9 - DEFENSA

Barreira de Concreto Armado para Segurança do Veículo e de Pessoas.

SEM CONTROLE:

Veículos automotores terrestres (automóveis, peruas, pick-ups, caminhões, ônibus, carretas etc.) ficam desgovernados sem avisar.

O estouro de um pneu é uma situação em que o veículo fica desgovernado (sem controle) e é considerada normal (prevista em norma) sendo um Evento Esperado, tanto é que todo veículo transporta um estepe para substituir o pneu furado e também um macaco para que o próprio motorista faça a substituição.

Outras causas, além do estouro de pneus podem ser: derrapagem (óleo na pista), animais na pista, pedestres, aquaplanagem (poça d'água), ofuscamento (farol de veículo em sentido contrário), fumaça densa (queimada no pasto), neblina, chuva forte, granizo, vento lateral e até distrações consequente de bela paisagem, outdoors, conversa com passageiros, troca de estação de rádio, regulagem do ar condicionado, acender o cigarro, etc.

Para proteção do motorista e dos passageiros, os veículos são dotados, e em alguns países são obrigatórios, de air-bags e outros dispositivos para a segurança do veículo e de seus ocupantes.

Trafegando por uma via (estrada, avenida ou rua), qualquer veículo, com a manutenção em dia ou não, corre o risco de ficar desgovernado: O estouro de um pneu, uma pequena distração do motorista que foi mudar a estação do rádio, um vento lateral repentino, uma mancha de óleo na pista, uma poça d'água, um buraco, uma criança atrás da bola e muitas outras causas podem desgovernar o veículo, fazendo com que o motorista perca o controle do mesmo.

Para evitar que o veículo desgovernado:

1 - atinja componentes instalados na lateral da pista como parada de ônibus, banca de jornal, caixa de correio, poste de iluminação, poste de sinalização, radares, árvores, placas de orientação, etc;

2 - atravesse para a outra faixa em sentido contrário de tráfego;

3 - caia para fora de pistas altas localizadas na borda de taludes;

4 - caia para fora de pistas altas localizadas sobre pontes e viadutos;

existe um componente de segurança conhecido genericamente como "DEFENSA" que garantem a segurança, "segurando" o veículo para que as consequencias do acidente não sejam catastróficas.

Chamamos de dispositivo de "segurança" por que ele "segura" e "impede", ao contrário de uma fita zebrada amarelo/preto que é um dispositivo "sinalizador" e nunca de "segurança" pois ele sinaliza, indica um perigo mas não impede.

Segundo o DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, defensa ou barreira de segurança é um dispositivo de segurança com forma, dimensões e resistência capazes de fazer com que veículos desgovernados sejam reconduzidos à pista causando o mínimo de danos ao veículo, seus ocupantes e ao próprio dispositivo.

INVENTOR DA DEFENSA:

No mundo, quem primeiro andou estudando esses componentes de segurança foi o Departamento de Trânsito da cidade de Nova Jersey, nos EUA, desenvolvendo inúmeras pesquisas sobre o comportamento de veículos e também de condutores na situação em que ocorre, repentinamente, um fato inesperado como o estouro de um pneu, uma derrapagem por óleo na pista ou uma simples distração. Mais tarde, a AASHTO - American Association of Stare Highway and Transportation Officials tornou obrigatória, diretrizes e recomendações de muitas conclusões desstes estudos.

Situações críticas ocorrem com maior frequência em vias de longo percurso pois os condutores ficam submetidos a uma monotonia que produz sonolências.

Outra situação em que ocorrem distrações frequentes é no trânsito urbano de cidades onde o condutor pode ser sobrecarregado por outras funções, estranhas à função de "conduzir" o veículo, como orientar passageiros sobre itinerários, pontos de parada, exercer a função de cobrador (ou trocador), controlar crianças bagunceiras, ajudar o embarque e desembarque de cadeirantes e portadores de deficiências em geral.

