CARACTERÍSTICAS DA VIA
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O local onde irá trafegar a bicicleta, seja esportiva, de transporte ou de passeio, deve reunir determinadas características técnicas para garantir a segurança, a saúde e o conforto do ciclista. Não é qualquer faixa pintada de vermelho que podemos aceitar como "ciclovia".

A rigor, deveria existir uma norma, de aplicação nacional, determinando todas as características técnicas para que uma Ciclovia possa ser segura, saudável e confortável e essa norma deveria ser emitida pela ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas e regulamentada pelo CONTRAN visto tratar-se, a bicicleta, de veículo de transporte de pessoa.

Encontramos normas do DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, norma DNIT/IPR-740, e algumas regulamentações do CONTRAN - Conselho Nacional do Trânsito, consolidadas no Códito de Trânsito Brasileiro. Vejam algumas das normas em .

Encontramos também diversas normas e leis municipais que procuram ordenar a matéria mas, respeitadas as limitações municipais, não tratam o assunto com a necessária profundidade científica e não levam em consideração aspectos de saúde importantes como as necessidades fisiológicas dos ciclistas.

Enquanto não surge uma Norma Técnica de abrangência nacional apresentamos uma série de aspectos relacionados ao uso da ciclovia e também das necessidades dos ciclistas.

Iremos abordar no presente estudo os seguintes tópicos:

1 - Largura segura da via;

2 - Inclinação Transversal na reta;

3 - Inclinação Transversal na curva - Raio de Curvatura;

4 - Declividade Longitudinal;

5 - Rugosidade do Revestimento;

6 - Acostamento ou Faixa Livre Lateral;

7 - Objetos que Podem Ferir o Ciclista;

8 - Segurança do Ciclista;

9 - Proteção do Ciclista;

10 - Área de descanso e água para beber;

11 - Instalações Sanitárias;

Vejamos cada um desses tópicos separadamente:

1 - LARGURA DA VIA:

Ciclista é uma pessoa comum que faz uso da bicicleta. Para andar de bicicleta, não há necessidade de habilitação, isto é, não tem muito sentido imaginar que, a exemplo do motorista de um veículo automotor, o ciclista tenha que fazer Exame Médico, conhecer Regras de Trânsito, saber interpretar Placas de Trânsito e outras exigências que os motoristas de veículos automotores são obrigados a seguir.

Ao ciclista basta saber que, de forma oficial, foi instituída uma Ciclovia e que tal via se reveste de todas as condições de segurança:

Todos os sinais de trânsito instalados numa ciclovia tem a sua eficácia prejudicada, uma vez que o ciclista não precisa passar por algum curso de regras de trânsito. Todas as placas que aparecem na foto acima é de entendimento "obrigatorio" por parte de um motorista habilitado a dirigir veículo automotor mas não há lei obrigando qualquer conhecimento por parte de ciclistas.

Mesmo os cartazes com frases não são de claro entendimento por todos uma vez que trafegam pela Ciclovia analfabetos, crianças em fase de alfabetização e também pessoas portadoras de deficiência visual.

É por isso que a Ciclovia, além de ser uma Via Segregada precisa ser isolada em determinados trechos para evitar a "invasão", mesmo que não intensional, de pedestres e também de animais. Na ciclovia que margeia o Rio Pinheiros em São Paulo, existe uma placa que não consta do catálogo oficial de Placas de Trânsito que faz um alerta sobre a presença de capivaras.

O correto seria, já que a Ciclovia deve ser uma via segregada, que os elementos de segregação fossem dotados de telas capazes de impedir a invasão da ciclovia pelos animais de porte ou que a Ciclovia seja dotada, a cada 50 metros, de Bueiros Ecológicos para permitir a passagem da fauna de um lado para outro. Para os animais, a ciclovia é um obstáculo entre e seu ninho, construído em local seco, e o rio onde ele vai banhar-se. O Bueiro Ecológico é um simples tubo enterrado sob a via.

