PÂNICO PÂNICO EM SITUAÇÃO DE EMERGÊNCIA

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ROTADEFUGA
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ROTA DE FUGA

Rota de Fuga é um caminho que conduz as pessoas em pânico até um local seguro onde elas possam se sentir seguras e possam ser atendidas caso tenha sofrido algum ferimento durante a fuga. O pânico, como vimos , pode ser causado por um incêndio, por um veículo desgovernado que chocou-se contra o edifício, por um desmoronamento de parte do prédio, um assalto, um terrorista que começou a atirar nas pessoas, um carro que invadiu a loja, enfim, são muitas as situações em que as pessoas podem entrar em Estado de Pânico.

Como vimos, uma pessoa em Estado de Pânico não raciocina, não pensa e age de forma instintiva. Alguns buscam um local fechado onde possa ficar abrigado e protegido como um armário. Outros buscam um local aberto onde possa respirar e correr livremente.

A Rota de Fuga é o caminho contínuo que permite, facilita e, de certa forma, até conduz, em segurança, as pessoas até um local seguro onde o elemento que causa o pânico ou suas consequências não venha a atingi-las.

Na Rota de Fuga podemos encontrar diversos componentes que podem dificultar a passagem das pessoas em pânico. São portas, corredores, vasos de flores, balcões, escadas, pedestres na calçada, carrinho de cachorro quente na calçada, banca de jornais, veículo estacionado na frente da porta de emergência, veículos parados no congestionamento além de curiosos que se aglomeram na rua para "ver o que está acontecendo".

Lembre-se que não basta "sair do prédio" pois ao ficar na calçada ou nas proximidades, partes do prédio em desmoronamento podem cair a muitos metros de distância.

Um prédio com 30 andares, que é muito comum nas grandes cidades, ao tombar por inteiro, sem se espalhar pelas ruas, vai atingir uma área de 90 metros, uma área pelo menos igual à sua altura que é de 90 metros. Se o prédio se fragmentar então os escombros vão "sair voando" e poderão atingir uma área 3X a sua altura, isto é, um raio de 270 metros poderá ser afetado por um prédio que tomba por inteiro. Considerar uma média de 3 metros de altura para cada andar.

A Engenharia de Segurança, ao estudar os diversos riscos a que um edifício está sujeito, deve levar em consideração todas as circunstâncias desde o pânico provocado por uma barata até o desmoronamento total do prédio como aconteceu com o Edifício Liberdade ou com o Edifício Palace II. Pior são os casos de edifícios antigos que cairam depois de 40 anos de vida como o caso do Edifício Areia Branca que desmentiu o dito popular "se não caiu até hoje não cai mais".

Não basta estudar as condições internas do prédio mas importante é considerar também o risco do entorno, das proximidades do prédio. O Corpo de Bombeiros, por exemplo, determina larguras de corredores e portas para que as pessoas possam sair com segurança do prédio numa situação de emergência, incêndio por exemplo, mas nada diz com relação à rua em frente ao imóvel. Food-truck, ônibus da banda e veículos estacionados em frente a uma discoteca, por exemplo, são obstáculos críticos na saída das pessoas em uma situação de pânico.

Numa região como a famosa Rua 25 de Março em São Paulo que, não importa se é dia da semana ou feriado, está sempre lotada, uma situação de pânico poderá vitimar centenas de pessoas e agravado pelo fato da rua ser estreita e as transversais serem mais estreitas ainda. Imagine algum desses prédios altos tombando sobre a rua! Num lugar como êste, conduzir as pessoas que estão na rua para um local seguro talvez seja mais trabalhoso do que tirar as pessoas que estão dentro do prédio sob risco.

Ao projetar uma Rota de Fuga, precisamos, em primeiro lugar, considerar o Tipo de Ocupação do local.

A norma brasileira NBR-9077 apresenta, na Tabela 1, os 10 tipos de Ocupação, identificados pelas letras A até J.

