AS PATOLOGIAS DO  REVESTIMENTO

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A palavra PATOLOGIA tem origem no grego, onde pathos significa doença e logos estudo e é amplamente utilizada nas diversas áreas da ciência. Derivam de PATOLOGIA os termos PATOGENIA que se refere ao problema propriamente dito e PATÓGENO ao agente que produz a patogenia.

O termo é adotado na construção para identificar anomalias construtivas que requerem estudo minucioso de processos que são constituídos por etapas com a participação de diversos agentes em cada etapa (fabricante do bloco de concreto, fornecedor da argamassa de assentamento, a mão de obra, etc.), formando como que uma corrente que, havendo um elo fraco, poderá causar a ruína do revestimento e quando isso acontece se deseja determinar, com certeza demonstrável, a quem cabe a responsabilidade e, consequentemente, o ônus de refazer o serviço que foi executado com falhas e também, conforme o caso, indenizar os danos colaterais causados pelo descolamento ou desplacamento do revestimento que caiu sobre veículos, vizinhos e pessoas. Alguns casos são realmente patológicos havendo patógenos que provocam patogenias enquando que os demais casos são apenas falhas construtivas ou erros de projetos que resultam em danos.

 

Além dos aspectos técnicos envolvidos, previstos e não previstos em normas técnicas, trataremos também das questões legais relativas à responsabilidade civil previstas no Código Civil.

1- Revestimento com Argamassa 2- Revestimento com Cerâmica 3- Revestimento com pedras e vidros 4- A Prova do Azulejista 5- Juntas
  Veja os casos mais comuns de problemas no revestimento cerâmico..
  Para ser contratado como AZULEJISTA, o profissional deve provar a sua aptidão e experiência.
 

O revestimento, tanto de paredes como de pisos, é um componente protetor que pretende oferecer ao substrato (parede ou laje) propriedades para:

- isolar e proteger a parede contra a penetração de água da chuva e da umidade em geral;

- isolar e proteger o ambiente contra a ação do calor, seja do raio do sol ou do meio ambiente;

- isolar e proteger as pessoas contra a ação perturbadora de sons, ruídos e barulhos externos;

- oferecer uma superfície adequada e resistente à umidade e também a frequentes lavagens;

- oferecer um acabamento estético que harmonize com a arquitetura da fachada.

Mesmo quando feito com competência e cuidados o revestimento pode vir a apresentar problemas, logo a pós a conclusão dos trabalhos de revestimento ou mesmo a longo prazo 10~20 anos, requerendo a ação reparadora e, talvez o mais importante, a identificação de "quem vai pagar pelo conserto".

Trataremos as patogenias de forma bem ampla envolvendo os problemas em todos os tipos de revestimentos de paredes e de pisos como:

- Sem revestimento (paredes nuas, concreto aparente);

- Revestimento com argamassa;

- Revestimento com Placas Cerâmicas;

- Revestimento com Placas de Pedras;

- Revestimento com Placas de Vidros.

Por envolver tercnologias de fabricação de materiais e técnicas diferentes para a aplicação do revestimento, cada um dos tipos de revestimento será tratado em partes separadas.


PARTE 3 - PATOLOGIAS DOS REVESTIMENTOS CERÂMICOS


De uma maneira bem genérica, um revestimento cerâmico é constituído por diversas camadas, cada um com funções específicas:

Cada uma dessas camadas é formada por produtos de fabricantes e fornecedores diferentes. Assim, a alvenaria é formada por blocos cerâmicos de determinado fabricante, o chapisco de outro fornecedor, a argamassa de assentamento de outra loja e assim fornecedores e fabricantes diferentes estão envolvidos e a falha de apenas um desses produtos pode resultar na ruína, isto é, no desplacamento do revestimento.

Este site estuda cada uma dessas camadas, separadamente, e apresenta os problemas que cada uma dessas camadas pode causar. Essa abordagem, por camadas, facilita a identificação do responsável por eventual problema que o revestimento venha a apresentar, inclusive suas consequências como danos em aparelhos eletrônicos e perda de móveis e, caso venha a ocorrer um desplacamento do revestimento, você terá elementos objetivos para negociar ou, se for o caso, mover uma ação judicial contra aquele que tenha sido o responsável pela ocorrência do desplacamento.

Ao mesmo tempo, esta abordagem "por camadas" fornece as diretrizes para o construtor se precaver e tomar as providências adequadas capazes de evitar a repetição do problema , seja ele causado por material inadequado ou por mão de obra mal treinada.

DEFINIÇÕES:

Para que todos (empreiteiro, pedreiro, azulejista, fornecedor, lojista, fabricante, advogado, proprietário, arqjuiteto, engenheiro) possam falar a mesma língua, apresentamos definições dos termos utilizados no site.

SUBSTRATO: É a base onde será aplicado o revestimento, podendo ser a alvenaria da parede ou a laje do piso. Dependendo do material que constitui, o substrato pode apresentar alguns problemas como:

TIJOLO DE BARRO MACIÇO: O produto é higroscópico, isto é, atrai umidade e facilita a instalação e o desenvolvimento e microorganismos que produzem a falência do produto causando esfarelamento e a formação de um pó branco que solta quando passamos a mão.

BLOCO DE CONCRETO: Produto industrializado, mas que é difícil encontrar fabricante idôneo que fabrica blocos de dimensões exatas e com superfície adequadamente porosa e capaz de segurar bem o revestimento. Fabricantes de fundo de quintal produzem blocos de dimensões não exatas que irão exigir emboço espesso para compensar a diferença de dimensões entre um bloco e outro. Fabricantes "caprichosos" produzem blocos com face extremamente lisa, o que é muito bom para paredes de bloco aparente mas que dificulta a aderência do emboço. Uma camada de chapisco rolado antes do emboço melhora a aderência porém aumenta o custo.

