra não será, com certeza, atendido.

Existe também uma pesquisa em desenvolvimento na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo de criar um asfalto permeável. Com ele não haveria necessidade de bocas de lobo pois toda água da chuva seria rapidamente transferida pelo pavimento para a rede de drenagem como se fosse uma peneira.

6 - BOCA DE LOBO EM VIADUTOS, PONTES E ESTRADAS

Por incrível que pareça, o local menos provável de ocorrer uma enchente seria em cima de um viaduto, mas isso costuma acontecer.

 

 

RMW\drenagem\bocadelobo.htm em 18/12/2009, atualizado em 06/01/2013.