Reproduzimos a mesma:

Tabela 1 - CLASSIFICAÇÃO QUANTO À OCUPAÇÃO
OCUPA-ÇÃO USO DIVISÃO DESCRIÇÃO EXEMPLO
A Residencial A-1 Habitações unifamiliares Casas térreas ou assobradadas, isoladas ou não
A-2 Habitações multifamiliares Edifícios de apartamentos em geral
A-3 Habitações coletivas(grupos sociais residenciais geriátricos
equivalentes à família)
Pensionatos, internatos, mosteiros, conventos, residenciais geriátricos
B Serviços de hospedagem B-1 Hotéis e assemelhados Hotéis, motéis, pensões, hospedarias, albergues, casas de cômodos
B-2 Hotéis residenciais Hotéis e assemelhados com cozinha própria nos apartamentos (incluem-se apart-hotéis, hotéis residenciais)
C Comercial varejista C-1 C-1 Comércio em geral, de pequeno porte Armarinhos, tabacarias, mercearias, fruteiras, butiques e outros
C-2 Comércio de grande e médio portes Edifícios de lojas, lojas de departamentos, magazines, galerias comerciais, supermercados em geral, mercados e outros
C-3 Centros comerciais Centros de compras em geral (shopping centers)
D Serviços profissionais, pessoais e técnicos D-1 Locais para prestação de serviços profissionais ou condução de negócios Escritórios administrativos ou técnicos, consultórios, instituições financeiras (não incluídas em D-2), repartições públicas, cabeleireiros, laboratórios de análises clínicas sem internação, centros profissionais e outros
D-2 Agências bancárias Agências bancárias e assemelhados
D-3 Serviços de reparação  (exceto os classificados em G e I) Lavanderias, assistência técnica, reparação e manutenção de aparelhos eletrodomésticos, chaveiros, pintura de letreiros e outros
E Educacional e cultura física E-1 Escolas em geral Escolas de primeiro, segundo e terceiro graus, cursos supletivos e pré-universitários e outros
E-2 Escolas especiais Escolas de artes e artesanatos, de línguas, de cultura geral, de cultura estrangeira
E-3 Espaço para cultura física Locais de ensino e/ou práticas de artes marciais, ginástica (artística, dança, musculação e outros)esportes coletivos (tênis, futebol e outros não incluídos em F-3), sauna, casas de fisioterapias e outros
E-4 Centros de treinamento profissional Escolas profissionais em geral
E-5 Pré-escolas Creches, escolas maternais, jardins-de-infância
E-6 Escolas para portadores de deficiências Escolas para excepcionais, deficientes visuais e auditivos e outros
F Locais de reunião de público F-1 Locais onde há objetos de valor inestimável Museus, galerias de arte, arquivos, bibliotecas e assemelhados
F-2 Templos e auditórios Igrejas, sinagogas, templos e auditórios em geral
F-3 Centros esportivos Estádios, ginásios e piscinas cobertas com
arquibancadas, arenas em geral
F-4 Estações e terminais  de passageiros Estações rodoferroviárias, aeroportos, estações de transbordo e outros
F-5 Locais para produção e apresentação de artes cênicas Teatros em geral, cinemas, óperas, auditórios de estúdios de rádio e televisão e outros
F-6 Clubes sociais Boates e clubes noturnos em geral, salões de baile, restaurantes dançantes, clubes sociais e assemelhados
F-7 Construções provisórias Circos e assemelhados
F-8 Locais para refeições Restaurantes, lanchonetes, bares, cafés, refeitórios, cantinas e outros
