UMA CRÔNICA ...

As Origens de São Paulo

Justificativa Inicial:

Certa vez fui encarregado de organizar uma homenagem à cidade de São Paulo pela passagem do seu aniversário de fundação.

Procurei e encontrei um historiador que havia feito um levantamento inédito sobre os fatos que marcaram aqueles anos que precederam a fundação da cidade em 1554. Encomendei a ele uma palestra. Imaginando que no período de festas de dezembro e das férias de janeiro ocorresse uma diminuição de interesse, acertei a palestra, com o historiador, no decorrer do mês de novembro.

Quando faltava apenas 1 semana para a realização do evento, telefonou-me ele lamentando que, em decorrência de compromissos profissionais, deveria estar na Europa na semana em que ele havia combinado comigo a palestra.

Não havendo tempo hábil para encontrar e convidar um outro palestrante, arregaçamos as mangas e debruçamo-nos sobre os livros da biblioteca e compilamos datas, nome e locais de eventos ralacionados com a fundação da cidade. Felizmente o Tatuapé dispõe de 4 Bibliotecas Públicas, o que facilitou sobremaneira o nosso levantamento.

Descobrimos fatos interessantes. Diversos personagens participaram de fatos históricos pertencentes a eventos distintos e, muitas vezes, um mesmo personagem parece estar presente "ao mesmo tempo" em mais de uma história.

Não contente com a explicação corriqueira que diz que os padres José de Anchieta e Manoel da Nóbrega subiram ao planalto para catequizarem os índios e, ao chegar, fincaram uma cruz no chão e rezaram uma missa, com os dados levantados "costuramos" uma história interessante que passamos a relatar. Obiviamente, sendo nascido e crescido no bairro do Tatuapé, procurei dar realce aos fatos ligados ao bairro, como a expedição que Braz Cubas organizou para explorar o planalto.

1º Ato: A Expedição de Martin Afonso de Souza

Em 1530, o rei de Portugal Don João III achava que já estava na hora de colonizar o Brasil antes que os espanhois ou franceses o fizessem.

Preparou, então, uma expedição COLONIZADORA. Ao contráro do que se possa imaginar, uma expedição Colonizadora não é algo fácil de se organizar. Ela deve ser composta de famílias inteiras que se disponham a abandonar tudo na terrinha e mudar-se para uma terra desconhecida, da qual não se tem relato algum, nem fotos e nem fitas de vídeo.Deve-se juntar às famílias, técnicos, agrônomos e médicos, mais animais como cabra, vaca, porco, galinha e também sementes e mudas de trigo, arroz, uvas, etc. Sem esquecer a muda da couve. A Couve!

Mesmo com a ajuda de muita divulgação feita no rádio, na TV e na INTERNET, essa tarefa consumiu quase 1 ano de preparativos e resultou em mais de 400 pessoas. Ajeitaram tudo em 5 navios e o Rei nomeou o Capitão Martin Afonso de Souza que partiu de Lisboa no dia 03/12/1530 rumo ao Novo Mundo.

A responsabilidade de Afonso era grande. Deveria encontrar um lugar de clima e terra apropriada para que as culturas do trigo e uva pudessem se desenvolver. Pesquisou o clima e solo de Pernambuco, Bahia e Rio de Janeiro, onde permaneceu por 3 meses, achou o clima muito quente, continuou sua pesquisa por vários outros locais, sempre em direção ao sul, e chegou em Cananéia em agosto de 1531, onde permaneceu por 40 dias.

Realizou um Balanço dos locais pesquisados, enviou dezenas de FAX para o seu Rei e concluiu que o melhor lugar seria Bertioga (que em Tupi significa Refúgio das Tainhas). Partiu então com os 5 navios e estacionou-os no Canal de Bertioga no mês de novembro de 1531. Aproveitando o belo dia que fazia, realizou diversas incursões pela região e ficou encantado com o rio São Lourenço. Um dos membros da comitiva, era incorporador em Lisboa, chegou a cogitar na instalação de um Condomínio Fechado em São Lourenço. Acharam tudo muito bonito.

Os índios Tupiniquins e Guaianás, que havitavam a região, não gostaram da presença deles e organizaram-se para expulsá-los sob o comando do cacique Caiubí. Entretanto, face ao grande número de "invasores", resolveram pedir ajuda aos seus primos do planalto.

