ÁRVORE NA CALÇADA

Algmas pessoas não gostam de árvores na calçada, em especial na calçada "dela", e se justificam dizendo que a árvore faz muita sujeira, quebra a calçada e, em dias de tempestade, caem sobre os carros.

Mas, por que será que a árvore cai? A natureza não inventaria uma coisa que cai à toda. Será que uma árvore que cai foi bem tratada? Ela estava com saúde? Se havia cupim então ela estava doente. Se as raízes eram razas então ela já estava instável.

O prof. Watanabe não é biólogo, nem botânico, nem agrônomo. É engenheiro e como tal já realizou muitas vistorias de desastres, inclusive de carros e casas que foram atingidos por queda de árvore e, estudando o assunto, encontrou algumas respostas que, agora, coloca á disposição dos internautas para uma reflexão.

AS FUNÇÕES DAS RAÍZES

Para que servem as raízes numa planta?

Alguns pensam que a raíz é a "boca" da planta, isto é, pensam que é pela raiz que a planta se alimenta e cresce.

Mas, na verdade, a "boca" são as folhas onde ocorre uma síntese que retira o carbono do dióxido de carbono existente no ar e incorpora esse mesmo carbono no lenho que forma o tronco da árvore. Veja mais sobre essa síntese que é comandada pela energia do sol, a luz, e que é denominada fotossíntese -

Duas são as funções das raízes:

1 - Retirar da terra a água e os nutrientes (basicamente o NPK, isto é, o nitrogênio, o fósforo e o potássio) necessários para realizar o metabolismo, isto é, a vida e o crescimento.

2 - Dar sustentação, estabilidade e equilíbrio para concorrer com as outras plantas "um lugar ao sol".

Sobrevoando a amazônia, vemos que a floresta tem as árvores todas mais ou menos na mesma altura e todas estão disputando um pouco dos raios solares.

Embora as árvores tenham mais ou menos a mesma altura, uma em especial chama a atenção. É a castanheira que ultrapassa a altura das demais árvores e vai buscar a luz do sol lá no alto:

Obviamente, para conseguir ficar de pé, sem cair, esta enorme estrutura precisa de uma "fundação", de uma base, de um alicerce que prenda a árvore firmemente no solo, aguentando as violentas tempestades tropicais que ocorrem por lá. No foto acima, a castanheira parece uma árvore de porte médio, mas veja a grossura do tronco desta mesma castanheira quando vista do chão:

As fotos foram tiradas dentro da Reserva Indígena Mãe Maria, perto da cidade de Marabá .

O TAMANHO, A FORMA E A PROFUNDIDADE DAS RAÍZES

Em geral, a forma e a profundidades das raízes é uma imagem espectral (como se fosse um espelho)  da própria árvore. Árvores compridas e altas têm raízes igualmente compridas e espectralmente profundas. Veja uma radiografia de um cipreste romano:

Algumas espécies de árvore, talvez pela excessiva dependência da água e pelo fato que nos lugares em que ela encontra codições favoráveis ao seu desenvolvimento as águas sejam dispostas em diversos níveis devido à formação geológica, acabam por incorporar na sua estrutura a mesma estrutura de disposição das águas no subsolo:

Os desenhos estão em cores exageradas para efeito didático.

Nos desertos africanos, o calor evapora toda umidade por vários metros de solo. Então não há desenvolvimento de raízes nos primeiros metros de areia. Além disso, devido à inconstância das chuvas, o tronco serve como reservatório e guarda uma grande quantidade de água prevendo períodos longos sem chuva:

Na amazônia, o excesso de água no solo, não permite que as raízes se aprofundem muito. As raízes precisam respirar. Então, para não morrerem afogadas, as raízes se desenvolvem lateralmente. Encontramos as famosas raízes tabulares das samaumeiras que têm a forma de táboas para dar a estabilidade lateral que as árvores precisam para não tombarem:

Não descobri ainda se um problema no solo que causa um certo desenvolvimento das raízes acaba refletindo na copa ou se algum problema na copa (ação de ventos, por exemplo) dá uma certa forna na copa que acaba refletindo no desenvolvimento das raízes para garantir a estabilidade da árvore:

Nas cidades, devido à existência de prédios altos, as árvores não têm condições de se desenvolverem de forma simétrica. Elas são obrigadas a se desenvolverem meio tortas, meio que tombadas para o lado da rua. Obviamente, as raízes seguem a forma da copa para dar a estabilidade lateral para que a árvore consega ficar de pé, sem tombar.

