Edição 26 de maio de 2002.

Vale do Aricanduva

Plano de Combate às Enchentes
 

Como a Gazeta havia publicado no domingo passado, dia 19, esta semana haveria um detalhamento do plano de combate à enchentes do Rio Aricanduva. Nesta edição será mostrada a proposta do engenheiro civil Roberto Massaru Watanabe, especialista em pluviologia e hidráulica fluvial, que abre uma porta para a participação do comércio, indústrias e população, das regiões atingidas, na prevenção e combate às enchentes.

O plano de Watanabe, denominado SISTEMA DE ALERTA DE CHEIAS, foi apresentado, em primeira mão, na Unicid - Universidade Cidade de São Paulo, no dia 16, durante o 1º UniEmpresas - Encontro Unicid Empresas da Zona Leste. Durante o evento, o engenheiro tatuapeense, apresentou um projeto de combate às enchentes do Vale do Rio Aricanduva, que já vinha sendo elaborado com o apoio do Rotary e da Gazeta do Tatuapé.

O Rio Aricanduva, localizado na região Leste da capital, tem as suas cabeceiras na região limítrofe com o município de Mauá e possui afluentes de porte como os Rios Limoeiro, Caguaçu, dos Machados, Anhumas, Tapera, Taboão, Taubaté, Rapadura, Rincão e Tatuapé. Após percorrer cerca de 20 quilômetros, deságua no Rio Tietê, entre os bairros da Penha e Tatuapé.

Ao longo de seu percurso, foram encontrados diversos tipos de singularidades hidráulicas, que provocam o retardamento do fluxo das águas. A existência dessas singularidades se explica pelo fato da canalização do rio ter sido executada por partes, na medida em que novas áreas foram sendo urbanizadas.

As sucessivas administrações governamentais e empreiteiras contratadas não tiveram o cuidado de garantir uma continuidade hidráulica da calha do rio chegando, inclusive, a empregar concepções e materiais diferentes em diversos locais do rio, resultando em pontos de singularidade localizada, que impedem o fluxo natural das águas. O resultado é como se o ralo do banheiro de nossa casa estivesse entupido, isto é, a água não escoa com facilidade ocasionando, assim, as enchentes.

O PLANO

O presente Plano de Combate compõe-se de um conjunto de iniciativas que objetiva dotar a região compreendida pela bacia do Rio Aricanduva e de suas sub-bacias de uma infra-estrutura integrada e completa para a prevenção e para o combate às cheias provocadas pelas chuvas de verão. O plano prevê também uma orientação técnica completa aos moradores, lojas e indústrias, por meio de palestras e instruções de treinamentos que serão ministrados nas igrejas, escolas e outros espaços públicos.

Compreende também um estudo completo das singularidades hidráulicas do rio e deve complementar as ações que os governos Federal, Estadual e Municipal estão desenvolvendo para diminuir o impacto das chuvas, como a retificação do leito do rio e as construções de barreiras de detenção, vulgarmente conhecidas como "piscinões".

O Plano também abre uma possibilidade para a contribuição da iniciativa privada e participação de toda a população envolvida, atualmente de mãos atadas, refém dos mandos e desmandos dos políticos que não têm um compromisso sério para com a efetividade das medidas que são tomadas para a solução do problema das enchentes. De uma forma resumida, o Plano compreende as seguintes atividades:

1 - Levantamento Cadastral: levantamento topográfico "in loco" do leito do rio e das seções transversais da bacia do Rio Aricanduva e de todas as suas sub-bacias.

2 - Estudo das Singularidades Hidráulicas: consiste no estudo hidráulico das singularidades com o objetivo de determinar o grau de influência de cada singularidade na liberdade de escoamento das águas.

3 - Projeto da Rede de Telemetria: estudo dos locais de significância para a previsão de cheias, dos pontos possíveis de instalação de postos de pluviometria e qualidade do enlace radiofônico para comunicação on-line, 24 horas por dia, com a Central de Monitoramento. Os equipamentos que compõem um determinado posto serão estabelecidos em função do tipo de monitoramento daquele posto e compreenderão aparelhos do tipo termômetro, higrômetro, pluviômetro, anemômetro e câmeras de vídeo.

SOFTWARE

4 - Desenvolvimento do Software de Monitoramento: programa de computador, um sistema especializado, baseado em técnicas de inteligência artificial contendo os parâmetros hidráulicos da bacia do Rio Aricanduva e de suas sub-bacias.