Outra causa bastante frequente de distração são os problemas financeiros, brigas de casais, doenças de filhos que não deixam a pessoa se concentrar no serviço.

DEFENSA NEY JERSEY:

O componente básico de segurança na via, elaborado pelos estudos em Nova Jersey é a Defensa New Jersey. Trata-se de um componente rígido, confeccionado com concreto armado de alta resistência e que tem a seguinte forma padronizada:

A superfície de deslizamento é constituída de três partes:

a) GUIA: um plano vertical cuja função é redirecionar a roda no sentido longitudinal;

b) RAMPA: um plano inclinado que sustenta a roda e o veículo inclinado tende a voltar para a pista;

c) MURETA: um plano inclinado, quase vertical, que bloqueia o avanço do veículo para o outro lado.

A escolha desta forma foi feita pois ela permite duas coisas:

1 - "segura" o veiculo, evitando que saia da pista indo parar na outra pista ou caia em um ribanceira ou caia de uma ponte ou viaduto;

2 - "devolve" o veículo desgovernado, direcionando as rodas no sentido longitudinal da pista.

Naturalmente, a forma final não foi concebida "logo de cara" sendo proposta diversas formas e após incansáveis testes em campos de prova a forma final foi sendo aperfeiçoada à medida em que se adquiria conhecimento sobre os fenômenos envolvidos em uma situação de veículo desgovernado.

Duas situações são previstas para a defesa feita pela Defensa New Jersey:

SITUAÇÃO I - Veículo desgovernado com pequeno ângulo de ataque:

Nesta situação, o veículo sai do alinhamento da rota com um desvio relativamente pequeno. É o que ocorre, por exemplo, quando o condutor cansado começa a dar pequenos cochilos ao volante ou o veículo sofre derrapagem (óleo ou água) num trecho reto.

Ao deslocar-se para a lateral, a roda da frente encosta na "GUIA" ´que é a parte baixa da Defensa, ocasionando o direcionamento da roda para a direção longitudinal. Observe como é importante a altura de 7,5 centímetros da Guia.

Tachas instaladas junto à guia produzem trepidações no veículo que fazem o motorista "acordar" do cochilo.

SITUAÇÃO II - Veículo desgovernado com grande ângulo de ataque:

No caso do ângulo de ataque ser maior que 100 (dez graus), a roda da frente "sobe" pela Defensa e o veículo fica inclinado forçando a volta do veículo para a faixa de rolamento:

Para evitar que o veículo desgovernado tenha a chance de desenvolver uma rota com ângulos de ataque excessivamente elevados, deve-se evitar pistas com muitas faixas de rolamento:

Recomenda-se pistas com no máximo 3 faixas de rolamento:

Neste caso, a rodovia ficará segregada em diversas pistas, mesmo que o sentido de direção seja o mesmo. A pista com poucas faixas não permite o desenvolvimento de trajetórias transversais críticas.

Nas pontes e viadutos, é importante a existência de DEFENSA para "segurar" veículos que eventualmente venham a se desgovernar, quer por colapso próprio, quer por fechadas recebidas ou mesmo por derrapagens na pista.

A Defença é um componente de segurança que SEGURA o veículo desgovernado evitando que ele seja projetado para fora da pista, passando por cima de pedestres e rompendo frágeis corrimões dos viadutos antigos:

Urge que o poder público responsável pela via estabeleçam planos de atualização viária incorporando todas as exigências das normas e leis vigentes. O Ministério Público tem um papel especial chamando os órgãos responsável e estabelendo TACs para que, num prazo razoável, todas as vias sejam atualizadas.

A Defensa (também conhecida como Barreira de Concreto Armado) tem a capacidade de segurar veículos desgovernados como ônibus e caminhões pesados:

 

A Defensa em Pontos de Ônibus dá segurança às pessoas evitando não apenas o avanço de veículos como também de partes do veículo como rodas que escapando do veículo podem atingir as pessoas no ponto. A foto seguinte mostra um ponto de ônibus na Via Anhanguera que possui proteção por Defensa.

