PÂNICO PÂNICO EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

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PÂNICO

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O QUE É O PÂNICO:

Pânico é um estado emocional incontrolável, ou difícil de se controlar, onde a pessoa perde o controle sobre o seu próprio corpo passando a agir sob o comando do seu instinto.

A natureza dotou os animais com um sistema de defesa que é acionado pela situação de pânico.

Nesta situação, fala mais alto o instinto animal registrado em seu inconsciente. Muitas das situações de pânico são herdadas de forma hereditária.

O pânico é caracterizado pela produção exagerada de adrenalina que, por sua vez, produz no organismo reações estranhas.

Estado de Pânico
A Rota de Fuga

Dimensões mínimas
de corredores, escadas e portas.
AS BRIGADAS
PLANO DE EMERGÊNCIA
 
DECRETO E INSTRUÇÕES

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tipo de obrigações
ele cria no seu edifício.
   

REAÇÕES INSTINTIVAS:

Comportamento de Bando: O indivíduo corre com os outros, junto com os outros. É o que acontece com animais "pequenos" frente ao predador "grande" como no caso das anchovas que se defendem do ataque do tubarão na forma de um cardume compacto.

Na hora do pânico, a adrenalina toma conta do nosso corpo e não conseguimos pensar. Nossa reação é instintiva e multas pessoas seguem o grupo de forma inconsciente. Exemplo é o estouro da boiada.

Instinto de sobrevivência: Tendo sido vítima de muitas enchentes, alguns grupos "fogem" para locais altos. As formigas e mais alguns animais que fazem ninho no chão como as corujas, promovem mudanças e migrações para locais mais altos na aproximação da temporada de chuvas.

Na hora do pânico, sob a ação da adrenalina, o instinto desse grupo sinaliza "locais altos" e estando num prédio sob incêndio, a pessoa "corre" para o alto mesmo tendo consciência que a fuga segura é para baixo, para fora do prédio.

Instinto de Fuga: Detectado o "foco" do perigo, o animal "foge" para longe do foco. O exemplo típico é o da galinha em fuga que foge sempre para o lado oposto ao do foco. Se o foco é um carro à noite com o foral aceso, a galinha foge "prá frente" e se o carro muda de direção, a galinha muda para a mesma direção e continua na frente do carro.

Na hora do pânico pela ocorrência de um incêndio por exemplo, este grupo "foge" do foco do fogo. Mesmo havendo setas, placas e outros indicadores de saída, é possível que este grupo corra ao contrário para "fugir" do fogo.

Instinto de Fome: Traumatizado, até hoje, pela acirrada disputa por um naco de alimento que nossos antepassados enfrentavam todo dia, o ser sob pânico não "soma" e nem "divide" - apenas "subtrai" e sai correndo para um canto protegido onde pode se acalmar e satisfazer a sua fome.

Na hora do pânico, a enorme "concorrência" pela disputa de corredores, escadarias e portas de saída, este grupo tende a "eliminar" o concorrente, empurrando-o para o lado e passando por cima dele.

Não existe amizade, companheirismo e muito menos solidariedade, por indivíduos deste grupo, tomados pelo pânico.

Depois, tendo atingido um "refúgio" seguro, a razão volta e com ela os sentimentos (humanos) de amizade e de solidariedade. Muitos que "saíram", procuram "voltar" para salvar aqueles que estão tendo dificuldades de sair.

Instinto de Defesa: Não reagir, não provocar, não agredir são atitudes defensivas para aquele grupo de pessoas que viveram longos períodos sob permanente opressão e submissão. Calar-se, resignar-se, abaixar a cabeça, obedecer, ajoelhar são as reações características de uma pessoa em estado de pânico.

Neste grupo, o desmaio é frequente.

CAUSAS DO PÂNICO:

Não é necessário que ocorra um evento catastrófico, ruidoso e de grandes proporções como um incêndio ou uma enchente. Uma situação qualquer mesmo que calma mas que possa produzir estresse nas pessoas pode dessencadear uma situação de pânico.

Numa reunião séria, uma pessoa que tenha aquele tique de ficar apertando o botâo da caneta pode produzir em uma outra pessoa cargas de estresse. É como quando o Chaves (personagem de TV) fica falando e repetindo uma explicação boba e a outra pessoa reage com um sonoro "ora, cale-se, cale-se".