BLOCO CERÂMICO: Produto industrializado, bom por ser mais leve que o bloco de concreto porém existe a questão da queima que não sendo bem feita resulta em produto de alta expansibilidade e sensível com a variação da umidade do meio ambiente podem causar o desplacamento inteiro do revestimento. Também é difícil o controle das dimensões no forno podendo resultar variação significativa nas dimensões, blocos de tamanhos diferentes no mesmo lote, exigindo emboço espesso para compensar a variação.

CONCRETO PRÉ-FABRICADO: Tanto em paredes como em pisos, o pré-moldado tem um controle tecnológico mais refinado resultando peças esbeltas e mais resistentes. As formas empregadas na fábrica são metálicas e produzem superfícies bem lisas o que dificulta a aderência do emboço ou do contrapiso. Alguns fabricantes utilizam líquido desmoldante para facilitar a desforma mas esta película pode dificultar a aderência do revestimento. Talvez a superfície necessite de tratamento como lavagem, raspagem ou lixamento.

CONCRETO MOLDADO IN-LOCO: Paredes, pilares e lajes moldadas no local podem apresentar falhas de concretagem com bicheiras que precisam ser tratadas antes de receber o revestimento. O uso de forma de madeira produz superfície com certa rugosidade o que facilita a aderência do emboço ou do contrapiso. Alguns aplicam um líquido desmoldante na superfície da forma o que pode dificultar a aderência do revestimento.

CHAPISCO: É a camada de compatibilização entre o substrato e o emboço. A compatibilização é necessária e importante pois pode haver dificuldade na aderência do emboço à alvenaria. A importância do chaisco se nota nos substratos mistos como paredes que têm partes em blocos cerâmicos e partes em vigas e pilares de concreto. O chapisco forma uma superfície áspera nas peças lisas como concreto e forma uma película impermeável nas partes cerâmicas e essa "uniformização" fornece melhores condições para a cura ao emboço. Não fosse o chapisco, o emboço perderia água mais rapidamente nas partes de cerâmica, ficando dura e permaneceria mole por mais tempo nas partes de concreto. Isso dificulta o sarrafeamento e o perfeito nivelamento e desempeno do emboço.

Antigamente se aplicava uma argamassa preparada no canteiro misturando-se cimento, areia e água e esta pasta era lançada manualmente com colher. Aguardando a cura resultava em película bem aderante no substrato e suficientemente áspera para segurar o emboço.

O chapisco com argamassa preparada na própria obra apresenta muitos os problemas, começando pelo preparo no canteiro com dosagens variadas e subjetivas passando pela aplicação, cada pedreiro com seu jeito pessoal, resultando em uma camada de fraca aderência. A areia depositada na obra está sujeita a contaminações como a terra movimentada nas fundações, a aplicação é cansativa pois o pedreiro precisa ficar agachando para pegar mais massa, subir em andaimes, etc.

 

Modernamente não se usa mais pasta preparada no canteiro. É mais prático, mais barato e mais seguro usar chapisco pronto, produto tecnologicamente formulado e com polímeros que retém a água necessária para a cura do cimento e aplicado com rolo garante uma uniformidade da película, funcionando bem em paredes e tetos. Este detalhe é especialmente importante na fachada e outros locais sujeitos à incidência dos raios solares que "roubam" a água do chapisco pela evaporação o que resulta numa película de chapisco que esfarela e não segura o emboço. Dias nublados e mais frios e chapiscos aplicados à tardinha favorecem a cura em melhores condições.

 

Como qualquer argamassa ou pasta com base em cimento portland é necessário aguardar o período de cura. Caso seja aplicado o emboço antes da cura do chapisco surgirá uma superfície com fraca aderência.

Dos problemas de desplacamento de revestimento, uma parcela significativa é oriunda do chapisco mal curado. Portanto, vamos aguardar a cura do chapisco por pelo menos TRÊS DIAS antes de prosseguir com o revestimento.

EMBOÇO e CONTRAPISO: Emboço é a camada de nivelamento que faz a compensação da variação das dimensões dos blocos e diferenças (ou falhas) da prumada. Nem todos os pedreiros são cuidadosos o que pode resultar em blocos inclinados, deslocados ou desalinhados. O emboço tem a função de corrigir todas essas falhas. Não se pode alisar muito a face do emboço pois a passagem da desempenadeira vai criando uma camada lisa e "sem poros" o que vai dificultar a aderência da argamassa de assentamento.

O contrapiso tem a finalidade de corrigir as falhas e irregularidades existentes na laje. Parece  com o emboço pois serve para dar suporte ao revestimento cerâmico mas tem outras funções como dar o caimento para o perfeito escoamento da água, abrigar a impermeabilização no caso de pisos molháveis, abrigar o isolante térmico no caso de lajes expostas ao sol, abrigar o isolante acústico no caso de lajes de apartamentos residenciais e também dar suporte mecânico ao tráfego de pessoas e, alguns casos, de veículos:

Quem dá o caimento correto em pisos molháveis (lavanderia, banheiros, quintais, coberturas expostas) é o contrapiso. Alguns tentam fazer isso com a argamassa de assentamento do revestimento. O contrapiso não deve ser executado com mais que 30 milímetros de espessura para não aparecer fissuras. Caso o local necessite de uma camada mais espessa, então executar em diversas camadas com no máximo 30 mm de espessura cada aguardando a cura de no mínimo 7 dias para cada camada.

Em paredes bastante desprumadas é comum necessitar emboço "mais espesso". Há um erro muito comum, principalmente na mão de obra por empreitada, do pedreiro ter pressa de executar o emboço, mesmo grosso, e para agilizar o trabalho adiciona gesso na argamassa pois isso agiliza o "endurecimento" e facilita o desempenamento. A fiscalização deve ficar bem atenta nos locais onde seja necessário emboço em camadas mais espessas.