A largura da via deve ser fixada em função de certas características pessoais do ciclista que deve levar em consideração a forma de andar de um ciclista que, diferentemente de uma veículo automotor que está permanentemente equilibrado pois é provido de quatro rodas, o ciclista apresenta uma andar cambaleante, isto é, um andar que busca constantemente o ponto de equilíbrio.

A norma do DNIT estabelece uma série de larguras:

A Largura Individual é a largura de um ciclista em situação de repouso, parado.

A Largura Operacional é a largura de um ciclista em movimento. É a largura que o ciclista ocupa quando está em movimento.

A Largura Mínima é a largura livre minima que uma faixa de tráfego precisa ter para permitir o andar seguro de um ciclista em movimento.

Observando o andar de um ciclista, vemos que ele vai zigue-zagueando pela pista buscando sempre o ponto de equilíbrio.

Veja mais detalhes sobre o Andar Cambaleante de um ciclista em .

A busca de uma nova posição de equilíbrio se inicia quando o ciclista percebe que seu corpo tende a tombar para um dos lados.

A percepção de que o corpo está desequilibrando não é percebida de imediato pois depende de um complexo sistema de detecção de equilíbrio. Pessoas de tenra ou avançada idade e certas patologias que afetam o ouvido assim como a injestão de bebidas alcoolicas e drogas afetam a sensibilidade desse mecanismo.

Então, cada ser humano terá um tempo diferente para "perceber" que está saindo do equilíbrio.

Mas a retomada do ponto de equilíbrio é necessária e deve ser feita tão logo se perceba o desequilíbrio e, na sequência, o ciclista move o guidão para o mesmo lado em que está tombando e depois de percorrer um determinado trecho de via ele consegue retomar à trajetória original. A foto acima mostra a aprendiz virando o guidão para o lado oposto, demonstrando que não aprendeu "ainda" o macete de andar de bicicleta. Depois que "pegou o macete" diz o dito popular que "a gente nunca esquece".

De acordo com estudos desenvolvidos nos países nódicos onde a onda do ciclismo foi deflagada bem antes de nós, nos anos 60, uma largura segura para a detecção do desequilíbrio é de 50 centímetros e a largura segura para a retomada do ponto de equilíbrio é de 75 centímetros.

Daí nasce a medida LS = 150 centímetros como sendo a Largura Segura para o tráfego de bicicletas numa Ciclovia.

LS = 150 centímetros

Lembre-se que numa Ciclovia não existe o melhor, o experiente. Como não há obrigatoriedade de Licença para Dirigir, qualquer pessoa, em especial o novato tem os mesmos direitos de trafegar numa ciclovia, de modo que o dimensionamento da via deve ser feito sempre em consideração a este novato. Nivela-se "por baixo".

Qualquer ciclovia que apresente largura menor que a acima apresentada oferece riscos ao ciclista pois não oferece a largura necessária para a retomada do ponto de equilíbrio.

A norma do DNIT determina que a rota do andar de um ciclista tem largura que depende da velocidade do andar. Quanto menor a velocidade, maior será a dificuldade de se manter o equilibro dentro da rota traçada, ou seja, o cambaleio é maior.

Assim, estando em velocidade baixa, por exemplo 5 km/h, a norma estabelece uma largura da faixa em 80 centímetros:

Isto significa que um ciclista andando em velocidade baixa precisa ter uma faixa livre de 2,30 metros para um andar seguro.

e estando em velocidade alta, por exemplo a 11 km/h, a norma estabelece uma largura da faixa de apenas 20 centímetros:

Isto significa que um ciclista andando em velocidade alta precisa ter uma faixa livre de 1,70 metros para um andar seguro.

LARGURA MÍNIMA DA CICLOVIA PARA ULTRAPASSAGENS SEGURAS:

Difícil calcular a largura mínima de uma ciclovia que permita uma ultrapassagem em condições seguras.