Nessa época, já vivia por aqui, João Ramalho, um aventureiro que havia chegado muitos anos antes e que morava no planalto de Piratininga (que em Tupi significa Peixe Seco, mas que em português se pronucia Bacalhau). João Ramalho tinha uma boa vida. Era casado com a índia Bartira, filha do cacique Tibiriçá da tribo dos Guaianás.

Prontamente atenderam ao pedido do cacique Caiubí e desceram a Bertioga prontos para a guerra. Lá chegando, João Ramalho descobriu que os "invasores" eram na verdade seus compatriotas da terrinha. Explicado aos índios, todos ficaram amigos e festejaram com muitos comes e bebes. Participou também um outro português de nome Antonio Rodrigues casado com uma das filhas do cacique Piquerobí. (era uma festa!) Dizem que naquela noite foram produzidos os primeiros brasileiros "made in Brazil".

No dia seguinte, já recuperados das ressacas, Afonso explicou a sua missão colonizadora. Os índios entenderam rapidamente e indicaram um outro lugar, próximo dali. Foram todos para lá e juntos começaram a construir a Vila de São Vicente. Isso aconteceu no mês de novembro de 1531.

2º Ato: Braz Cubas procura um outro local

Quando os trabalhos da vila estavam bem adiantados, Martin Afonso mandou rezar uma missa para abençoar as casas que ficaram prontas, o que foi feito no dia 22/01/1532. Os colonos deixaram, então, de pernoitar nos navios. Foi um alívio geral, pois dormir em rede não é, positivamente, algo que se possa classificar como confortável.

Depois da missa, Afonso subiu ao planalto para visitar João Ramalho afim de agradecer a ajuda que ele lhe dera no episódio com os índios em Bertioga. Na qualidade de Capitão Mór, Martin Afonso legitimou para João Ramalho a posse das terras. Terras estas que já pertencia a João Ramalho dadas pelo seu sogro, o cacique Tibiriçá, legítimo dono das terras. Naquela época as coisas funcionavam desse jeito. Era costume distribuir títulos de posse de terras que, muitas vezes, pertenciam a outros. Ainda bem que nos dias de hoje reina o pleno respeito à propriedade privada.

Depois disso, Martin Afonso de Souza deu como encerrada a sua missão colonizadora e voltou para Portugal com os seus 5 navios.

A vila de São Vicente prosperou e seu porto era um sucesso. Desenvolveu-se uma agricultura dinâmica. Dez anos depois, em 1543, o porto de São Vicente já estava assoreado devido à erosão provocada pelo intenso desmatamento (naquela época existia uma coisa conhecida como "Mata Atlântica") e não permitia mais a entrada de navios de grande calado. Naquela época, diferentemente dos dias de hoje, não havia ainda a consciência ecológica e se desmatava para criar áreas de agricultura.

Braz Cubas era amigo de Martin Afonso de Souza, viera com ele na caravana colonizadora e continuou por aqui. Vendo que São Vicente não teria futuro, procurou outro local e fundou em 1543 o povoado de Santos. Diversas entidades como os Rotary, Lions e Maçonaria ajudaram nesse intento, fazendo inúmeras campanhas para angariação de fundos. Obviamente, todas as entidades sugeriram nomes para a nova cidade. Santo Antonio, São Carlos, São João, etc. são exemplos dos nomes sugeridos. A referência aos santos se deve ao fato de todos serem católicos praticantes. Braz Cubas, para não melindrar ninguém deu o nome genérico de "Santos" sem especificar qual o santo que seria homenageado. Naquela época era muito comum decidir-se por interesses e o apoio dos partidos e ONGs era muito importante.

A nova cidade cresceu e properou muito. Já naquela época, o seu porto, era considerado o maior da América latina. Depois disso, muita gente abandonou a Vila de São Vicente. Alguns foram morar na Vila dos Santos e outros mudaram-se para a Vila da Borda do Campo. Só restaram os aposentados que recebiam a visita dos seus filhos nos finais de semana.