Tomar o cuidado também com a espessura mínima de 10 milímetros e garantir a aderência ao substrato aplicando algum produto para isso.

CAIMENTOS MÍNIMOS:

Veja os caimentos mínimos recomendados para cada tipo de ambiente:

AMBIENTE CAIMENTO DE PISO CERÂMICO
Quatos, Salas e outros ambientes "não-molháveis" Em nível ou com caimento máximo de 0,5%
Banheiro, Lavanderia, Cozinha, Garagens, Corredores de Uso Comum e outros ambientes internos molháveis Caimento mínimo de 0,5% em direção do ralo ou porta de saída e máximo de 1,5%
Box de Banheiro e outros ambientes que usa água como peixaria e abatedouros Caimento entre 1,5% e 2,5% em direção do ralo
Piso de terraços externo onde chove mínimo de 1,0%
Piso Externo sobre loaje mínimo de 0,5% (meio porcento)

O contrapiso deve ter juntas de dilatação. Este cuidado é especialmente importante em pisos onde incide os raios solares.

Veja um exemplo numérico de cálculo da variação da abertura da junta de dilatação termica de uma laje com 4 metros de lado engastada nos 4 lados:

Se você esquecer de deixar uma junta para a dilatação a própria natureza vai se encarregar de criar uma junta e neste caso a trinca ser ser inserida em qualquer lugar. Revestimentos finos como granito polido assentado nestas condições terão as placas trincas em locais aleatórios.

Deixar bem clara a posição da junta de dilatação do contrapiso e fazer coincidir com a junta de dilatação da laje. O desenho seguinte mostra que a Junta de Movimentação (cor laranja) e a Junta Estrutural (cor vermelha) são as juntas que, obrigatoriamente, cortam o contrapiso.

Da mesma forma que no emboço, não se pode alisar muito a face do contrapiso pois as muitas passagens da desempenadeira vai criando uma camada lisa e "sem poros" o que vai dificultar a aderência da argamassa de assentamento. Acompanhe de perto o trabalho do pedreiro quando ele estiver executando o contrapiso.

ASSENTAMENTO: A denominação oficial é "Argamassa Colante Industrializada para Assentameno de Placas Cerâmicas" e sua fabricação, ensaio, conservação e aplicação são reguladas pelas seguintes normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas:

NBR-14081 - Argamassa colante industrializada para assentameno de placas cerâmicas - Requisitos;

NBR-14082 - idem - Execução do substrato-padrão e aplicação de argamassa para ensaios;

NBR-14083 - idem - Determinação do tempo em aberto;

NBR-14084 - idem - Determinação da resist~encia de aderência à tração;

NBR-14085 - idem - Determinação do Deslizamento.

NBR-14081: Esta norma define os termos associação à argamassa de assentamento e estabelece os critérios de classaficação.

DEFINIÇÃO:

3.1 argamassa colante industrializada: Produto industrial, no estado seco, composto de cimento Portland, agregados minerais e aditivos químicos, que, quando misturado com água, forma uma massa viscosa, plástica e aderente, empregada no assentamento de placas cerâmicas para revestimento.

CLASSIFICAÇÃO:

3.1.1 argamassa colante industrializada - AC I: Argamassa colante industrializada com características de resistência às solicitações mecânicas e termoigrométricas típicas de revestimentos internos, com exceção daqueles aplicados em saunas, churrasqueiras, estufas e outros revestimentos especiais.

3.1.2 argamassa colante industrializada - AC II: Argamassa colante industrializada com características de adesividade que permitem absorver os esforços existentes em revestimentos de pisos e paredes internos e externos sujeitos a ciclos de variação termoigrométrica e a ação do vento.

3.1.3 argamassa colante industrializada - AC III: Argamassa colante industrializada que apresenta aderência superior em relação às argamassas dos tipos I e II.

A embalagem deve apresentar no rótulo a indicação:

 
AC I AC II  AC III

3.1.4 argamassa colante industrializada - tipo E: Argamassa colante industrializada dos tipos I, II e III, com tempo em aberto estendido.sobre a pasta de argamassa colante, a qual proporcionará, após um período de cura, resistência à tração simples ou direta.

A embalagem deve apresentar no rótulo a indicação:

 
AC I-E AC II-E  AC III-E

3.1.5 tempo em aberto: Maior intervalo de tempo para o qual uma placa cerâmica pode ser assentada sobre a pasta de argamassa colante, a qual proporcionará, após um período de cura, resistência à tração simples ou direta.

AC I AC II AC III AC I-E AC II-E AC III-E
 15 20 20 25 30 30

O tempo aberto é o intervalo entre a aplicação da argamassa até a formação de uma pele que impede a aderência. É o intervalo máximo de tempo, depois de estendidos os cordões, em que as placas ainda podem ser assentadas dentro da resistência de arrancamento estabelecida em norma.

Quando a água é adicionada à argamassa seca, parte da água começa a ser consumida pela própria argamassa para a reação de hidratação do cimento e parte começa a evaporar para o meio ambiente. Em dias quentes a evaporação é mais rápida. Logo que a argamassa é estendida (espalhada) sobre o substrato outra parte é absorvida (chupada) pelo substrato. Ao se assentar a placa cerâmica mais outra parcela de água é absorvida (chupada) pela placa cerâmica.

Estas perdas de água diminuem progressivamente a resistência de aderência do revestimento cerâmico. Convencionou-se que o tempo em aberto é aquele em que a argamassa ainda tem uma resistência de aderência de pelo menos 0,5 MPa. Para manter (segurar) a umidade na argamassa e segurar a evaporação e outras perdas, as argamassas industrializadas possuem polímeros. É o polímero que dá fluidez à argamassa. Por isso, logo que se adiciona água na quantidade indicada pelo fabricante se tem a impressão de "ser pouca". Um pedreiro desavisado vai tratar de adicionar "mais água" além da quantidade recomendada pelo fabricante. Mas não se pode adicionar mais água além da quantidade recomendada pelo fabricante. Durante a mistura (a argamassa deve ser batida como se bate uma massa de bolo) o polímero começa a agir e vai dando, aos poucos, a fluidez necessária para aplicação.