Você, andando numa ciclovia e vendo à frente um outro ciclista mais lento vai se deslocar para a lateral para evitar um choque durante a ultrapassagem. Seguindo a regulamentação estabelecida para veículos automotores, a ultrapassagem deverá ser feita pelo lado esquerdo. Pelo hábito dos motoristas é de se supor que o ciclista também vá querer ultrapassar pela esquerda. Exceção seriam ciclistas estrangeiros (da Inglaterra ou Austrália) que têm o hábito de ultrapassar pela direira.

você precisa, é claro, tocar a campainha para que o ciclista da frente se desloque para a direita e assim abrir espaço para a sua ultrapassagem. Isso, imaginando que ele não seja surdo ou que não esteja com o fone de ouvido ouvindo música em volume alto. Deslocando-se para a direita, o ciclista da frente deve ainda manter, ainda o seu espaço para o cambaleio.

A campainha seria um acessório obrigatório no Licenciamento, quando este vier a ser obrigatório.

Considerando que, durante a ultrapassagem, ambos os ciclistas venham a sofrer um desvio de rota e ao mesmo tempo uma perda de equilibro que vai exigir um cambaleio, a largura segura em que é feita a ultrapassagem deve ser de, no mínimo, 4,00 metros.

Ciclovias com largura menores que 4,00 metros não oferecem a segurança durante as ultrapassagens, podendo ocorrer o choque entre os ciclistas.

Concluindo este capítulo, vemos que a largura mínima de uma Ciclovia "segura" deve ser de 4,00 metros.

2 - Inclinação Transversal no Plano:

Poças d'água causam a aquaplanagem (derrapagem), isto é, as rodas perdem o contato com o piso e deslizam sobre a água como se fossem pranchas de surfe.

As Ciclovias são utilizadas mesmo em dias de chuva. Para aqueles que não gostam de se molhar na chuva, existem soluções interessantes. Veja algumas situações que encontrei na internet:

Então o piso da Ciclovia não pode ser um plano horizontal. Deve ter um leve caimento para qualquer um dos lados, podendo ser somente para um dos lados, para os dois lados, para frente ou para trás. Não pode também ter grelhas, grades ou qualquer outro dispositivo pois são obstáculos que dificultam o tráfego e até oferecem certo perigo para os ciclistas.

Veja as alternativas num trecho plano:

O ciclista não é um PCD (pessoa com deficiência) mas podemos pensar na Lei da Acessibilidade e na norma NBR-9050. Lá encontramos que grelhas, junta de dilatação e outras aberturas no piso não podem ter mais de 15 milímetros de abertura na direção do movimento. Também encontramos o limite de 20 milimetros para desníveis.

Qualquer que seja a alernativa adotada, a inclinação da pista não pode afetar a segurança do ciclista. Veja o próximo tópico que trata da força centrífuga.

3 - Inclinação Transversal em trechos com Curva:

As curvas, numa Ciclovia, merecem um cuidado muito especial.

Diferentemente das curvas de um Leito Carroçável, as curvas de Ciclovias necessitam levar em consideração do Equilíbrio do Ciclista dentro da curva. Veja um pequeno vídeo (www.youtube.com/watch?v=mL-GD5OnhHM).

Duas questões técnicas precisam ser pensadas:

1 - Distância (segura) de Visibilidade - Raio de Curvatura;

2 - Superelevação da pista.

1 - Distância (segura) de Visibilidade na Curva:

O olhar não faz curva. Só enxergamos em linha reta.

Nos trechos em curva encontramos, geralmente, obstáculos nas laterais. Pode ser um morro, uma casa, uma árvore, um painel de propaganda ou qualquer objeto que bloqueia ou que diminua a visibilidade, ou melhor, a distância de visibilidade.

Para evitar curvas excessivamente fechadas e que dificultam a freada quando encontramos algum obstáculo na pista como um ciclista mais lento ou mesmo um ciclista que parou na pista, deve ser respeitado um Raio Mínimo de Curvatura calculado de tal forma a assegurar uma Distância Seguros de Parada.

A Distância de Parada depende de:

- Velocidade da bicicleta;

- Inclinação transversal da Pista;

- Declividade (positiva=subida, negativa=descida);

- Raio de Curvatura da curva;

- Coeficiente de rugosidade (atrito) da pista;

- Tempo de Percepção, isto é, o tempo que o ciclista leva para perceber que há um problema na pista e que precisa parar;

- Tempo de Reação, isto é, o tempo que o ciclista demora para começar a frear a bicicleta;

- Capacidade de frenagem da bicicleta.