G Serviços automotivos G-1 Garagens sem acesso de público e sem abastecimento Garagens automáticas
G-2 Garagens com acesso de público e sem abastecimento Garagens coletivas não-automáticas em geral, sem abastecimento (exceto para veículos de carga e coletivos)
G-3 Locais dotados de abastecimento de combustível Postos de abastecimento e serviço, garagens (exceto para veículos de carga e coletivos)
G-4 Serviços de conservação, manutenção e reparos Postos de serviço sem abastecimento, oficinas de conserto de veículos (exceto de carga e coletivos), borracharia (sem recauchutagem)
G-5 Serviços de manutenção em veículos de grande porte e retificadoras em geral Oficinas e garagens de veículos de carga e coletivos, máquinas agrícolas e rodoviárias, retificadoras de motores
H Serviços de saúde e institucionais H-1 Hospitais veterinários e assemelhados Hospitais, clínicas e consultórios veterinários e assemelhados (inclui-se alojamento com ou sem adestramento)
H-2 Locais onde pessoas requerem cuidados especiais por limitações físicas ou mentais Asilos, orfanatos, abrigos geriátricos, reformatórios sem celas e outros
H-3 Hospitais e assemelhados Hospitais, casas de saúde, prontos-socorros, clínicas com internação, ambulatórios e postos de atendimento de urgência, postos de saúde e puericultura e outros
H-4 Prédios e instalações vinculados às forças armadas, polícias civil e
militar
Quartéis, centrais de polícia, delegacias distritais, postos policiais e outros
H-5 Locais onde a liberdade das pessoas sofre restrições Hospitais psiquiátricos, reformatórios, prisões em geral e instituições assemelhadas
I Industrial, comercial de alto risco, atacadista e depósitos I-1 Locais onde as atividades exercidas e os materiais utilizados e/ou depositados apresentam médio potencial de incêndio. Locais onde a carga combustível não chega a 50 kg/m2 ou 1200 MJ/m2 e que não se enquadram em I-3 Atividades que manipulam e/ou depositam os  materiais classificados como de médio risco de incêndio, tais como fábricas em geral, onde os materiais utilizados não são combustíveis e os processos não envolvem a utilização intensiva de materiais combustíveis
I-2 Locais onde as atividades exercidas e os materiais utilizados e/ou depositados apresentam grande potencial de incêndio. Locais onde a carga combustível ultrapassa 50 kg/m2 ou 1200 MJ/m2 e que não se enquadram em I-3. Depósitos sem conteúdo específico Atividades que manipulam e/ou depositam os materiais classificados como de grande risco de incêndio, tais como marcenarias, fábricas de caixas, de colchões, subestações, lavanderias a seco, estúdios de TV, impressoras, fábrica de doces, heliportos, oficinas de conserto de veículos
I-3 Locais onde há alto risco de incêndio pela existência de quantidade suficiente de materiais perigosos Fábricas e depósitos de explosivos, gases e líquidos inflamáveis, materiais oxidantes e outros definidos pelas normas brasileiras, tais como destilariais, refinarias, elevadores de grãos, tintas, borracha e outros
J Depósito de baixo risco   Depósitos de Depósitos sem risco de incêndio expressivo  Edificações que armazenam, exclusivamente, tijolos, pedras, areias, cimentos, metais e outros materiais incombustíveis