DEFENSA BEM SEGURA:

Para desempenhar adequadamente sua função de "segurar" o baque do veículo desgovernado, a Defensa deve estar firmemente "agarrada" no solo (ou ponte, ou viaduto). As normas da AASHTO recomendam que armaduras de aço sejam chumbadas na base.

A bitola da armadura, a sua quantidade e espaçamento devem ser calculadas por um engenheiro civil com especialidade em Estruturas levando-se em consideração a velocidade em que ocorreria o choque (isso depende se o trecho é de subida, plano ou em declive) e a classe da rodovia que determina a velocidade diretriz e os tipos de veículos como automóveis, ônibus e caminhões.

A norma brasileira NBR-14885 determina que a Defensa (que a norma chama de Barreira de Concreto) deve suportar a aplicação de uma força no sentido transversal, de dentro para fora, de no mínimo 200 kN (quilo Newtons) que quer dizer 20.000 kgf ou 20 toneladas, aplicada no topo da Defensa e esse esforço deve ser transmitido à estrutura da ponte ou ao solo por meio de componentes apropriados de transferência horizontal.

4.1.1 As barreiras de concreto devem ser projetadas de acordo com as disposições da NBR-6118 para resistir a uma solicitação transversal de uma carga dinâmica concentrada, aplicada na borda supeior da barreira, de dentro para fora da pista, de, no mínimo, 200 kN.

  

É por isso que a Defensa deve ser calculada por Engenheiro Civil com especialização em Estruturas de Concreto Armado pois deve levar em consideração o peso do veículo, a velocidade e a curvatura da pista e ser capaz de segurar o impacto de uma força centrífuga (para fora) calculada com base na massa do veículo, a velocidade do veículo no momento do impacto ao longo de uma curva de raio "r".

NÃO É PERMITIDO:

A norma não permite aberturas de mais de 50 milímetros (ou 5 centímetros) na Defensa que deve ser contínua a fim de que a Defensa cumpra o seu papel de devolver o veículo desgovernado à pista. Ver item 4.2.4 da norma NBR-14885.

Situações como a das fotos abaixo são totalmente contra a segurança da via e deve ser imediatamente eliminada. Um veículo que venha a se chocar de quina irá, certamente, capotar e a defensa que deveria proteger o veículo será o vilão do desastre e em vez de amortecer o impacto irá causar o capotamento do veículo. Os responsáveis pela segurança da via, ao constatar falhas deste tipo devem proceder à interdição imediata da via e ordenar a correção da falha:

Esta é uma outra situação em que um veículo desgovernado, ao tangenciar a defensa em vez da defensa proteger e redirecionar o veículo na direção do fluxo irá causa seu rodopio e até seu capotamento:

Nesta situação, um veículo desgovernado, além de enroscar na quina da defensa, poderá ser cortado pelas lâminas metálicas afiadas.

A cerca metálica não serve como defensa pois ela não foi feita para suportar esforços transversais. Veja mais detalhes sobre o Guard-Rail em .

 

A norma determina, ainda, que deve haver uma espaço livre entre a Linha de Borda (LBO) que demarca o limite do leito carroçável e a borda da Defensa (item 4.2.5.1):

Também determina que entre a LBO e a Defensa não pode haver meio-fio, também conhecida como guia:

Nem valeta de drenagem:

Qualquer desses obstáculos irá favorecer o tombamento do veículo. Veja um caso real de grande perigo pois a guia existente, antes do veículo atingir a defensa, irá funcionar como um trampolim e vai projetar o veículo para o alto:

NÃO É DEFENSA:

Não pode ser considerada "defensa", simples componentes de sinalização como cones e picolés ou blocos de concreto simplesmente colocados sobre a pista de rolamento ou componentes frágeis como aqueles fabricados em material plástico que podem até ter a aparência de uma defensa mas que não possuem a capacidade de suportar o impacto de um veículo desgovernado.