COMO MISTURAR A ARGAMASSA:

Como regra geral, a argamassa industrializada deve ser "batida" em batedores e nunca "misturadas" à mão. Mesmo "batedores" adaptados em furadeira deve ser evitado.

Um bom batedor de argamassa deve ter 2 braços que permita uma segurar firme, controles no próprio braço, velocidade baixa (140 rpm) e arranque suave para não espirrar.

Se possivel, adquira uma batedeira que venha acompanhada de suporte e movimento planetário (62 voltas por minuto). Uma furadeira não serve para bater argamassa pois pelo fato da argamassa ser dura a furadeira dá um tranco que pode machucar o operador e causar ferimentos e LER pois uma argamassa deve ser batida por longo período até ficar totalmente homogênea e sem caroços ou pelotas. A NBR-13753 determina que o tempo de amassamento não pode ser menor que 3 minutos depois que todos os ingredientes forem adicionados no balde.

     

Antigamente assentava-se placas cerâmicas empregando uma argamassa preparada no canteiro com areia e cal. Nesta mistura as perdas são rápidas principalmente para o substrato e para a própria cerâmica. Por isso morava-se o substrato e molhava-se a cerâmica. Normalmente se deixava a cerâmica imersa na água de um dia para outro.

As argamassas industrializadas possuem um aditivo (polímero retentor de água) que evita a evaporação e as outras perdas de água. Por isso NÃO SE DEVE molhar o substrato e nem as placas cerâmicas. As placas cerâmicas devem ser assentadas sobre a argamassa de assentamento do jeito que são retiradas da embalagens.

Passado o tempo em aberto, forma-se uma película meio seca na superfície da argamassa que dificulta a aderência da placa cerâmica.

ATENÇÃO: Não se pode usar o lado denteado da desempenadeira denteada para o espalhamento da argamassa pois os dentes não deixam exercer uma boa pressão da argamassa sobre o substrato. Essa pressão é importante e necessária pois a nata de cimento precisa penetrar nos poros do emboço (caso de paredes) ou nos poros do contrapiso (caso de pisos) para que ocorra uma reação química entre os cimentos formando uma substância chamada de etringita.

Como é hábito, talvez uma preguiça, do azulejista que prefere fazer o espalhamento e formação dos cordões numa única puxada o resultado é uma superfície de aderência fraca e o desplacamento entre a argamassa de assentamento e o emboço, ou contrapiso é uma das grandes causas de desplacamento de revestimentos. Ele está mais preocupado em "colar" o azulejo na argamassa e não em "colar" a argamassa de assentamento no emboço.

O espalhamento DEVE SER FEITO pelo lado liso da desempenadeira, apertando-se bem a argamassa. Ao apertar bem, a argamassa penetra nos poros do emboço e na reação de hidratação do cimento ocorre uma reação química que forma uma substância chamada ETRINGITA que funciona como uma cola e gruda a argamassa firmemente no emboço. Espalhar a argamassa POR TODA a área que vai ficar sob a placa cerâmica.

 

Feito isso, passar de leve o lado denteado da desempenadeira para a formação dos filetes.

As normas  NBR-13753, NBR-13754 e NBR-13755 admitem 3 tipos de desemperadeiras denteadas, ou seja:

        

e a escolha entre uma e outra é feita em função das dimensões da placa que se pretende assentar:

Área da Placa Cerâmica TIPO DA DESEMPENADEIRA
< 400 cm2 Dentes Quadrados 6x6x6
entre 400 e 900 cm2 Dentes Quadrados 8x8x8
> 900 cm2 Dentes semicirculares R=10 mm e E= 3 mm.

para facilitar, segue tabela com as áreas das placas mais comuns:

CERÂMICA ÁREA DESEMPENADEIRA
2xx2 4 cm2 6mm
5x5 25 cm2
1010 100 cm2
10x15 150 cm2
15x15 225 cm2
15x29 300 cm2
20x20 400 cm2
20x25 500 cm2 8mm
20x30 600 cm2
25x25 625 cm2
25x30 750 cm2
30x30 900 cm2
25x40 1.000 cm2 SC
30x40 1.200 cm2

ESCLARECIMENTO:

As normas admitem, item 5.7.7.1-b, o emprego da desempenadeira de 8 mm em placas com mais de 900 cm2 mas com aplicação de argamassa também no TARDOZ (costas) da placa cerâmica. Recomendamos não usar esta alternativa pois a aplicação de argamassa no tardoz é operação complicada nas condições do canteiro e o que vemos é o pedreiro segurando a placa com uma das mãos e aplicando a argamassa com a outra mão e a camada resultante, nestas condições de equilíbrio, é uma camada que não é uniforme e de espessura não controlada e ao se colocar a placa sobre a argamassa já espalhada no piso forma uma grossa camada de argamassas de assentamento cuja espessura é de difícil controle. O correto, nas placas com superfície maior que 900 cm2, é o emprego da desempenadeira semicircular e não aplicar argamassa no tardoz.

Com os cordões formados corretamente, dá-se início à contagem do Tempo em Aberto. A norma NBR-14083 especifica os procedimentos laboratoriais para a determinação do temo em aberto. Tempo em Aberto é o intervalo de tempo que começa logo que a argamassa foi espalhada e os cordões formados até que a temperatura e o vento, evaporando a água da superfície da argamassa, tire o poder de aderência superficial da argamassa.

Para saber como é calculado ou determinado o tempo em aberto, consulte a norma NBR-14083 - Argamassa colante industrializada para asssentamento de placas cerâmica - Ensaio para Determinação do tempo em aberto.