2 - Superelevação da Pista:

A superelevação da pista é calculada para que o ciclista percorra a curva com conforto e segurança.

Curvas sem superelevação jogam o ciclista para fora da pista.

Curvas com superelevação excessiva jogam o ciclista para dentro da pista.

Essas diferenças podem observar nos velódromos que são as pistas de alta velocidade.

4 - Declividade Longitudinal:

É a inclinação ao longo da ciclovia. Nos trechos de subida temos a Declividade positiva e nos trechos em descida temos a Declividade negativa.

Com uma Curvatura Vertical mais suave, teremos uma subida menos íngreme e com boa visibilidade do que está à frente:

Trechos côncavos da Ciclovia necessitam receber um sistema de drenagem para o rápido escoamento das águas da chuva.

Acostumados com a drenagem de ruas e avenidas, talvez algum secretário de obras instale a mesma grelha mas não podemos nos esquecer que o pneu da bicicleta é bem mais estreito que o pneu de um automóvel.

5 - RUGOSIDADE DO REVESTIMENTO:

O piso da Ciclovia deve ser revestido com materiais que proporcionam segurança e se possível conforto.

Revestimentos muito lisos têm o coeficiente de atrito muito baixo e favorecem a ocorrência de derrapamentos. A vantagem é que levando um tombo num piso liso, não chega a arrancar a pele.

Revestimentos muito ásperos têm coeficiente de atrito elevado, produz desgaste dos pneus e, nas quedas, raspam a pela chegando a arrancar pedaços.

O materiail a ser empregado pode ser o concreto ou o asfalto, também conhecido como CBUQ, ambos dimensionados (composição e espessura) para durar a vida útil prevista para a Ciclovia.

Importante é preparar a argamassa já na coloração recomendada. Assim se garante a espereza desejada. Pinturas aplicadas posteriormente tornam a superfície lisa e escorregadia.

Não se deve usar pintura pois o piso sofre desgaste proporcionado pelas bicicletas que trafegam pela ciclovia. A cor vermelha deve compor a argamassa de revestimento. Assim, mesmo ao longo do tempo em que o revestimento sofre desgaste, a cor vermelha se manterá viva.

Certos tipos de Calçamentos com paralelepípedos e pedra da mão, tão comuns na época colonial, são totalmente inadequados para o tráfego de bicicletas. Com o passar do tempo o paralelepído se torna excessivamente liso facilitando a ororrência de derrapagens.

Já a pedra de mão apresenta muitas irregularidades, ondulações e arestas vivas que podem furar ou rasgar o pneu além de entortar o aro da bicicleta.

6 - Acostamento ou Faixa Livre Lateral.

Nas duas laterais da Ciclovia deve existir uma Faixa Livre para evitar que pedestres distraídos entrem em choque com ciclista que estejam trafegando pela borda da Ciclovia, igualmente distraído.

As figuras abaixo mostram duas situações, uma sem a Faixa Livre e a outro com a Faixa Livre.

A norma do DNIT (4.5.4-b da IPR-740) determina que esta faixa lateral tenha uma largura mínima de 60 centímetros e que seja o mais horizontal possivel, admitindo-se uma declividade transversal de até 1:6, isto é, para uma largura de 60 centímetros, a diferença de altura entre as bordas não pode exceder 10 centímetros.

Veja um caso real:

 

7 - OBJETOS QUE PODEM FERIR O CICLISTA EM CASO DE QUEDA:

A queda do ciclista pode até ser considerada "normal" pois o andar depende de um preciso equilíbrio. Qualquer distração pode levar ao desequilíbrio e o ciclista pode perder o controle do andar. Quedas devem ser consideradas normais tanto é que o uso de equipamentos de proteção individual - EPI são normalmente obrigatórios.

Um vento lateral, uma mosca que pousou no pescoço, uma gota de suor que caiu dentro do olho, um aceno de mão a um amigo que passou, enfim, são muitas as situações que levam a uma distração e à perda do equilíbrio.

