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UM FLAGELO PARA A HUMANIDADE

19/08/2007

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      Eu tenho andado por aí e verifiquei que existem informações desencontradas

sobre a progressão e a erradicação da POLIOMIELITE.

Tendo em vista no no próximo sábado, dia 25 de agosto de 2007, o Brasil estará promovendo a Campanha Nacional de Multivacinação, resolvi fazer uma compilação dos dados e cheguei à seguinte matéria.

Na década de 50, um estranha doença começou a se disseminar de forma misteriosa, matando milhares de pessoas. Crianças, adultos, homens, mulheres, ricos e pobres. Ninguém escapava do terrível mal. Seus sintomas eram fungadas, febre, paralisia dos músculos, começando com os músculos das pernas e prosseguindo com a paralisia dos demais músculos do organismo até a paralisia dos músculos do pulmão, quando o paciente morria por insuficiência respiratória.

Chamou-se a doença de Poliomielite.

Logo de início, percebeu-se que ela atacava no verão, de modo que o verão nos EUA ficou conhecido como “Estação Pólio”. O vírus da Pólio tem uma vida entre 2 a 4 semanas e o resultado de seu ataque são músculos endurecidos. O tratamento é demorado e doloroso, pois baseia-se em cirurgias longas para libertar os músculos paralisados.

Embora epidêmica nesse período, as primeiras vítimas nos EUA ocorreram em 1916, quando, em apenas 5 meses, mais de 27.000 pessoas foram acometidas pela doença, das quais mais de 2.000 morreram e outras 2.000 ficaram com paralisia. Nessa época não se conhecia o mecanismo dessa terrível doença, nem mesmo se sabia que o causador era um vírus.

Era um grande flagelo para a humanidade.

O Presidente dos EUA, Franklin Roosevelt, quando ainda jovem, em 1920, após a campanha para a vice-presidência, descansava em um sítio quando caiu e não conseguiu se levantar. Foi diagnosticado: é Pólio. Poucas pessoas sabem que Roosevelt tinha paralisia nas pernas, pois um acordo de cavalheiros da mídia não permitia exibir fotos do presidente em situações de dificuldade de locomoção. Freqüentemente ia a um balneário chamado Warm Springs que tinha águas quentes e ele podia se submeter a uma terapia reparadora.

Logo que foi eleito Presidente, o que aconteceu em 1932, mostrou ser um presidente corajoso e tinha como lema “Não há nada a temer além do próprio medo”. Transformou o balneário de Warm Springs na Fundação Nacional para Paralisia Infantil. Criou, com a ajuda de Basil O ´Connor, a campanha March of Dimes, isto é, a Marcha dos Dez Centavos.

Com a ajuda da mídia, a campanha foi um grande sucesso durante vários anos e o dinheiro arrecadado patrocinou inúmeras pesquisas para a descoberta da cura da pólio.

Antes de continuar, um breve retrospecto. A vacina foi descoberta pelo cientista Edward Jenner, que observou que embora homens e vacas tivessem a doença chamada varíola, um não passava para o outro. Então teve a idéia, na época maluca, de injetar sangue de vaca nas pessoas. Esse sangue transplantado, como provinha da “vaca”, chamou-se vacina.

Mais tarde, Louis Pasteur, o inventor da pasteurização, criou a vacina moderna que consiste em retirar o vírus, dar a ele um tratamento e depois injetar o vírus de volta no paciente.

Somente em 1908, graças a Karl Landsteiner, o mundo ficou sabendo que a poliomielite é causada por um vírus.

Em 1945, os EUA haviam ganhado a Segunda Guerra Mundial, mas perdia feio dentro de casa para o avanço da pólio. Desde 1916 já se havia registrado 300.000 vítimas, das quais 50.000 morreram.

Jonas Salk e Albert Sabin eram cientistas jovens porém dedicados. Salk acreditava ser possível criar uma vacina contra a pólio feita de vírus mortos. Sabin acreditava em uma vacina feita de vírus vivos enfraquecidos.

Com maciços investimentos feitos por O´Connor com dinheiro da Fundação Nacional para Paralisia Infantil, Salk conseguiu chegar à vacina em 1953.

Para “jogar mais lenha nessa fogueira”, no ano de 1952 ocorreu a pior epidemia de pólio nos EUA, registrando-se 56.000 casos novos. As pessoas tinham muito medo de freqüentar piscinas e outros locais públicos no verão e a imprensa “clamava” por uma solução.

Havia, é claro, muitos cientistas invejosos, pois a corrida à vacina havia se tornado a coqueluche dos meios científicos nessa época e alguns deles colocavam em dúvida a eficácia da vacina de Salk. Diziam até que o método que ele usava para “matar” o vírus não era totalmente eficaz e alguns vírus permaneciam vivos o que poderia produzir uma contaminação caso a vacina fosse aplicada em uma pessoa não contaminada.

Num gesto de desespero científico, Salk aplicou a vacina em si mesmo e em todas as pessoas da sua família. Fez isso chamando toda a imprensa e isso repercutiu positivamente e milhares de pais inscreveram os seus filhos para o “teste” em grande escala.

Realizado na primavera de 1954 com 500.000 voluntários, o teste foi um sucesso e a vacina foi aprovada. A comunidade toda se envolveu e os professores designavam os voluntários como “Pioneiros da Pólio” para estimulá-los. Foram gastos mais de 200.000 vidros de vacina e mais de 1.000.000 de agulhas e seringas.

Cabe esclarecer que a Vacina de Salk se baseava no seguinte processo: Primeiro se extraía uma amostra de sangue do paciente; nesse sangue era feita a inoculação, a cultura e depois o sangue era injetado de volta no paciente. Era um processo caro, complicado e exigia muito controle e pessoal especializado.