Consulte a tabela acima comparando a Ocupação, a Descrição e o Exemplo para enquadrar, adequadamente, o seu edifício em estudo.

Veja que um mesmo espaço que é alugado para empresas, pessoas físicas e entidades do terceiro setor como Rotary e Lions pode apresentar Ocupação diferente e, obviamente, necessidade de Rotas de Fuga distintas para cada caso.

Por exemplo, um certo espaço pode ser utilizado para:

Feira de Artesanato - Classe de Uso: C-1;

Eventos promovidos pelo terceiro setor com atendimento a pessoas como tirar carteira de trabalho, dar orientação jurídica, cortes de cabelo, medição de pressão arterial, etc. - Classe de Uso: D-1;

Cursos Profissionalizantes e Palestras - Classe de Uso: E-2;

Missas, reuniões ecumênicas, encontro de casais. Classe de Uso: F-2;

Feira da Saúde com atendimento de Catarata, Glaucoma, Doação de Sangue. Classe de Uso: H-3.

Cada uma dessas Classes de Uso tem requisitos específicos para a Rota de Fuga.

EXEMPLO PRÁTICO: Vamos tomar como exemplo um Templo, uma Igreja, uma Sala de Culto Religioso que tem 483 metros quadrados de área construída.

Pela Tabela 1: TEMPLO => Classe F-2.

Tome a Classe da Divisão (no exemplo, F-2) para entrar na tabela seguinte:

Tabela 5 - Dados para o dimensionamento das saídas
Ocupação POPULAÇÃO Capacidade da U. de passagem
GRUPO DIVISÃO ACESSOS E DESCARGAS ESCADAS E RAMPAS PORTAS
A A-1, A-2 Duas pessoas por dormitório 60 45 100
  A-3 Duas pessoas por dormitório e uma pessoa por 4 m2
de área de alojamento
B   Uma pessoa por 15,00 m2 de área
C   Uma pessoa por 3,00 m2 de área 100 60 100
D   Uma pessoa por 7,00 m2 de área
E E-1 a E-4 Uma pessoa por 1,50 m2 de área
  E-5 e E-6 Uma pessoa por 1,50 m2 de área 30 22 30
F F-1 Uma pessoa por 3,00 m2de área 100 75 100
  F-2, F-5 e F-8 Uma pessoa por m2 de área
  F-3, F-6 e F-7 Duas pessoas por m2 de área
  F-4  
G G-1, G-2 e G-3 Uma pessoa por 40 vagas de veículo 100 60 100
  G-4 e G-5 Uma pessoa por 20 m2 de área
H H-1 Uma pessoa por 7 m2 de área 60 45 100
  H-2 Duas pessoas por dormitório e uma pessoa por 4 m2
de área de alojameto
30 22 30
  H-3 Uma pessoa e meia por leito + uma pessoa por 7,00 m2
de área de ambulatório
  H-4 e H-5   60 45 100
I   Uma pessoa por 10,00 m2 de área 100 60 100
J   Uma pessoa por 30,00 m2 de área

Nota Importante: As tabelas foram copiadas da versão da norma vigente à época de construção do site. Tem finalidade apenas didática para mostrar o roteiro, recomendado pela norma, para o dimensionamento da Rota de Fuga. Para uma aplicação prática, você deve consultar as tabelas de uma versão atualizada da norma. Consulte o site da Associação Brasileira de Normas Técnicas:

Pela Tabela 5: F-2 =>

População P = 1 pessoa por metro quadrado.

No caso no nosso exemplo, A = 483 m2 => P = 483 pessoas

CA = 100

CE = 75

CP = 100

NÚMERO DE UNIDADES DE PASSAGEM:

As passagens para a Rota de Fuga podem ser constituidas por:

- ACESSOS e DESCARGAS;

Caminho horizontal (corredor, passagem, vestíbulo, balcão, varanda e terraço) a ser precorrido pelas pessoas para chgar à escada, rampa, área de refúgio ou descarga.

- DESCARGA;

Local que fica entre a escada e o logradouro público ou área externa que tenha acesso ao logradouro público.

- ESCADAS;

Escada é qualquer desnível que tem degraus e pode ser:

Escada de Emergência - Escada que faz parte da Rota de Fuga, podendo ser uma:

escada enclausurada à prova de fumaça (PF);

escada enclausurada protegida (EP) ou

escada não enclausurada (NE).

Escada Enclausurada Protegida (EP) - Escada devidamente ventilada situada em ambiente envolvido por paredes corta-fogo e dotada de portas resistentes ao fogo.

Escada Enclausurada à Prova de Fumaça (PF) - Escada cuja caixa é envolvida por paredes corta-fogo e dotada de portas corta-fogo, cujo acesso é por antecâmara igualmente enclausurada ou local aberto, de modo a evitar fogo e fumaça em caso de incêndio.

Escada à Prova de Fumaça Pressurizada (PFP) - Escada à prova de fumaça cuja condição de estanquidade à fumaça é obtida por método de pressurização.