Depois de calculado conforme a norma acima, o tempo em aberto é especificado pelo fabricante na própria embalagem mas a norma determina o tempo mínimo, que são:

TIPO DE ARGAMASSA TEMPO EM ABERTO MÍNIMO
(minutos)
AC I 15
AC II 20
AC III 20
AC I-E 25
AC II-E 30
AC III-E 30

Naturalmente, os fabricantes procuram dotar suas argamassas com tempo em aberto maiores que os da norma pois este fator decide a escolha de uma marca na hora da compra pois tempo em aberto maiores proporciam maior produtividade.

O Tempo em Aberto deve ser rigorosamente controlado e quando for ultrapassado, a argamassa deve ser removida, voltando para a caixa. Um teste fácil é o Teste do Toque:

USO DE VENTOSAS: Um detalhe muito importante mas que é negligenciado por muitos profissionais é o emprego de um instrumento que permite o manuseio das placas cerâmicas com segurança e com ergonomia contribuindo com a saúde que é a ventosa. Instrumento relativamente barato e que facilita não só o transporte mas principalmente o assentamento e a aplicação do movimento de vai-e-vem pois a permite um segurar firme e seguro:

   

Não se deve remover partes da argamassa junto às placas já aplicadas, como é hábito de alguns mal aplicadores. Isso cria um vazio que não será preenchido.

Aplicar a desempenadeira denteada somente numa única direção, evitando espalhamento em direções diversas pois isso vai dificultar a aderência da placa.

 

Não se assenta placa cerâmica batendo a placa com martelo. Isso dificulta a adesão da placa na argamassa. Cada batida que é dada reverbera no lado oposto produzindo um movimento vibratório ao contrário, isto é, de levantamento (efeito gangorra) o que produz uma pressão negativa na argamassa de assentamento.

O ato de bater introduz um componente vertical que apenas aperta os filetes que tendem a ficarem abaulados (meio gordinhos) e aprisionam o ar impedindo a aderência total da placa cerâmica.

A forma correta de assentar a placa é a seguinte:

 

Não custa nada lembrar as formas usuais, porém erradas, de assentamento de placas cerâmicas:

 

USO DE NIVELADORES PLÁSTICOS:

Não é recomendável o uso de niveladores plásticos. Trata-se de um procedimento muito prático e facilita a vida do aplicador apressado mas que pode introduzir vazios sob a placa cerâmica, pontos fracos que no futuro poderá causar trincas.

Quando a cunha do nivelador é introduzido e apertado, o nivelador puxa a placa mais baixa para cima criando um vazio debaixo da placa. Por cima o serviço fica muito bonito mas por baixo o serviço fica muito feio e no futuro trará problemas. O tamanho do estrago é diretamente proporcional ao tamanho da placa.

 

 Resumidamente são os seguintes:

1 - Estender a argamassa preparada conforme NBR-14082 na direção longitudinal sobre o substrato-padrão.

 

2 -

PROVA DE ASSENTAMENTO:

Pedreiros e azulejistas candidatos a Assentadores de Cerâmica DEVEM ser submetidos à Prova de Assentamento. A cada um é destinado um espaço numa Parede ou Piso onde será feita a Prova. A cada candidato será entregue:

1 - 2 litros de argamassa industrializada que é retirada de saco à vista do candidato. O saco deve permanecer no local para que o candidato leia as instruções. Se o candidato não se der ao trabalho de ler as instruções na embalagem de onde foi retirada a argamassa, então ele já perde ponto. Mesmo que a embalagem seja "sempre a mesma" e "velha conhecida" é sempre saudável consultar as recomendações impressas na embalagem pois os fabricantes costumam melhorar o desempenho de seus produtos e podem alterar, sem prévio aviso, dados importantes como o percentual de água;

2 - 1 litro de água limpa que o candidato irá misturar a seu gosto. Verificar se o candidato mede a quantidade de água de acordo com a recomendação do fabricante, estampada na embalagem;

3 - Oferecer ao candidato a betedeira de argamassa. Talvez o candidato ache "muita frescura" e até dirá que vai pela experiência dele batendo na mão. Lembre-se que as argamassas industrializadas são produtos resultante de avançadas pesquisas e não se admite subjetividades no seu preparo e aplicação;

4 - Verificar se o candidato "espera" o tempo de repouso da argamassa, recomendado pelo fabricante;

5 - Dar a ele uma colher, uma desempenadeira e um martelo de borracha;

6 - Verificar como o candidato faz o espalhamento da argamassa. Ele deve usar o lado liso da desempenadeira denteada, fazendo boa pressão para que a argamassa fique bem aderente ao substrato;

7 - Verificar se o candidato tomou o cuidado de espalhar a argamassa por toda a área onde serão assentados os 4 azulejos;

8 - Verificar se o candidato formou os filetes adequadamente. A direção dos filetes DEVE SER na horizontal ou na vetical e os filetes devem ficar paralelos e sem interrupção. O candidato deve escolher a direção, vertical ou horizontal, em função da facilidade que ele vai ter de fazer movimentos de vai-e-vem para assentar a placa cerâmica;

9 - Verificar se o candidato tomou o cuidado de examiar o tardoz, ver se a placa está úmida ou empoeirada;

9 - Verificar se o candidato assentou os azulelos fazendo pequenos movimentos de vai-e-vem na direção perpendicular à direção dos filetes. Se ele usou o mertelo de borracha será eliminado. O movimento de vai-e-vem não deve ser maior que o tamanho dos filetes;

 

3.1.6 resistência de aderência à tração: Resistência à ruptura por tração, em determinada idade e condições de cura do conjunto constituído por substrato-padrão, argamassa colante endurecida e placa cerâmica.

3.1.7 substrato-padrão: Placa de concreto armado com determinada composição, dimensões, absorção e resistência, destinada a servir como base, ou suporte, nos ensaios de argamassa colante industrializadas.

