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1 - INTRODUÇÃO

O estudo do fluxo hidráulico de um rio deve sempre ser enfocado de forma completa, abrangendo todos os fenômenos que interferem, direta ou indiretamente, com o fluxo natural das águas, como o clima, a topografia, as condições geofísicas, as características de uso e ocupação da região e, principalmente, os hábitos e costumes da população ribeirinha.

Na elaboração das soluções devem participar profissionais especialistas de diversas modalidades técnicas como Engenharia Civil, Física, Geologia, Engenharia de Solos, Engenharia Hidráulica de Rios, Meteorologia e Climatologia.

Os rios parecem seres vivos. Apresentam comportamentos próprios de difícil compreensão e são muitos melindrosos e caprichosos.

Existem RIOS NOVOS. Estes são cheios de energia, impetuosos, abrem seu próprio caminho e se alguém colocar uma enorme pedra em seu caminho o rio quebra a pedra e segue em frente. Exemplo disso é o rio Colorado nos EUA, formador do Grand Canyon. Veja como um rio jovem com "apenas" 60 milhões de anos ainda conserva sua energia inicial e continua a escavar o solo duro do Colorado nos EUA:

 
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Por outro lado, existem os RIOS VELHOS. Estes parecem cansados e fazem de tudo para descansar. Abrem meandros caprichados e se alguém abrir um canal para encurtar distâncias, o rio fecha o canal e volta para o seu meandro antigo. Os rios da região metropolitana da Grande São Paulo possuem esta característica pois são rios formados há mais de 540 milhões de anos. Veja no mapa abaixo os caprichos do Rio Juruá no estado do Acre.

 
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Como se vê, o rio não é apenas uma quantidade de água que escoa por uma vala. Sendo o rio um organismo vivo, as soluções de engenharia como retificação, alargamento, aprofundamento, construção de canais, galerias, barragens, vertedouros, etc. devem ser elaboradas sob a supervisão de técnicos com muita experiência no assunto.

Como já dizia Leonardo da Vinci: "Se tiveres que tratar com água, consulta primeiro a experiência e depois a razão".

Nas páginas seguintes, o leigo terá a oportunidade de conhecer os fatores mais significativos que interferem diretamente no comportamento hidráulico dos rios.

Apresentado de forma bastante didática, os exemplos procuram mostrar o fenômeno, como ele influencia e quais os erros mais comuns praticados pelos responsáveis, geralmente homens públicos de atuação político-partidárias, sem nenhum compromisso com a eficácia dos resultados.

O presente relatório foi elaborado pelo engenheiro Roberto Massaru Watanabe, formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, turma de 1972.

Além do curso de engenharia, Watanabe participou de inúmeros outros cursos de especialização relacionados com chuva e rio, não só na USP como também em empresas e instituições como o Instituto de Engenharia, o Sindicato dos Engenheiros e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo.

Na sua vida profissional, Watanabe participou do Projeto Cantareira de Abastecimento de Água, da montagem de um modelo matemático do Rio Tietê, simulação hidráulica do Emissário Submarino da Cidade de Santos, do Emissário Submarino da Fábrica de Celulose da Aracruz e de inúmeros outros estudos hidráulicos como os de desvio de rios de grande porte.

Veja a entrevista no programa Rocord News do dia 15 de setembro de 2009:

 

Para finalizar, Watanabe leva os leitores a uma profunda reflexão: Observando o Mapa Mundi, percebemos que a Zona Tropical, uma grande faixa localizada entre os trópicos de Câncer e Capricórpio, envolve basicamente os países de terceiro mundo. É onde o clima é mais quente. Interessante é que até o Deserto do Saara, que todos sabem ser o mais quente do mundo, está localizado fora dessa zona.

Vocês podem observar, olhando o mapa, que os países ditos de "primeiro mundo" estão todos localizados fora da Zona Tropical. Isso significa que todos os estudos e análises desenvolvidas nas famosas universidades e centros de pesquisas do primeiro mundo referem-se a rios não-tropicais cujo comportamento hidráulico é bastante diverso do de rios localizados na Zona Tropical. Em decorrência, todo trabalho, teses, dissertações e livros disponiveis no mercado referem-se a uma realidade climática que não é a nossa. (Lembre-se que a produção literária no Brasil é quase nula). Nossos estudantes aprendem a controlar um rio que não existe no Brasil e não aprendem a dominar os rios brasileiros.

As chuvas de verão, por exemplo, é um fenômeno típico de Zonas Tropicais. Embora possam ocorrem em zonas temperadas, as Chuvas de Verão ocorrem com maior freqüência e intensidade nas zonas tropicais. As grandes enchentes que ocorrem com certa ciclicidade nas grandes cidades brasileiras são provocadas pelas Chuvas de Verão. Como veremos nos capítulos mais adiante do presente site, um dos componentes da formação das Chuvas de Verão é a "substituição" da mata nativa (onde está hoje a cidade havia mata nativa) por um "deserto" de areia (na visão do autor, uma cidade cheia de prédios nada mais é que um deserto de areia, com uma pequena diferença: no deserto a areia fica solta e na cidade a areia fica presa nos blocos de concreto).

Prova disso é que toda vez que ocorre uma enchente com características catastróficas, as fotos aéreas mostram uma cidade inundada e mostram também que tal cidade é desprovida de vegetação. Numa cidade geograficamente grande como São Paulo, os fenômenos de desertificação são mais intensos em bairros periféricos como a região do rio Aricanduva ou do Pirajussara e são exatamente nessas regiões que ocorrem chuvas de verão de maior intensidade e até com a ocorrência, frequente, de granizo.

Analise o mapa abaixo e reflita bem sobre estas questões.

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ET6\fluvial\fluvial1.htm em 06/01/2000, atualizado em 26/12/2009.