3º Ato: Tomé de Souza – Governador Geral

Nessa época, reinava uma grande bagunça (e muita corrupção) nas Capitanias. O sistema adotado de Administrações Regionalizadas, conhecidas como Capitanias, além de serem hereditárias, eram foco de muita corrupção e favorecimento. Havia uma prática muito condenada segurndo a qual era comum um político nomear parentes para cargos no governo sob a desculpa de tratar-se de "cargo de confiança". Essa prática tinha até um nome e segundo nossa pesquisa descobrimos que se usava a palavra "nepotismo" para caracterizar essa prática vergonhosa.

Realizaram, então, o 1O grande plebiscito sobre Sistemas de Governo: Presidencialismo ou Parlamentarismo? O rei Dom João III, criou então o cargo de Governador Geral, um governo Central para botar ordem na bagunça.

O primeiro governador, Tomé de Souza, chegou na Bahia em 1549 e trouxe contigo o padre Manoel da Nóbrega.

Dentre os atos mais significativos de Tomé de Souza, podemos citar o ato que criou em 1553 a Câmara dos Vereadores da Vila dos Santos, a primeira do Brasil. Para vocês verem que a questão das Câmaras Municipais é muito antiga.

4º Ato: A Fundação da Vila de São Paulo

Nessa época, 2 tribos no Planalto estavam em uma guerra acirrada. Uma das tribos eram os Carijós (que significa Com Pintas Brancas). Eles eram briguentos, guerreiros e habitavam a região do Paissandú (que significa Deus Santo).

A outra tribo eram os Tupiniquins (que significa Descendentes dos Tupis). Eram, em geral pacíficos, e habitavam uma região cheia de árvores que davam um fruto muito nutritivo conhecido como Cambucí (que significa Fruta de 2 partes).

Antes que a Anistia Internacional acusassem o Governo de OMISSÃO, o Governador Geral Tomé de Souza convocou o Padre Manoel da Nóbrega que estava em Itanhaém (que significa Pedra que Fala) apaziguando os índios de lá. Nóbrega pede auxílio a André Ramalho (filho de João Ramalho) que falava fluentemente o Tupi e, em JUNHO de 1553, chegam, junto com os índios Guaianás, a uma região muito bonita entre os rios Tamanduateí (que significa Rio de Muitas Voltas) e o rio Anhangabaú (que significa Rio dos Diabos) e lá dá início à Aldeia de Piratininga (que como já vimos significa Bacalhau).

Ao contrário do que se esperava, os índios receberam muito bem os padres. Os padres receberam uma surpresa inusitada: Os índios guerreavam por esporte. Uma espécie de olimpíadas que os brancos copiaram depois. Frustada a expedição, os padres decidiram ficar por aqui para aproveitar o enorme estoque de mantimentos que haviam trazido na expedição que deveria ser "apaziguadora".

Oque vocês fazem por aqui? Nada? Vocês sabem fazer artezanato? Não? Vocês sabem construir móveis? Móveis? Bem, já que os índios não sabem fazer nada, vamos ensiná-los.

Os índios Guaianás ajudaram os padres a construir uma escola. Nessa escola, o primeiro professor foi o Antonio Rodrigues (aquele de Bertioga) que dominava o Tupi-guarani.

Montaram diversos cursos como Secretariado, Desenho Técnico, Torneiro Mecânico e Datilografia. Havia alunos que vinham de muito longe, como aqueles que vinham de São Bernando do Campo especialmente para estudar Eletricidade de Automóveis, pois já se cogitava a instalação de um parque automobilístico naquela região. A escola fez um grande sucesso e, em pouco tempo, começou a faltar professores.

Então, o padre Leonardo Nunes foi incumbido pelo Manoel da Nóbrega de ir à Bahia buscar mais professores. Imagine o sacrifício que era fazer uma viagem de São Paulo a Salvador. Naquela época, a viagem era demorada: Só o trem entre São Paulo e Rio demorava 11 horas! Imagine que absurdo, um trem para cobrir uma distância de 400 km levar todo esse tempo.

No dia 24/12/1553, chegaram a São Paulo, vindo da Bahia, muitos padres, dentre eles o Padre José de Anchieta, aluno de Manoel da Nóbrega no Seminário em Coimbra. Com a ajuda dos índios construíram novas alas e puderam finalmente instalar os novos cursos como Comércio Exterior, Marketing e Informática.

Como a escola atendia a todas as nações indígenas, era conhecida como Serviço Nacional de Ajuda aos Indios – SENAI. Dizem que esta sigla tem hoje outro significado.