3.1.8 deslizamento: Deslocamento vertical sofrido por uma placa cerâmica, sob ação de seu próprio peso, aplicada sobre argamassa colante ainda fresca.

3.1.9 densidade de massa aparente: Relação entre a massa de determinada quantidade de argamassa colante no estado seco e solto e o seu volume.

CONTROLE DA QUALIDADE DA ARGAMASSA DE ASSENTAMENTO:

Tratando-se de produto resultante de avançado desenvolvimento técnológico recomenda-se, para garantia de longa duração, o controle rigoroso dos diversos tempos que a argamassa precisa para atingir a cura máxima.

Recomendados elaborar e imprimir uma planilha para registro dos vários tempos de execução, além do tipo de argamassa e local de aplicação:

CONTROLE DA ARGAMASSA DE REVESTIMENTO
Local: Data:
TIPO DE ARGAMASSA (marcar com um X):     AC I,     AC II,     AC III,     AC I-E,     AC II-E,     AC III-E.
Fabricante: Prazo de Validade:    
CRONÔMETRO TEMPO PELA NORMA PELO FABRICANTE NA PRÁTICA
TEMPO DE VALIDADE: Começa a contar a partir
do término do amassamento
2,5 horas
Em todo esse período é proibido
qualquer adição de água.
Esgotada a quantidade da caixa,
anotar o tempo decorrido
   
TEMPO DE MATURAÇÃO: Começa a contar a partir
do término do amassamento. A argamassa deve
permanecer em caixa tampada com um pano úmido
15 minutos    
TEMPO EM ABERTO: Começa a contar a partir
da formação dos cordões - Área 1
15, 20, 25 ou 30 no mínimo - ver recomentação
o fabricante impresso na embalagem
   
TEMPO EM ABERTO: Começa a contar a partir
da formação dos cordões - Área 2
15, 20, 25 ou 30 no mínimo - ver recomentação
do fabricante impresso na embalagem
   
TEMPO EM ABERTO: Começa a contar a partir
da formação dos cordões - Área 3
15, 20, 25 ou 30 no mínimo - ver recomentação
do fabricante impresso na embalagem
   
TEMPO EM ABERTO: Começa a contar a partir
da formação dos cordões - Área 4
15, 20, 25 ou 30 no mínimo - ver recomentação
do fabricante impresso na embalagem
   
TEMPO DE ESPERA PARA REJUNTAMENTO:
Começa a contagem a partir do término do assentamento.
Nesse período ocorre a cura da argamassa que é sempre
acompanhada de retração. O rejunte só deve ser
aplicado após esse período
Mínimo de 3 dias    
TEMPO DE SECAGEM: Começa a contar
a partir do término do rejuntamento e antes
da Limpeza. Essa limpeza é feita com
esponja macia umedecida e deve retirar todo
vestígio de argamassa. Em azulejo bisotado passar
uma cunha de madeira
15 a 30 minutos    
TEMPO COBERTO: Manter o piso coberto
com sacos úmidos. Nesse tempo desenvolve a
cura da argamassa. Qualquer movimentação e
mesmo trepidações oriundas do tráfego de veículos
na rua afeta a cura
mínimo de 3 dias e sem
nenhum tipo de tráfego
   
LIBRAÇÃO PARA TRÁFEGO DE PESSOAS:
Começa a contar a partir do término do
rejuntamento. Nesse período não pode haver
tráfego de pessoas
mínimo de 7 dias    
LIBERAÇÃO PARA LIMPEZA FINAL:
Começa a contar a partir do término do
rejuntamento. Feita a Limpeza Final o piso pode
ser liberado para o tráfego de pessoas e de veículos.
Mínimo de 2 semanas    

Em todo esse período a maior preocupação é com o efeito gangorra, isto é, pisar ou aplicar carga em apenas um dos lados da placa cerâmica. Se for absolutamente necessário trafegar pelo piso, colocar uma tábua larga para evitar o efeito gangorra. Se o piso estiver no Tempo Coberto, além da tábua larga, pode ser aplicado gesso sobre camada de sacos de aninhagem.

Muito cuidado com os aplicadores pois, na internet encontramos muitos vídeos com pedreiros que pisam na placa logo após o assentamento - Isso deve ser terminantemente proibido - Planejar a sequência de assentamento (onde começa e onde termina) de tal forma que não haja necessidade de trafegar pisando em placa recém assentada.

CERÂMICA: 

NBR-13818 -

ABSORÇÃO DE ÁGUA:

A caraccterística mais relevante para os leigos talvez seja a estampa (desenho) e as cores de azulejos e pisos mas para aqueles que se preocupam com problemas como desplacamento a propriedade mais importante é a Asborção de Água.

Vocês se lembram da história da talha, também conhecida como moringa. Ela é feita de barro bem poroso pois a água de dentro da moringa, passando pelos poros da cerâmica evapora ao chegar no lado externo e ao evaporar "rouba" calor da moringa refrescando a água nela contida. No interior diziam que a moringa está suando, quando se formam aquelas pequenas gotas na superfície externa. O folclore diz que se a primeira pessoa a tomar a água da moringa nova for uma mulher a água da moringa vai ficar a vida toda com gosto de barro.

De acordo com o grau de absorção de água, a cerâmica recebe uma classificação:

GRUPO CÓDIGO % de Absorção de Água
GRUPO I Ia 0 < abs 0,5
Ib 0,5 < abs 3,0
GRUPO II IIa 3,0 < abs 6,0
IIb 6,0 < abs 10,0
GRUPO III III abs acima de 10,0

Grupos de Absorção de Água em função do método de fabricação:

ABSORÇÃO DE ÁGUA MÉTODO DE FABRICAÇÃO
(%) EXTRUDADO (A) PRENSADO (B) OUTROS (C)
abs ≤ 0,5 AI BIa CI
0,5 < abs ≤ 3,0 BIb
3,0 < abs ≤ 6,0 AIIa BIIa CIIa
6,0 < abs ≤ 10,0 AIIb BIIb CIIb
abs > 10,0 AIII BIII CIII

RESISTÊNCIAS DA PLACA CERÂMICA:

RESISTÊNCIA À RUPTURA:

Carga de Compressão

Carga de Flexão

RESISTÊNCIA A IMPACTOS:

Carga representada por objetos e peças duras que caem em cozinhas (panela de pressão), oficinas (martelo, etc.)