O software deve receber os dados enviados pela rede de telemetria, analisar locais, intensidade e direção das chuvas e, baseando-se em parâmetros hidráulicos históricos, fornecer dados de previsão de cheias a órgãos dos governos (defesa civil, corpo de bombeiros, administração regional e pronto-socorros) e entidades participantes do projeto (igrejas, sociedades amigos, universidades e companhias de seguros).

Com isso, será possível, com a antecedência necessária, realizar intervenções para se evitar e, quando não for possível evitar, providenciar o socorro imediato e adequado às vítimas. Além dos participantes do projeto, a população em geral também terá acesso às informações, de forma on-line, através de um site especial na Internet.

5 - Palestras de esclarecimento: um conjunto de palestras proferidas por técnicos envolvidos no projeto deve fornecer esclarecimentos à população em geral sobre o funcionamento do sistema. As palestras serão apresentadas em escolas, centros comerciais e outros locais de grande afluência de público.

PALESTRAS

6 - Palestras de Orientação: conjunto de palestras dirigidas, proferidas por técnicos envolvidos no projeto, deve fornecer orientação para os moradores e comerciantes sobre o funcionamento do sistema em associações de classe, igrejas, escolas e sociedades amigos. Deve fornecer também projetos sobre modificações na rede particular de esgoto e de águas pluviais, formas de disposição de móveis e aparelhos domésticos e ações de prevenção e combate às enchentes.

7 - Orientação Individual: para moradores e comerciantes feita por técnicos envolvidos no projeto. Inclui o fornecimento de desenhos de comportas e outros dispositivos de prevenção e combate às enchentes, assim como receitas de como dispor os móveis e aparelhos domésticos para poderem ser rapidamente removidos em casos de enchente iminente.

8 - Instalação da Rede de Telemetria: reuniões com condomínios de prédios, administradoras de condomínio e empresas para fornecer esclarecimentos sobre a instalação de postos de medição. Confecção e assinatura dos contratos de guarda dos equipamentos. Fornecimento dos equipamentos e instalação dos postos de medição. Testes de enlace radiofônico com a central. Evento para inauguração do sistema.

9 - Instalação de Placas e Painéis: conjunto de placas, painéis e avisos luminosos instalados nos principais cruzamentos de acesso às regiões alagáveis. Os luminosos serão ativados diretamente pela Central de Monitoramento toda vez que ocorrer estados de iminência de enchentes. Semelhantes a placas de trânsito, serão instalados em postes de concessionárias de serviços públicos e terão luzes que ficarão piscando enquanto durar o estado de iminência ou a enchente.

RESULTADOS

A implantação deste plano abre uma importante porta para a participação das empresas, indústrias e população abrangida, não ficando, a responsabilidade, apenas com os governos. A atuação integrada de toda a comunidade evitará, com certeza, os grandes prejuízos causados principalmente pelas grandes enchentes. A essência do Projeto não é "eliminar totalmente" as enchentes mas "estar preparados" mesmo para as enchentes catastróficas. Dessa forma, mesmo que elas venham a ocorrer, os prejuízos materiais poderão ser minimizados e mesmo completamente eliminados.

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Outros detalhes podem ser obtidos no site do Watanabe: http://www.ebanataw.com.br/roberto/aricanduva/enchentes/enchentes.php

Modelo de placa a ser instalada na região periférica dos locais alagáveis com lâmpada pisca-pisca quando acontecerem riscos de enchente no local. Os motoristas evitam entrar nesse perímetro e assim não se arriscam a ficar ilhado quando as águas começarem a subir rapidamente.
Trata-se de uma Solução Paliativa, isto é, que não resolve o problema da enchente mas ajuda a evitar grandes prejuízos materiais e até perdas de vida.

Governo reconhece e USP comprova eficácia da Proposta feita em maio de 2002. Veja matéria na Folha de S Paulo de 14 de outubro de 2010:

Agora só falta delimitar e instalar as placas de alerta aos motoristas.


Demora um pouco, mas, finalmente, resolveram colocar as placas - É que é um serviço caro e vai custar R$125 milhões de reais:

Só ficou faltando os pisca-piscas.

 

As chuvas de

janeiro de 2011

SOLAPAMENTO:

Veja como serge uma cratera no meio da rua.

\ET-12\chuvas\gazeta_tatuape02.htm em 28/05/2002, atualizado em 23/11/2013.