Escada não Enclausurada (NE) - Também conhecida como Escada Comum é uma escada que embora faça parte da Rota de Fuga faz a comunicação com outros ambientes e não possui portas corta-fogo.

- RAMPAS;

Trecho inclinado (Rampa Ascendente, que sobe ou Rampa Descendente, que desce) de uma Rota de Fuga que serve para unir dois níveis diferentes (um mais alto e outro mais baixo).

- PORTAS.

Dispostivo que abre e fecha que não pode ter fechadura, podendo ser:

Porta Corta-Fogo, uma porta que resiste ao fogo e deve obedecer às prescrições da norma NBR-11742.

Porta com Vidro, uma porta comum dotada de janela com vidro, o vidro deve ser do tipo aramado e transparente, ter pelo menos 6,5 milímetros de espessura e no máximo 0,50 m2 de área.

Porta Simples

Em qualquer ocupação,  basta ter apenas uma única Rota de Fuga? A norma diz que não e estabelece a capacidade máxima que podemos considerar num acesso, numa rampa e numa porta.

A Capacidade do componente que a norma chama de Unidade de Passagem nos fornece um número que representa a quantidade máxima de pessoas que a passagem consegue dar passagem com segurança naquele tipo de Ocupação.

No caso do nosso exemplo (Templo com 483 m2), a Tabela 5 determina que para a Divisão F-2 as capacidades são:

CA = 100

CE = 75

CP = 100

O número de componentes deve ser calculado com a fórmula:

N = P/C, onde:

N é a quantidade de componentes;

P é a população (número de pessoas, calculadas conforme Tabela 5

C a Capacidade de passagem do componente.

Aplicando para cada componente de passagem do nosso exemplo, temos:

NA = 483/100 = 4,83 => 5 acessos;

NE = 483/75 = 6,44 => 7 escadas;

NP = 483/100 = 4,83 => 5 portas.

Veja uma simulção do caso extremo em que o local é dotado de acessos e escadas:

Veja o caso oposto, mais simples, em que o local não precisa nem de escadas e nem de corredores de acesso:

 

 

Para cumprir com esta missão o que designamos como Rota de Fuga deve obedecer a certos critérios:

1- Todo o trajeto, até o Ponto de Encontro deve estar totalmente desimpedido. Estar "desimpedido" ou melhor "sempre desimpedido" significa que o local não pode ser ocupado "nem por um minutinho".

Encontramos no caminho uma série de componentes:

1.1- PORTAS:

As portas na Rota de Fuga não podem ser trancadas à chave.

Portas que não fazem parte da Rota de Fuga mas que abrem avançando para dentro da rota, diminuindo a largura útil da rota:

1.2- CORREDOR - Largura Mínima:

Saliências como pilares e colunas da construção que aparecem na Rota de Fuga e que diminuem a largura útil da rota.

Em alguns locais como corredor de hospital, a existência de saliências devido a pilares da estrutura do prédio dificultam não só a fuga numa situação de emergência como também, no dia a dia, dificultam a limpeza além de formarem cantos onde se desenvolvem bactérias. Do ponto de vista da engenharia, os pilares são perfeitamente evitáveis.

1.3 - CORREDOR - Sempre Livre:

De acordo com o item 4.5.1.2 da norma, todo o trajeto da Rota de Fuga deve permanecer livre de quaisquer obstáculos, tais como móveis, divisórias móveis, estante para exposição de mercadorias, vaso de flores mesmo quando o prédio estiver supostamente fora de uso. "Sempre Livre" significa que é sempre, não havendo a possibilidade de "só um minutinho".

Em alguns locais como corredores de clínicas e hospitais é comum a utilização do corredor como local de espera e como tal se disponibilizam cadeiras para conforto dos pacientes. O problema de cadeiras soltas é que numa situação de emergência elas são chutadas e vão parar no meio do corredor passando a constituir um risco adicional ao pessoal em fuga.