Pessoas que falam sempre em tom de gozação e com  um sorriso irônico nos lábios, causam irritação nas pessoas "sérias" aumentando o estresse.

Motoristas "presos" no congestionamento ficam irritados com a demora e principalmente pela "esperteza" de outros motoristas que dão uma de esperto forçando a passagem e andando no acostamento. Estes eventos aumentam o nível de adrenalina causando irritação, impaciência, nervosismo e estresse deixando a pessoa, permanentemente ou o dia todo, no limiar do estado de pânico.

Uma discussão entre duas pessoas que, de início, conversavam amigávelmente, pode ocorrer uma exaltação que acirra os ânimos, aumentando gradativamente o estresse e pode culminar com trocas de socos e pontapés, características do estado de pânico - dizemos que a pessoa "surtou".

Outras situações de pânico ocorrem em local com aglomeração de pessoas como cinema, teatro, igreja, escola, ginásio, estádio, arena, boate, restaurante, metrô, etc.

As situações de pânico são potencializadas pelo conteúdo emocional praticado nos locais de concentração de pessoas. Nas igrejas, em geral, as pessoas ficam "calmamente" orando mas existem igrejas que apelam para o emocional com o aumento gradativo do tom de voz do pastor. As pessoas elevam suas emoções com a produção de adrenalina. Se, por exemplo, ocorrer um incêndio neste momento, as reações das pessoas serão totalmente desprovidas de razão.

Outros locais utilizam-se de artifícios para produzir estados emocionais com o fornecimento de bebidas alcoolicas e o entoar de músicas eletrônicas. Estas músicas ritimam na frequência cardíada da pessoa, vibrando, inicialmente em torno de 90 batidas por minuto, recebendo um aumento gradativo para 100, 120 e assim por diante. O batimento cardíaco aumenta na mesma proporção, influenciado, ou induzido, pelo volume alto e envolvente da energia sonora.

A causa do pânico pode também ter origem psicológica. Chama-se síndrome do pânico e a pessoa pode surtar, sem mais nem menos, pois existe predisposição psicológica em que a pessoa se julga perseguida ou ameaçada.

O USO DO PÂNICO:

Conhecendo as reações que as pessoas têm em situações de pânico é possível "tirar proveito" dessas reações.

Duranto as guerras, isso aconteceu com muita frequência na Segunda Guerra Mundial.

Sirenes estridentes e alto falantes com choro de criança ou latidos de cachorros produzem nas pessoas reações do tipo "preciso fazer alguma coisa" sob a ação da adrenalina. Soldados de reação retardada pulavam da cama, deixando a "preguiça" de lado.

As mães poderiam adotar atitudes semelhantes perante filhos que "não saem da cama" mesmo com muita insistência, mesmo com ameaças e mesmo com baldes de água fria.

Sineres com toque estridente (alta frequência) tem a propriedade de produzir agitação, sob a ação da adrenalina, tiranto as pessoas do qualquer estado de sonolência e letargia. Cuidados especiais devem ser tomadas em locais sob risco de deslizamentos geológicos pois Sirenes Altas em plena madrugada podem levar as pessoas que dormem a estados de pânico e mesmo orientações seguras feitas por agentes da Defesa Civil podem não serem obedecidas e nem mesmo entendidas pela pessoa em pânico.

A IRRACIONALIDADE DO MOMENTO DE PÂNICO:

Pessoas em estado de pânico e mesmo em breves instantes de situações de pânico não agem de forma "normal". Eis algumas características do pânico:

Perda da racionalidade. Não adianta conversar com a pessoa em pânico tentando convencer que "não há perigo" ou que "está tudo normal". Muitas vezes, a pessoa entra em pânico por uma discussão aparentemente boba como um conflito de trânsito. A pessoa entra em pânico, por exemplo, pelo aparecimento de um "cara folgado" que, muitas vezes sem querer, produz um disparo na situação de pânico. A pessoa que entra em pânico não dimimui seu grau de pânico enquanto aquela pessoa que prozui o disparo da situação permaner nas proximidades.

A melhor solução é levar, mesmo que seja à força, a pessoa sob pânico para longe do local. Cuidado para não levar os contendores para o mesmo local. A polícia, precisa, infelizmente, levar os envolvidos para uma delegacia. Estando todos na mesma delegacia, os ânimos se re-exaltam e reacende o pânico.