Se o ciclista trafegava pelo centro da Ciclovia, a retomada do equilíbrio é fácil e rápida, mas se ele estava na borda da Ciclovia, provavelmente sairá da faixa.

É recomendável que a Faixa Livre seja revestida com um material macio como placas de borracha ou mesmo grama - Assim, a queda será amortecida.

Mas, pode acontecer de existir postes de iluminação, árvores, muros, placas de trânsito, postes de eletricidade, bancos e outros objetos  de porte muito próximos da Ciclovia e, por estarem muito próximos e possuirem arestas vivas e aberturas laterais, poderão provocar o choque do ciclista em queda e provocar ferimentos graves que a luva ou o capacete não conseguirão evitar.

Mantendo árvores, postes e outros objetos a uma distância conveniente, muitos ferimentos graves poderão ser evitados.

Componentes de segurança não podem apresentar cantos vivos pois um ciclista que perde o equilíbrio poderá ferir-se ao cair sobre esses cantos. Ciclistas podem ficar distraídos ...

8 - DETERMINAÇÕES DA NORMA IPR-740 DO DNIT:

A Ciclovia deve manter uma certa distância da rodovia. Uma área livre intermediária com pelo menos 1,50 metros de largura é recomendada para indicar tanto para o ciclista como para o motorista que a ciclovia funciona como uma pista independente para as bicicletas.

Quando isto não for possível e a distância entre a Ciclovia e a Rodovia for menor que 1,50 metros deve-se instalar uma separação física adequada que:

1 - Consiga segurar o impacto de veículo automotor desgovernado. A melhor separação física é a Defensa New Jersey, calculada em função da velocidade e porte dos veículos autorizados a trafegarem pelo local;

A foto acima faz parte da Ciclovia do Tatuapé, uma via de quase 15 km totalmente segregada (sem nenhum cruzamento com carros) -

2 - Consiga impedir que o ciclista desequilibrado (que perdeu o equilíbrio) seja lançado para a rodovia.

Em Ciclofaixas também deve existir esta Faixa de Segurança com no mínimo 1,50 metros de largura.

A Ciclovia não pode impedir ou dificultar o acesso de veículos de manutenção das concessionárias de serviços públicos. Em toda altura deve ser mantida livre de obstáculos como pórticos e placas até uma altura de 2,40 metros.

Havendo passagens subterrâneas e túneis, a altura livre mínima deve ser de 3,00 metros em toda a largura da Ciclovia.

Ciclovias de 2 sentidos devem ter a largura mínima de 3,00 metros. Veja o desenho esquemático apresentado na norma do DNIT:

A norma recomenda que postes, árvores e placas de sinalização não fiquem muito junto à Ciclovia pois um ciclista desequilibrado poderá chocar-se contra esses obstáculos. A norma do DNIT recomenda um afastamento mínimo de 90 centímetros entre a borda da Ciclovia e o obstáculo.

A beirada da Ciclovia funciona como que um "acostamento" onde o ciclista poderá dar um rápido descanso. Então, a borda não pode ser muito inclinada, de preferência horizontal. Quando a inclinação não é evitável, confeccionar com uma declividade máxima de 1:6, isto é, numa largura de 60 centímetros, as bordas não podem ter mais que 10 centímetros de diferença.

9 - SAÚDE DOS CICLISTAS:

A intensa atividade física acelera o metabolismo do organismo com grandes perdas de água pelo suor e também pela respiração.

Ver no capítulo relativo à Segurança dos Ciclistas a necessidade de pontos de descanso, instalações sanitárias, lanchonetes e água. Clique aqui

10 - POSTOS DE MANUTENÇÃO:

Dos diversos tipos de manutenção como conserto de câmara de ar furada e caligragem da pressão dos pneus a mais importante é a regulagem da proporção da bicicleta por meio do ajuste da Altura do Selim, Avanço do Guidão e do Afastamento do Pedal:

Estas medidas produzem esforços em determinados músculos do organismo.