Nesse mesmo período, Sabin concluiu as pesquisas para a sua vacina. Era uma vacina mais simples, de etapa única, e podia ser ministrada por via oral, sem necessidade de agulhas, seringas e pessoal especializado.

Por um desses mistérios da vida, a vacina Sabin não foi aplicada nos EUA. Foi enviada para a União Soviética e para o Leste Europeu. Pela precariedade da estrutura de saúde desses países, a Sabin teve um grande sucesso pois não precisava de equipamentos e pessoal especializado.

Diferentemente da vacina do sarampo ou da catapora, tanto a vacina Salk como a Sabin, precisa que toda a população seja vacinada “no mesmo dia”.  Essa simultaneidade é que garante o sucesso da erradicação.

Então criou-se o Dia Nacional de Imunização - DNI, um dia especial em que todas as crianças de zero a cinco anos de idade recebem a vacina. O DNI foi largamente aplicado nos países do leste europeu e nos países da União Soviética na década de 60.

Em 1974, a Organização Mundial da Saúde lança o Programa de Imunização com o objetivo ambicioso de vacinar todas as crianças, sem exceção, do mundo. Nessa época, o mundo registrava em média 500.000 novos casos de poliomielite por ano. O Programa “patinava” e não avançava. Era necessário mobilizar milhões de voluntários no mundo todo para organizar e aplicar a vacina. Mesmo com o auxílio da UNICEF a OMS não conseguia fazer seu Programa decolar.

O envolvimento do Rotary começou em 1979, quando criou uma Comissão com o objetivo de vacinar 6 milhões de crianças nas Filipinas. Este foi o primeiro 3-H. Nos anos seguintes, comissões semelhantes foram criadas para o Haiti, Bolívia, Marrocos, Serra Leoa e Cambodia.

Em 1980 o Rotary resolve criar o “Global Pólio Eradication Initiative” em parceria com a Organização Mundial da Saúde, a UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Criança) e o CDC (Centro de Prevenção e Controle de Doenças). Veja site na INTERNET www.polioeradication.org.

Internamente criou, em 1985, o Pólio Plus, um Programa Especial ao qual foi dada a mais alta prioridade entre todos os outros programas, até que a completa erradicação da poliomielite seja alcançada. A meta do programa Pólio Plus é a Certificação da Erradicação global da poliomielite.  O Certificado é outorgado a cada país pela OMS quando o país não apresenta nenhum caso novo em 5 anos.

Veja informações completas sobre o programa Pólio Plus no site do Rotary www.rotary.org.

Além de arrecadar fundos para a execução do programa, o Pólio Plus mobiliza Rotary Clubs e rotarianos no mundo todo em torno do Dia Nacional da Imunização valendo-se da sua estrutura formada por distritos e clubes. Organizando os companheiros, os voluntários e os profissionais da saúde, os clubes ajudam a conscientizar pais e alunos proferindo palestras em escolas, colocando faixas e cartazes em locais públicos, montando postos de vacinação volantes, fornecendo freezers para armazenamento das vacinas e providenciando infraestrutura básica como lanches e refeições para os profissionais da saúde.

O Rotary Tatuapé também desempenha o seu papel, patrocinando há muitos e muitos anos o Posto Rotary, sob a supervisão da UBS Santo Estevão, unidade básica de saúde da Secretaria da Saúde.

Alguns países como a  Nigéria vêm apresentando diversas dificuldades por estar em guerra civil. Certo ano, o Rotary propôs a realização de uma trégua para que Voluntários do Rotary entrassem no país para a imunização das crianças. A trégua foi feita porém foi quebrada por um dos lados e nessa batalha um Voluntário do Rotary foi morto.

Em outra ocasião, os guerrilheiros disseminaram entre a população a falsa notícia de que a vacina era para esterilizar as pessoas e dando a entender que os pais não deviam deixar vacinar seus filhos.

Mesmo com tais obstáculos, a erradicação da pólio na Nigéria e no resto do mundo está próxima.

Pois é companheiros, estamos quase chegando lá e o flagelo da Pólio está chegando ao fim. Podemos, enfim, ver o “Mundo Livre da Pólio”.

No próximo sábado, dia 25 de agosto de 2007, teremos a Campanha Nacional da Multivacinação, quando ministros e secretários da saúde irão à televisão vangloriar-se do feito. Nós, rotarianos, podemos também nos vangloriar pois foi muito efetiva a contribuição do Rotary no mundo todo, inclusive no Brasil.

 

 

Veja mais sobre Capacitação em Liderança em:
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Veja mais sobre o processo de aprendizado em:
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Esta é uma página pessoal que contém uma opinião essencialmente pessoal a cerca do tema Progressão e Erradicação da Poliomielite..
As opiniões são, no fundo, "provocações" feitas aos nobres companheiros rotarianos e são baseadas em contatos, estudos e experiências pessoais e vale-se da liberdade proprocionada pela WEB. Ninguém é obrigado a aceitar, nem se pretende afirmar que as opiniões aqui colocadas sejam verdadeiras. Agora, se você gostou, pode imprimir, copiar e divulgar à vontade.
Roberto Massaru Watanabe
membro do Rotary Club de São Paulo - Tatuapé - EMAIL: roberto@ebanataw.com.br. Watanabe é engenheiro e como tal participou do projeto das grandes obras da engenharia nacional como a Rodovia dos Imigrantes e as hidrelétricas de Ilha Solteira, Itaipú e Tucurui. Nesses empreendimentos, adquiriu muita prática na organização e condução de grandes equipes.

RMW\GEROI\UmFlagelo.htm em 19/08/2007, atualizado em 23/05/2009 .

    RMW-2589-12/04/2024