Mas, além dos prédios que "atrapalham" o desenvolvimento natural da árvore, a rua é pavimentada com um produto impermeável, um produto que não deixa passar a água. Caso a rua não fosse impermeabilizada, a água da chuva poderia penetrar no solo livremente, formando um fluxo saudável de água que iria irrigar as raízes:

MAS, não é o que encotramos nas vias urbanas onde se usa o asfalto para o revestimento do leito carroçável. Então, o solo sob a rua fica sem água ou com pouca água, numa quantidade insuficiente para promover o pleno desenvolvimento das raízes. Sem água suficiente para saciar a sede, então as raízes morrem.

Para completar, as calçadas são também impermeabilizadas e não deixam a água penetrar no solo. A água disponível para o desenvolvimento das raízes á apenas aquela que consegue passar pelo pouco espaço permeável que "deixaram" ao redor do tronco:

Praticamente, toda a água da chuva é obrigada a fluir pela superfície das ruas, arrastando pessoas e carros:

Como consequência desse pouco espaço que "deixam" para a penetração da água da chuva, as raízes ficam estranguladas, a parte que não recebe água vai morrendo e, com menos água disponível, a árvore fica meio seca e as pragas como os cupins encontram madeira seca boa para comer:

COMO DEVERIA SER: COMO COSTUMA SER:

Para agravar ainda mais a situação da árvore, o próprio morador vai colocar cimento acabando de completar a angústia da árvore, sufocando-a completamente.

Sem raízes para mantê-la em pé, a árvore tomba.

Quando chega nesse ponto, nem precisa de ventania para a árvore tombar:

 

SUGESTÃO:

Uma solução para resolver esta questão da Saúde da Árvore seria ter uma Lei que obrigasse a ter, em volta da árvore, uma área Permeável com um diâmetro mínimo proporcional ao Diâmetro da Copa da árvore adulta.

Na área permeável, o revestimento (seja calçada ou leito carroçável) teria que ser do tipo "permeável" permitindo a passagem de pelo menos 80% da água.

A sarjeta, no trecho compreendido da Área Permeável, seria também do tipo "permeável".

Além da Área Permeável, deveria ter uma Área de Grelha que permita a passagem de 100% da água.

Veja como seria, em detalhes técnicos, os componentes em torno de uma árvore:

Observe que por baixo da Sarjeta Permeável é instalada uma Caixa de Drenagem e, ligada a ela, Tubos de Irrigação (tubos de drenagem ao contrário) que conduz as águas recolhidas da sarjeta para infiltração no solo. Desse modo se garante a irrigação das raízes em toda a largura da Copa da árvore mesmo que a rua seja pavimentada com asfalto comum que é impermeável.

REDE AÉREA DE SERVIÇOS PÚBLICOS:

As redes aéreas de serviços públicos como distribuição de eletricidade, telefonia, TV a cabo, iluminação pública e outras costumam impor grandes sacrifícios às árvores, que são podadas de tal forma (quero dizer: de qualquer jeito) que soam, não como poda, mas sim como mutilação. Veja alguns exemplos onde as árvores são impiedosamente mutiladas e nesse ato não são acompanhadas, nem de perto, por algum profissional de botânica ou de biologia:

 

Para acabar que este sacrifício que é imposto às árvores, o município de São Paulo aprovou uma lei em julho de 2005 tornando obrigatória a transferência de toda e qualquer fiação aérea para o subsolo.

Veja a lei n0 14.023 de 8 de julho de 2005 -

Nota: As informações acima, pela finalidade pedagógica do site, podem ser livremente copiadas, distribuidas e impressas. Só não podem ser pirateadas, isto é, copiadas e depois distribuídas como se fossem suas.

ET-12\RMW\trafegando\arvore.htm em 24/01/20114 atualizado em 07/02/2016 .

    RMW-32151-16/12/2018