Siga as orientações do seu Bike Trainner que mediu com precisão as medidas e proporções de seu corpo e estabeleceu as medidas certas para cada situação (forçada, confortável, etc.). Lembre-se sempre que se usa a biciclieta para um simples deslocamento ou para o exercício físico e nenhuma das situações pode provocar dores e lesões. Se você chegar a sentir um leve "puxão", uma leve "fisgada" já é tarde demais pois o músculo já foi lesionado.

Desse modo você pode elaborar um Programa Personalizado. Isto é importante numa Ciclovia de porte como a Ciclovia do Tatuapé que tem mais de 15 quilômetros de extensção em cada perna com trechos planos, em subida, descida e ainda com 5 estações do Metrô no meio do caminho, de modo que o seu Programa Personalizado pode ter desde 60 metros até 30 km numa via totalmente segregada e sem nenhum cruzamento com caminhões e ônibus.

Conheça a Ciclovia do Tatuapé em .

Veja as regulagens de uma bicicleta em

Muitas vezes, a finalidade de uso pode variar ou ser alterada ao longo do percurso. Num trecho você quer solicitar determinados músculos, em outro trecho você não tem essa preocupação e deseja apenas passear e admirar a paisagem. Essas posturas requerem regulagens específicas como levantar o selim, abaixar o guidão. Veja os usos em .

Para a correta regulagem, serão necessárias ferramentas próprias. Antigamente havia uma bolsa de couro onde se carregava bomba, chaves de roda, chave de fenda, flanela, óleo lubrificante e mais uma infinidades de apetrechos que fazia barulho quando a bicicleta passava numa valeta mas, hoje em dia, não se recomenda carregar "peso morto" na bicicleta.

Então, a Ciclovia deve oferecer Postos de Regulagem e Manutenção com o ferramental necessário para todas estas manutenções.

 Ninguém merece ficar agachado no meio da rua para fazer a manutenção da bicicleta.

O Poder Público (geralmente a Prefeitura Municipal) responsável pela instalação, segurança e saúde da Ciclovia deve proporcionar a infraestrutura necessária.

Em dias especiais, devido à grande afluência de ciclistas, Postos Móveis de Manutenção podem ser instalados.

11 - CRUZAMENTO COM OUTRAS VIAS:

A Ciclovia é uma via totalmente segregada e exclusiva para uso de ciclistas.

Não deve ter cruzamentos em nível.

Nos locais de encontro com outros tipos de vias de tráfego como pedestres, veículos, trens, barcos, deve ser construído dispositivo adequado como passarela, ponte, cicloduto, etc., que permita que a trevessia seja feita em desnível.

SOLUÇÃO PROVISÓRIA.

Em situações de implantação demorada de uma nova Ciclovia admite-se a instalação provisória de Painel Semafórico Luminoso com controle eletrônico do ciclo de fases.

Não existe, ainda, no Brasil regulamentação para este tipo de Sinalizador. Veja um exemplo em uso em outros países:

Foto de Ciclodutos em outros países:

 

12 - Não fique sozinho

Como toda atividade humana, a prática saudável vai exigir dedicação e esforço e não é sempre que a gente acorda com disposição.

Participar de um grupo facilita as atividades pois os demais membros lhe dão estímulos e incentivos.

A prática em grupo também promove o intercâmbio de experiências. Veja por exemplo os eventos promovidos pela Federação Paranaense de Ciclismo:

O autor deste site, Roberto Massaru Watanabe, é formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo - Turma de 1972 e trabalhou no projeto da Rodovia dos Imigrantes, Anel Rodoviário de São Paulo, Simulação do Tráfego em Vias Expressas de Campinas e foi um ativo colaborador na implantação da Ciclovia do Tatuapé.

Pela finalidade pedagógica, o conteúdo deste site pode ser livremente impresso, copiado e distribuído. Só não pode ser pirateado, isto é, copiado e distribuído como se fossem de sua autoria.

ET-12\RMW\trafegando\ciclovia.htm em 14/09/2014, atualizado em 02/09/2017 .

    RMW-590-16/12/2018