RESISTÊNCIA À ABRASÃO:

Desgaste superficial devido à passagem intensa de pedestres como em hall de entrada de prédios comerciais, piso de bancadas de trabalho em oficinas, pés de cadeira em escritórios.

RESISTÊNCIA AO RISCO:

RESISTÊNCIA AO GRETAMENTO:

RESISTÊNCIA AO MANCHAMENTO:

RESISTÊNCIA À PICHAÇÕES:

RESISTÊNIA AO ATAQUE QUÍMICO:

RESISTÊNCIA AO ESCORREGAMENTO:

Coeficiente de Atrito (a seco e úmido) em áreas úmidas ou molhadas como lavanderias, banheiros, indústrias.

NÃO MOLHAR A PLACA CERÂMICA:

Há um costume generalizado e antigo de se deixar a placa cerâmica de molho de um dia para outro. Trata-se de um costume antigo, bem tradicional, justificado pelo fato da cerâmica ser higroscópica, isto é, ter sede de água, e chupar a água da argamassa de cal ou de cimento e, com menos água na argamassa, o cimento ou a cal tinha dificultadade de completar a hidratação do cimento ou a carbonatação da cal resultando numa argamassa fraca e de baixa aderência.

A argamassa de assentamento industrializada contém um polímero que bloqueia a saída da água, retendo toda a água para a reação necessária durante a cura da argamassa de modo que, independentemente do fato da cerâmica ser pouco absorvente ou muito absormente, estar bem queimada ou mal queimada, a quantidade de água que colocamos na argamassa é sempre a mesma e determinada pelo fabricante e impressa na embalagem.

 

 

REJUNTE: 

JUNTAS:  São espaços necessários e que desempenham funções específicas. Podem ser:

Junta de Assentamento:

É o espaço existente entre duas placas cerâmicas adjacentes. As juntas entre peças são muito importantes, pois absorvem parte das deformações do revestimento cerâmico, permitem que as diferenças dimensionais entre peças ou placas sejam compensadas e facilitam eventuais trocas de placas cerâmicas, evitando que outras sejam danificadas. A determinação da largura das juntas deve ser feita conforme recomendação do fabricante ou necessidade estética ou outro fator.

Serve para:

a) Compensar variações das dimensões das placas. Como são queimadas em fornos, podem apresentar dimensões ligeiramente diferentes;

b) Compensar variações das dimensões das placas devido à variação da umidade do meio ambiente ou local molhável. Não havendo junta com dimensão suficiente ou material do rejunte muito rígido ocorrem desplacamento com levantamento e até saltos; 

c) Efeito estético;

d) Acomodar movimentações da base;

e) Facilitar a (eventual) substituição da placa.

Junta de Movimentação:

É o espaço entre as divisões da superfície revestida com placas cerâmicas. Sua função é permitir o alívio de tensões originadas pela movimentação da base (emboço ou contrapiso) onde é aplicado o revestimento ou pela própria expansão das placas cerâmicas.

Piso

Área interna: a cada 32 m2 ou quando uma das dimensões for maior que 8 m.

Área externa: a cada 20 m2 ou quando uma das dimensões for maior que 4 m.

 Parede

Área interna: a cada 32 m2 ou quando uma das dimensões for maior que 8 m.

Área externa: a cada 3 m na horizontal e a cada 6 m na vertical, no máximo.

Junta de Dessolidarização: 

É o espaço entre as divisões do revestimento para aliviar tensões provocadas pela movimentação da base ou do próprio revestimento, localizadas nas mudanças de planos (quinas de paredes, tanto internas quanto externas, perímetro das áreas revestidas e linhas de mudança de materiais do piso.

Junta Estrutural: 

É o espaço entre estruturas. A função é aliviar tensões provocadas pelo movimento de dilatação/retração do concreto principalmente pela variação da temperatura. Existe em lajes de grandes dimensões.  

 

Veja outros problemas que podem afetar a impermeabilidade de componentes enterrados como piscinas, caixas d'água, caixa de gordura, cisternas em .


RESPONSABILIDADE CIVIL


A engenharia é prática. Após a ocorrência de um problema envolvendo o revestimento, a engenharia preocupa-se em determinar as atividades corretivas, isto é, aquelas atividades que irão restabelecer o estado inicial previsto no projeto onde o revestimento existe para desempenhar determinadas funções práticas. Obviamente, nos casos em que, à época da construção, "todos os cuidados foram tomados" de modo que o revestimento deveria durar anos e anos mas mesmo assim o problema se manifestou, se fará necessária uma investigação técnica, conhecida como perícia, para a descoberta da causa, ou das causas, que provocou ou contribuíram para a ocorrência. Nessa ação investigativa, a preocupação dos técnicos envolvidos se centra na busca do fenômeno ou de um fenômeno novo desconhecido. Um exemplo disso foi a queda do Edifício Areia Branca em Recife que desabou depois de quase 30 anos de "bons serviços" mas que veio a desabar por causa de um fenômeno até então desconhecido e que veio a se chamar Reação Álcali-Agragado.

São casos raros pois a ciência da construção se encontra bastante avançada na atualidade e já se conhece quase todos os fenômenos que fazem parte de um edifício.