No dia 25/01/1554, o Padre Manoel de Paiva, primo de João Ramalho, ajudado pelos padres Manoel da Nóbrega e José de Anchieta, rezou a 1a missa, fundando, desta forma, a Vila de São Paulo de Piratininga. Como já vimos anteriormente, o nome Piratininga era porque os índios não conseguiam entender porque, a despeito de toda abundância de peixe fresco nos rios da região, aqueles cara-pálidas faziam questão de peixe-seco, que em português se pronuncia "bacalhau".

Dizem que esta vila teve um desenvolvimento surpreendente, chegando a ter quase 20 milhões de pessoas. É muito difícil imaginar como seria a vida em uma cidade com quase 20 milhões de pessoas. Deve ser um caos!

5º Ato: Mem de Sá Governa por Decreto

Enquanto isso, a Vila da Borda do Campo (de João Ramalho e dos índios Guaianás) era próspera, ajudado principalmente pelas famílias ricas de São Vicente que haviam se mudado para lá e era uma forte concorrente da Vila de São Paulo de Piratininga. Enquanto que na Vila de São Paulo só haviam índios pobres e miseráveis, na Vila de São Bernardo moravem ricos comerciantes. Isso despertou muita inveja aos padres de São Paulo.

Então, numa grande manobra política, o pessoal da Vila de Piratininga, convenceram Mem de Sá, 3O Governador Geral, a decretar a extinção da Vila. É claro que o Governador FAZ isso. Naquela época era muito comum governar-se por decretos. Extinta a Vila, alguns dos portugues retornaram a São Vicente onde tinham familiares e outros foram para Santos.

Sobraram os índios. Os índios Guaianás foram covardemente perseguidos pelo Exército Militar. Naquela época era comum os militares cometerem violências. Alguns fugiram para o sul indo formar aldeias em Pinheiros, Santo Amaro e Parelheiros.

Outros fugiram para o norte indo formar aldeias em São Miguel, Itaim (pedra pequena) e Taquaquecetuba (que significa bambu fino).

Haviam também padres defensores do Tupis (eles não rezavam na cartilha do padre Manoel da Nóbrega): Eram conhecidos como Padres Tupis (PT). Perseguidos, fundaram uma grande seita e se denominavam "petistas" e junto com os índios formaram núcleos petistas em Santo Amaro e São Miguel Paulista. Parece que existem descendentes deles até os dias de hoje.

A elite dos Guaianás, informados sobre a invasão, (funcinava uma coisa conhecida como Serviço Secreto que através de grampos telefônicos ficavam bisbilhotando a vida alheia) fugiram à noite pelos fundos da cidade onde havia uma estradinha muito precária, de pista simples, sem iluminação e cheia de buracos ligando Suzano a Ribeirão Pires e instalaram-se em várias tribos, próximo a Poá (que significa Mão Aberta). Como eram todos da família dos Guaianás, essa região ficou conhecida como a região dos Guaianazes.

As tribos da região de São Paulo instalaram, então, uma Comissão Parlamentar dos Índios CPI e descobriram que os padres estavam por detrás daquelas invasões. Revoltaram-se com tudo isso e resolveram atacar a Vila de São Paulo de Piratininga. Um grupo foi comandado pelo cacique Piquerobí e o outro foi comandado por Jagoanharô, sobrinho de Piquerobí.

Os padres resolveram proteger-se contra esses ataques e ergueram uma muralha cercando totalmente a vila, deixando apenas uma porta próxima ao rio Tamanduateí, que ficou conhecida como Porto Geral, por onde se trazia os mantimentos, principalmente o peixe-seco, por via fluvial.

Nos conflitos, juntaram-se todas as tribos da região: Carijós, Tupis, Tamoio, Guaianás e os Tupiniquins. Foi uma luta sangrenta e as batalhas duraram até o ano de 1562.

Os defensores da vila saíram vitoriosos. Numa manobra reforçada pelo exército militar, massacram os índios e não deixaram nenhum sobrevivente para contar a história.

6º Ato: Braz Cubas resolve conhecer a sua Sesmaria

Um pouco antes disso, em 1560, Braz Cubas já satisfeito com a fundação de Santos, resolveu subir ao planalto à procura de ouro e de pedras preciosas. Ele havia recebido do Governador Geral uma grande faixa de terras na forma de SESMARIA. O sistema anterior, o de Capitanias, não dera certo, então inventaram o de Sesmarias.