Reações Instintivas: É muito forte a reação institintiva de preservação da integridade. Muitos homens fortes não conseguem segurar uma frágil senhora em pânico. Mesmo sendo fraca a frágil senhora encontra forças para enfrentar homens fortes.

O melhor é gritar por socorro para atrair mais pessoas para que, em grupo, consigam segurar e levar a pessoa para longe do local.

O QUE NÃO FUNCIONA NA SITUAÇÃO DE PÂNICO:

1 - Conversa que tenta convencer o contrário.

Se a pessoa em surto de pânico está "errada", nem tente convencê-la do contrário.
Seu inconsciente vai produzir mais adrenalina.

Um erro comum é a pessoa que está sendo assaltada por um indivíduo sob ação de drogas tentar dar uma lição de moral ou trazer para a "discussão" dados como "tenho filhos pequenos". Isso só aumenta o grau de pânico do assaltante.

2 - Cartazes com recomendações.

Na hora do pânico, em que tudo mundo corre para tudo quanto é lado, um cartaz na parede não é nem notado pelas pessoas. Mesmo escrito com letras garrafais, ninguém tem "cabeça" para parar e ficar lendo o cartaz.

3 - Aparelhos, instrumentos e componentes que exigem recionalidade.

Extintor de incêndio cheio de "frescuras" com e "lacres" e "pinos de segurança". É muita atividade preparatória e a adrenalina não permite "lembrar" de todas aquelas instruções recebidas no treinamento. Se é que a pessoa passou por algum treinamento.

Extintor bom é aquele que a gente pega e aperta.

Instruções escritas no próprio extintor também não servem para nada. A adrenalina não dá tempo para apreciar leituras naquele instante.

Outra coisa que não funciona é a mangueira que é dobrada no meio e que precisa ser esticada por inteiro antes de ser conectada no hidrante.

4 - Placas devem ser visíveis em qualquer situação.

Placas com simples pinturas não são visíveis pois os olhos, tomados pela adrenalina "não exerga nada". A pessoa "fica cega".

Placas refletivas também não funcionam pois à noite ou numa situação de incêndio, as luzes (eletricidade) são cortadas e as placas refletivas não tem nenhuma luz para refletir. Fora a fumaça em caso de incêndio.

Todas as placas orientativas em situações de pânico devem ter luminosidade própria e indipendente da rede elétrica do prédio.

Para a aprovação, os órgãos responsáveis devem solicitar um atestado de visibilidade em situações de pânico, obtidas por meio de ensaios de visibilidade realizados por laboratório credenciado.

Uma placa indicando a Saída de Emergência em um salão, por exemplo, deve ser visível a partir de qualquer ponto do salão mesmo no escuro e o salão tomado por grossa fumaça carregada de fuligem.

5 - Não parar, não abaixar e nem agachar quando estiver num fluxo de pessoas saindo pela Rota de Fuga. Ao diminuir a velocidade, parar ou abaixar a pessoa será empurrada pelos que vêm atrás e vai cair. Caindo será pisoteada.

6 - Usar a "razão" como em situações de enchentes e alagamentos ou de queda de árvore sobre a rede elétrica.

Vendo um fio elétrico de alta tensão caído "pipocando" no solo" e soltando faíscas é "instinto" sair do carro prá ficar longe mas alguns cuidados devem ser tomados para, ao sair do carro, a pessoa não ser eletrocutada pela eletricidade que caminha pelo carro e também pelas águas do alagamento:

Para fugir da enchente é certo é sair do carro mas a água do lado de fora do carro exerce pressão sobre as portas e é muito difícil conseguir abrir a porta do carro em processo de submersão. Uma alternativa é quebrar o vidro da porta ou do para-brisa. Outra alternativa é esperar a água entrar dentro do carro equalizando as pressões externas e internas e assim facilitar a abertura das portas.

Para fugir do fio elétrico caído não se pode simplesmente "sair do carro" pois o carro eletrificado pelo fio caído possui Rodas de Borracha que é isolante elétrico e quando a pessoa tenta sair do carro forma um "curto-circuto" entre o carro e o solo e sofre um Choque Elétrico. Nas vias urbanas, a Rede Primária de distribuição de eletricidade tem a tensão de 15.000 Volts. Melhor é esperar que alguém desligue a Rede Primária e nem é preciso "esperar" que a concessionária venha desligar a rede pois qualquer pessoa Habilitada pode fazer isso.