Para estabelecer os limites e os cuidados necessários para a fabricação, transporte, armazenamento, aplicação e manutenção dos materiais empregados na construção o CB-2, um dos comitês brasileiros de normatização da Associação Brasileira de Normas Técnicas desenvolve atividades de atualização, discussão e elaboração de normas técnicas que, depois de aprovadas Por Consenso, são publicadas (tornadas públicas) e possuem valor legal, devendo ser seguidas em todas as obras em todo o território nacional.

Além das questões essencialmente técnicas, a execução de obras envolve outras questões como o direito civil onde pessoas diretamente relacionadas à obra e também pessoas sem nenhum vínculo com ela podem vir a serem prejudicadas por algum ato praticado na obra pela simples existência da mesma.

Veja algumas leis e decretos que protegem as pessoas que venham a ser ou venham a sentir prejudicadas em função de uma obra de construção.

A Lei Federal No 10.406, DE 10 DE JANEIRO DE 2002 conhecida como Código Civil determina, em seu artigo 186, que:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.

O DECRETO-LEI Nº 3.688, DE 3 DE OUTUBRO DE 1941 conhecido como Lei das Contravenções Penais, determina que comete contravenção penal aquele que:

Art. 29. Provocar o desabamento de construção ou, por erro no projeto ou na execução, dar-lhe causa.

Art. 30. Omitir alguem a providência reclamada pelo Estado ruinoso de construção que lhe pertence ou cuja conservação lhe incumbe

A Lei Federal Nº 8.078, DE 11 DE SETEMBRO DE 1990 conhecida como Código de Defesa do Consumidor determina, em seu artigo 18 que:

Art. 18: “os fornecedores de produtos de consumo duráveis ou não duráveis respondem solidariamente pelos vícios de qualidade ou quantidade que os tornem impróprios ou inadequados ao consumo a que se destinam ou lhes diminuam o valor, assim como por aqueles decorrentes da disparidade, com as indicações constantes do recipiente, da embalagem, rotulagem ou mensagem publicitária, respeita das às variações decorrentes de sua natureza, podendo o consumidor exigir a substituição das partes viciadas”. Estabelece prazo de garantia de 90 dias para defeitos aparentes de fácil constatação e de 5 anos com relação à solidez e segurança da edificação. Uma vez constatado, o vício deve ser sanado no prazo máximo de 30 dias.

Interessante é que o direito de quem contrata um serviço de construção faz parte de uma das mais antigas legislações do mundo, previsto até no Código de Haburabi escrito em pedra no ano 1700 AC, e que determina:

Artigo 229- Se um construtor construir uma casa para outrem, e não a fizer bem feita, e se a casa cair e matar seu dono, então o construtor deverá ser condenado à morte.

Como curiosidade, veja mais detalhes sobre o Código de Hamurabi em .

Como se vê, uma pessoa que se vê prejudicada por um desplacamento de um revestimento, seja de parede, de piso ou de teto, tem direitos à indenização dos danos causados pelo problema, não só dos prejuízos para refazer o revestimento afetado como também dos danos colaterais causados por ele, como a necessidade de sair da casa e ir morar num hotel durante o perído de conserto.

Como a questão envolve aspectos técnicos de engenharia, o prejudicado deve providenciar um Laudo Pericial que deverá ser elaborado por um Profissional Habilitado. No Brasil, duas entidades habilitam profissionais para o exercício de questões relacionadas com a construção. São o Conselho Regional de Arquitetura e o Conselho Regional de Engenharia.

O laudo deve ser elaborado em conformidade com a norma brasileira NBR-13.752 e o profissional deve efetuar o registro da sua responsabilidade técnica por meio do documento RRT ou ART de emissão exclusiva dos conselhos correspondentes, Arquitetura ou Engenharia. Um laudo que não esteja de conformidade com as posturas estabelecidas na NBR-13.752 não tem validade legal. Uma laudo que seja assinado por um profissional que não seja habilitado não tem validade legal. Um laudo que seja assinado por um profissional que embora habilitado não tenha feito o devido registro no conselho correspondente também não terá validade legal. Então tome cuidado pois um papel qualquer que mesmo com a assinatura de um "engenheiro" não é aceito pela Justiça.

É comum a gente assistir pessoas que representam empresas, entidades e órgãos públicos fazerem declarações sobre problemas em obras mas se tais pessoas não forem habilitadas e não tiverem feito o registro da responsabilidade então estarão fazendo o exercício ilegal da profissão e podem ser enquadradas por Falsidade Ideológica. Já vi miutos advogados se alvoroçando de "entendidos" falarem um monte de besteiras, caso em que a outra parte, conhecendo o assunto, derruba com muita facilidade os falsos argumentos.

Por último, uma recomendação sobre iniciativas muito comuns quando ocorre um problema numa obra, construção ou edifício:

Não adianta ir reclamar na Prefeitura pois não é atribuição da Prefeitura embargar obras só por que a obra prejudicou ou está te prejudicando - A Prefeitura (Poder Executivo) só vai verificar se a obra tem Alvará de Construção - Se não tem, então a Prefeitura vai embargar a obra, mas se tem Alvará então ela não pode fazer nada por você pois existe Lei Federal de modo que a reclamação deve ser feita no Poder Judiciário.

Não adianta ir reclamar na Defesa Civil pois não é atrbuição da Defesa Civil embargar obras só por que a obra prejudicou ou está te prejudicando - A Defesa Civil só pode interditar a obra ou o prédio se o problema oferecer risco de vida aos moradores ou às pessoas que transitam na rua mas não pode fazer nada se o problema afeta só você.

O certo é procurar o Poder Judiciário, a Justiça com base numa das leis acima apresentadas (Código Civil, Contravenções Penais ou Código de Defesa do Consumidor). Fale com um Profissional de Direito da área cível (Advogado Cível).

 

RMW\patologia\PatRev.htm em 11/10/2018, atualizado em 24/04/2020.

    RMW-1918-01/07/2022