INTERDIÇÃO IMEDIATA:

Trechos críticos como pontes, viadutos, beira de barrancos, ponto de parada de ônibus e outros deveriam ser imediatamente interditados para a construção de Defensas Rígidas de Concreto Armado pois são peças rústicas que não requerem acabamento e são de custo bem baixo e que evitariam muitas mortes:

Infelizmente, a maior parte das rodovias e vias (rurais e urbanas) brasileiras foram construídas em época que trafegava carroças puxadas por animais e não estão preparadas para oferecer a segurança necessária para os motoristas, passageiros e pedestres.

REGULAMENTAÇÃO:

No Brasil, o uso, projeto e cálculo das defensas são regulamentadas por normas da ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas com normas como a NBR-14885 Segurança no Tráfego - Barreiras de Concreto, por normas do DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes, órgão do Ministério dos Transportes como a DNIT-109 Segurança no Tráfego Rodoviário.

UM EXEMPLO REAL:

Acompanhe, pela sequência de fotos, os diversos dispositivos de sinalização e segurança existentes na alça de acesso ao Elevado Aricanduva na Avenida Conde de Frontin, mais conhecida como Radial Leste em São Paulo. Trata-se de um elevado relativamente antigo, inaugurado em 1979 mas que incorpora importantes componentes de segurança como as Defensas. Você pode constatar tudo isso no Google-Maps clicando em https://maps.google.com/?ll=-23.535691,-46.54779&spn=0.003816,0.005311&t=h&z=18

Foto N0 1 - Vista aérea do Elevado Aricanduva, no trecho estudado:

Foto N0 2 - Detalhe do início da Alça de Acesso:

Observe a existência de componentes de drenagem como grelhas e bocas de lobo para evitar a formanção de poças d'água em dias de chuva forte, poças que provocam a perigosa aquaplanagem. A alça de acesso possui Defensas tipo New Jersey em ambos os lados em toda a extensão da alça.

Foto N0 3 - Componentes de Sinalização e de Segurança em área de aproximação da Curva N0 2:

Observe a existência de sinalização de advertência, o estreitamento da pista pela faixa limitadora, passando a conduzir os veículos em fila única para evitar a colisão lateral entre veículos. A Superelevação consiste na inclinação transversal da pista e tem dupla função: uma é combater a força centrífuga que tende a levar o veículo para fora da pista e a outra é forçar a drenagem lateral das águas da chuva, diminuindo a possíbilidade de aquaplanagem. O aparente excesso de Bocas de Lobos se explica pelo fato desses componentes serem facilmente "entupíveis" por embalagens plásticas comprometendo o escoamento das águas da chuva. As faixas transversais são colocadas a distâncias cada vez menores para fazer uma "contagem regressiva" de aproximação ao ponto mais crítico da curva.

Foto N0 4 - Detalhes dos componentes de Sinalização e Segurança na entrada da Curva N0 2:

Observe que no início da curva, a Defensa sofre uma alteamento, isto é, usa-se uma Defensa mais alta para evitar o "tombamento" de veículos altos como ônibus.

Foto N0 5 - Marcas de Perda de Controle no piso e na Defensa:

Observe as inúmeras marcas de perda de controle que a roda deixou na Defensa e também marcas de frenagem deixadas no piso.

Foto N0 6 - Detalhes das marcas de Perda de Controle, deixadas pela roda do veículo desgovernado:

Imaginem quantos acidentes e quantas vidas foram poupadas pela ação da Defensa. Na hipótese desse viaduto não ter esse importante componente de segurança, a Defensa, os veículos teriam sido lançados para fora do viaduto, caindo de uma altura de cerca de 14 metros, causando, provavelmente, muitas vítimas fatais.

ET-12\RMW\trafegando\DEFENSA.htm em 23/06/2011, atualizado em 27/04/2018 .