O ideal é dispor de cadeiras fixadas na parede como no exemplo:

1.4- RAMPAS:

Havendo rampas na rota de fuga, estas devem obedecer a certos critérios:

A NBR-9077 4.6.1 determina a obrigatoriedade de uma rampa nas seguintes situações:

a) para unir dois pavimentos de diferentes níveis em acessos a áreas de refúgio em edificações com ocupações dos grupos H-2 e H-3;

b) na descarga e acesso de elevadores de emergência;

c) sempre que a altura a vencer for inferior a 0,48 metros, já que são vedados lanços de escadas com menos de três degraus;

d) quando a altura a ser vencida não permitir o dimensionamento equilibrado dos degraus de uma escada;

e) para unir o nível externo ao nível do saguão térreo das edificações em que houver usuários de cadeiras de rotas (ver NBR-9050).

4.6.2.2 As rampas não podem terminar em degraus ou soleiras, ...

Não pode haver degrau no fim da rampa que sobe:

e, não pode haver degrau no fim da rampa que desce:

Veja mais detalhes sobre RAMPAS como inclinação e necessidade de corrimãos em www.ebanataw.com.br/rampa.

1.5- ESCADAS:

As escadas, além de seguirem as recomendações das normas de acessibilidade como a NBR-9050, quando situadas na Rota de Fuga precisam seguir outras recomendações como degraus com BOCEL (veja ), ter ao menos 3 degraus, proporção entre degrau e espelho seguindo a fórmula de Blondel (veja ) e uma série de outros quesitos como necessidade de corrimãos, iluminação, e ventilação.

Veja as principais exigências da NBR-9077 para a escada que faz parte da Rota de Fuga:

ESCADA-01: quando não enclausuladas, além da incombustibilidade, oferecer nos elementos estruturais resistência ao fogo de, no mínimo, 2 horas. Item 4.7.1-b da NBR-9077.

ESCADA-02: ter os pisos dos degraus e patamares revestidos com materiais resistentes à propagação superficial de chama, isto é, com índica "A" da NBR-9442.

ESCADA-03: Corrimãos e Guarda-Corpo:

ser dotada de guardas em seus lados abertos. Item 4.7.1-d da NBR-9077

ser dotadas  de corrimãos. Item 4.7.1-e da NBR-9077

Deve também seguir as recomendações e exigências da norma de acessibilidade

1.6- PASSEIO PÚBLICO:

De acordo com o item 4.5.1.2 NBR-9077: Os acessos devem permanecer livres de quaisquer obstáculos, tais como móveis, divisórias móveis, locais para exposição de mercadorias, e outros, de forma permanente, mesmo quando o prédio esteja suportamente fora de uso.

Cabe à autoridade local encarregada da Segurança Pública verificar se a Rota de Fuga, no trecho público, está sendo ocupada por algum obstáculo como veículo parado tipo "só um minutinho" ou caixas, cavaletes e sacos de lixo que possam dificultar a fuga das pessoas que, inesperadamente, possam surgir pela Saída de Emergência.

1.7 ATRAVESSANDO A VIA PÚBLICA:

1.8- PONTO DE ENCONTRO:

Ponto de Encontro é o local previamente escolhido, divulgado, constantemente lembrado e informado aos visitantes ocasionais, local este em que se pode verificar se todas as pessoas que estavam em determinado local antes do disparo do pânico conseguiram sair do prédio em risco. Em prédios de apartamentos é mais ou menos fácil sabem quem estava no apartamento. Em escolas, ou melhor, os ocupantes de uma certa sala de aula também não é difícil verificar se todos estão lá no Ponto de Encontro.

Agora, em locais de permanência eventual como bancos, lojas, repartições públicas onde as pessoas não se conhecem a verificação é um pouco mais complicada, porém com um pouco de paciência é possível que cada consiga se lembrar de outras pessoas que se estavam na fila, no balcão, no caixa e até nos locais mais reservados como provador e toilete. "Na minha frente tinha uma moça de blusa vermelha" ou "no balcão tinha um rapaz de boné" ou "eu estava saindo e cruzei com uma senhora com duas crianças", etc.