Outra situação de Choque Elétrico pode acontecer em vias onde a rede elétrica é do tipo subterrânea. Quando a galeria da rede eletrica subterrânea for tomada pela enchente a água pode ficar eletrificada e andar nessa água pode produzir um choque elétrico na pessoa. Então, se tiver que "entrar" num trecho alagado para chegar em casa, veja de já tem outras pessoas andando dentro da área alagada. Se não tiver ninguém andando dentro da água procure se informar sobre o perigo ou aguarde a chegada da Defesa Civil. No caso de rede subterrânea o perigo de choque elétrico pode ser muito maior pois além da Rede Primária (15.000 volts) pode haver Rede de Transmissão que no caso urbano tem 69.000 Volts.

7- Ficar parado ou mesmo passando por cima de tampas de Poços de Inspeção. Ao longo da uma via urbanizada encontramos Salas de Transformadores da Rede de Distribuição de Eletricidade, Salas de Comutadores da Rede de Telefonia e outras salas de serviço de concessionárias onde a penetração de água da enxurrada nessas pode ocasionar a explosão do transformador ou outro equipamento. Uma pessoa que esteja em cima da tampa de acesso poderá ser lançada ao ar pela força da explosão. Outro tipo de tampa de poço de inspeção encontramos da Rede de Coleta de Esgotos onde se forma gás metano e este, por alguma razão, pode pegar fogo causando uma explosão.

NORMAS TÉCNICAS:

Breve lista de normas técnicas emitidas pela Associação Brasileira de Normas Técnicas e algumas instruções do Corpo de Bombeiros do Estado de São Paulo:

NBR-9077 Saídas de Emergência em Edifícios

NBR-13434 Parte 1: Sinalização de Segurança contra Incêndio e Pânico - Princípios de Projeto

NBR-13434 Parte 2: Sinalização de Segurança contra Incêndio e Pânico - Símbolos e suas Formas, Dimensões e Cores

NBR-13434 Parte 3: Sinalização de Segurança contra Incêndio e Pânico - Requisitos e Métodos de Ensaio

NBR-7532 Identificadores de Extintores de Incêndio - Dimensões e Cores

NBR-12693 Sistemas de Proteção por Extintores de Incêndio

CBESP Noções de Prevenção Contra Incêndio - Dicas de Segurança

CBESP Procedimento Operacionais para Resgate de Acidentados

CBESP Programa Bombeiro na Escola

CBESP Manual de Orientação à Prevenção e ao Combate a Incêndios nas Escolas

As placas de rua podem ser instaladas em

qualquer lugar e em qualquer posição?
Matando a Árvore - TENHO SÊDE!

##../trafegando/arvore.cnt$$
Seu prédio tem Brigadas?

##../panico/avcb.cnt$$
   

NOTA: Este site foi produzido pelo engenheiro Roberto Massaru Watanabe, formado pela Poli/USP-Turma de 1972 e que ao longo de sua atuação profissional acompanhou muitos casos de desastres com queda de barrancos, deslisamento de encostas, enchentes e incêndios, além de ter sido professor no curso de Engenharia de Segurança na UNICAMP por 19 anos, acompanhando os trabalhos do Corpo de Bombeiros e agentes da Defesa Civil em vários estados brasileiros e ministrando cursos e palestras em associação de arquitetos e engenheiros sobre o dimensionamento de Rotas de Fugas em edifícios e formação de Pontos de Encontro em regiões urbanizadas - disciplinas de baixa abordagem nas faculdades.
Pelo carater pedagógico, o conteúdo pode ser copiado, impresso e distribuído. Exemplo é o site da Defesa Civil de Duque de Caxias - Veja http://defesacaxias.blogspot.com/2011/12/ultima-parte-trincas-fissuras-e.html. Havendo dúvidas, críticas ou sugestões, envie um email para ele: roberto@ebanataw.com.br.


\RMW\panico\panico.htm em 02/02/2013, atualizado em 27/01/2024 .

    RMW-1508-18/06/2024