No dia da partida, não puderam subir pela Via Anchieta pois a DERSA (que significa Desenvolvimento Rodoviário) havia implantado a Operação Descida. Isso para facilitar a fuga dos índios que estavam brigando com os padres.

Em solidariedade aos índios, parece que, até os dias de hoje, o pessoal do planalto cultiva o ato da fuga, o que faz com muita seriedade aos domingos (em repúdio aos padres) e vão se refugiar em um lugar conhecido como Guarujá (que significa o refúgio dos barrigudinhos) e ficam bebendo um fermentado à base de cereais (parece que o principal ingrediente é a "cevada") e o tomam bem gelada. Ficam bebendo a tal bebida o dia todo e só voltam a São Paulo quando o finda o dia santo, que é o domingo..

Não podendo subir pela Via Anchieta, resolveram seguir pela trilha dos Guaianás que passa por: Paranapiacaba (que significa Lugar de Onde se Avista o Mar), Rio Grande da Serra, Ribeirão Pires, Mauá, Santo André e São Caetano. Passou também pela Vila Alpina (que em português significa Lugar que Lembra os Alpes). Deu uma descansada na Vila Santa Clara, onde corria um córrego de águas muito claras onde todas as caravanas paravam para um descanso. Esse lugar ficou conhecido como Mo-óca (que significa Casa de Repouso).

Chegando na Vila Oratório, a comitiva avistou uma região paradisíaca, uma espécie de Jardim do Éden e todos caíram de joelhos e fizeram uma oração. Alguns, pensando estar na terra prometida, saíram correndo grintando Moisés! Moisés! Outros acharam que era o Paraíso e malandramente perguntavam: Cadê a Eva? Cadê a Eva?

Era (veja bem: ERA) uma região muito bonita formada por uma grande floresta, muito densa, onde habitavam muitos animais: Antas, Pacas, Capivaras, Cotias e Tatus. O Parque Piquerí e a Mata Paula Souza dão uma idéia da maravilha que era isso daqui.

Havia também um grande vale onde existiam muitas lagoas de Águas Rasas onde se plantava arroz. Perto dali havia um terreno largo onde o arroz era batido para se separar a casca. Ficou conhecido como o Largo do Arroz.

Entre uma lagoa e outra havia matas isoladas (conhecida como Capão) onde havia muitas árvores que davam um cipó que desfiado era tecido para se fazer o saco do arroz, que era exportado para a Europa. A árvore do cipó era conhecida como Embira. Por isso, essa região é conhecida até hoje como o Capão do Embira.

Tudo isso terminava em um Grande e Caudaloso Rio (que em Tupi se pronucia Tietê).

Habitavam também estas terras, 2 tribos de índigenas: Uma era da nação Tupiniquim, não gostavam da mata e habitavam a região conhecida como Catumbi (que significa Na Beira da Mata), onde terminava a floresta.

A outra era a tribo dos Piqueris (da família dos Guaianás) e habitavam a região onde hoje existe o Parque do Piquerí, próximo ao Corinthians. Diferentemente dos demais índios, os Piquerís não eram vulgares e politeístas e não adoravam tudo quanto é tipo de Deus, mas sim um Deus único. Uma divinidade superior. Alguma coisa como "O Deus dos Deuses". Inclusive construíram um enorme santuário próximo da taba, às margens do rio Tietê. Dizem que se encontra vestígios desse santuário até os dias de hoje.

E quando queriam se referir ao seu Deus não falavam, vulgarmente, em Deus dos Deuses mas se referiam a ele como: "O Campeão dos Campeões".

PS: A pesquisa não está encerrada. Estamos buscando o significado de mais alguns nomes indígenas como Turiaçu, Morumbi e Canindé. Parece que estes nomes simbolizam nações muito populosas e muito importantes.

Agradecemos a colaboração do sr. Waldevir Bernardo que enviou em 18/03/2010 preciosa colaboração sobre as origens do bairro Água Rasa e que você poderá saborear no site http://www.boleirosdaaguarasa.com/curiosidades/curiosidades.htm 

Para ver outras palestras do professor Watanabe, clique aqui.

[1181] - ET6/www/roberto/rotary/AsOrigens.htm em 30/05/00, atualizado em 24/03/2010.