Poder sentar, ou deitar, tomar um gole de água e respirar melhor dá às pessoas sensações de alívio e voltam, pouco a pouco, à sua situação de controle físico e emocional.

Pessoas que se feriram durante a fuga podem ser avaliadas quanto à gravidade ou não dos ferimentos. Pessoal da Emergência Médica como o SAMU que já tenham chegado ao local podem examinar melhor as pessoas.

Tapetes de plástico Vermelho, Amarelho e Verde estendidas no Ponto de Encontro sinalizam a gravidade dos ferimentos e facilitam o trabalho do pessoal do Resgate.

É importante que nos condomínios, shoping, grandes lojas, repartições públicas as pessoas se organizem em torno da Brigada de Incêndio, Brigada de Emnergência e Brigada de Socorro:

Com atribuições claramente estabelecidas e de conhecimento de todos, uma evacução pode ocorrer de forma ordenada e rapidamente:

Cartazes fixados em locais vísiveis, em especial nas sáidas das rotas identificam a Rota de Fuga e o Ponto de Encontro:

Observe, na foto seguinte, os tapetes verde, amarelho e vermelho estendidos pela Defesa Civil para facilitar o atendimento às pessoas que se feriram durante a fuga:

UM EXEMPLO PRÁTICO COMPLETO:

Feito o Projeto Arquitetônico de uma Escola, o mesmo apresenta os seguintes dados:

Área Construída, exceto sanitários = 434 m2

ACESSOS:

A Escola possui 3 locais de acessos a partir da via pública:

1 porta principal, Entrada Social, de 2 folhas de 1,20 metro de largura ;

1 porta secundárias, Entrada de Serviço, de 1 folha de 0,90 metros de largura;

1 porta secundária, Entrada da Administração de 1 folha de 0,890 metro de largura.

NOTA: Creio que não seja necessário dizer que as larguras são sempre "largura útil" e devemos descontar tudo que possa atrapalhar a passagem de pessoas como maçanetas grandes e salientes, barras de apoio, batente saliente e outros objetos e saliências.

Largura útil total dos Acessos: La = 2 X 1,20 + 0,90 + 0,80 = 4,10 m

ESCADAS:

A Escola possui 2 escadas independentes. Consideramos independente a escada que não depende da outra. Caso haja duas ou mais escadas que ficam no caminho uma da outra, devemos considerar a escada mais crítica. Como critério de segurança devemo considerar, quando possível, ao menos 2 escadas e saindo em direções diferentes pois, por alguma razão, uma delas pode se apresentar bloqueada no ato da fuga.

1 escada com largura de 2,50 metros com corrimão central, além dos corrimãos laterais fixados nas paredes;

1 escada com largura de 1,20 metros com corrimão na lateral esquerda que é uma parede e corrimão com guarda-corpo na lateral direta, vão aberto.

A soma das larguras úteis das Escadas: LE = 2,50 + 1,20 = 3,70 metros

RAMPAS:

Além das escadas, a Escola possui 2 rampas que são independentes das escadas e com largura de 1,50 metros cada.

A soma das larguras úteis das Rampas: LR = 1,50 + 1,50 = 3,00 metros

PORTAS:

das Salas de Aula: 1,00 metros

da Secretaria: 0,80 metros

Vejamos, passo a passo, como fazer o dimensionamento e a verificação da segurança dos diversos componentes da Rota de Fuga da Escola, de acordo com a norma brasileira NBR-9077:

10 PASSO: Determinação da Ocupação:

O Tipo de Ocupação de um local dentro de um edifício é definido pela Tabela 1 da NBR-9077 acima apresentada. Esta tabela reuni as ocupações em 10 Grupos (Grupo A, Grupo B, ... Grupo J) e, também, em algumas divisões (Divisão A-1, Divisão A-2, etc.).

Exemplo: Uma sala onde se reunem pessoas, todas sentadas como num auditório ou uma igreja ou uma sinagoga ou um templo é considerada, pela norma, como sendo do Grupo F e da Divisão F-2. Já uma escola de línguas ou um espaço onde são realizados cursos de atualização ou de aperfeiçoamento é considerado como sendo do Grupo E e da Divisão E-2.

Conclusão do 10 Passo: Ocupação E-2.

20 PASSO: Determinação da População:

População é a quantidade total máxima de pessoas que podemos encontrar no prédio, independentemente do evento que lá se realiza. Na Escola, por exemplo, o habitual é encontrarmos 600 alunos todos muito bem comportadinhos, sentados e prestando muita atenção. Mas, para a Escola funcionar, precisamos ter o pessoal administrativo, o pessoal da infraestrutura e, também, nem sempre a Escola está tendo aulas, podendo encontrar a Escola em festa por causa de uma Formatura ou de uma homenagem ao professor querido havendo, neste dia, pessoas de fora como convidados e autoridades.

A População de um local é determinado pela norma NBR-9077 na Tabela 5, vide acima.

A Tabela 5 estabelece 2 coisas:

10 a população máxima que o local pode comportar;

20 a capacidade mínima de escoamento dos componentes como corredores, rampas, escadas e portas, que a norma chama de Unidades de Passagem, deve oferecer.

Segundo a norma, a População de um local ou recinto é calculada em função do Tipo de compartimento. Assim, um Dormitório por exemplo deve ser considerado como sendo ocupado por 2 pessoas, mesmo que se demonstre que o apartamento é ocupado por apenas um único morador e um Circo por exemplo 2 pessoas para cada metro quadrado.

No caso da nossa Escola, ocupação E-2, a População é calculada como sendo 1 pessoa para cada 1,50 metro quadrado de área, considerando todas as áreas ocupáveis, isto é, além das Salas de Aula, os Corredores, Lanchonete, Áreas Administrativas, Pátios e Jardins. Só não se computa as Áreas de Sanitários.

Havendo Quadras para a prática de esportes, estas deverão ter a População calculada como Área de Prática de Esporte Coletivo, ocupação E-3, desde que não tenha arquibancada. Se tiver arquibancadas a quadra passa a ser ocupação F-3. Veja quais são as diferenças:

E-1: 1 pessoa por 1,50 metro quadrado;

E-3: 1 pessoa por 1,50 metro quadrado;

F-3: 2 pessoas por metro quadrado;

Do Projeto Arquitetônico tiramos:

Área total construída, exceto sanitários = 434 m2

Aplicando a determinação da Tabela 5, teremos:

População = 434 X 1,50 = 651 pessoas.

Daí, conclusão do 20 passo: P = 651 pessoas (alunos, funcionários, professores e outros)

30 PASSO: Verificação da Suficiência dos Acessos:

O Projeto Arquitetônico indica a existência de 3 portas que totalizam La = 4,10m.

Será que essa largura é suficiente para dar vazão a todos os ocupantes que tentam abandonar o prédio numa situação de pânico?

A Tabela 5, além de fornecer a População por metro quadrado, apresenta a Capacidade da Unidade de Passagem de Acesso:

UPA = 100

Aplicando a fórmula N = P/U

NA = P/UPA = 651 / 100 = 6,51

Este número deve ser arredondado para cima:

NA = 7 unidades

A Largura Mínima dos elementos de acesso é dado multiplicando-se a Unidade de Passagem por 0,55 metros que é a largura mínima das pessoas numa fila indiana.

LA  7 X 0,55 = 3,85 metros.

Daí, temos:

LA NECESSÁRIA = 3,85 metros

LA DISPONÍVEL = 4,10 metros

Como a Largura de Acesso Disponível é maior que a Largura de Acesso Necessária, concluímos que a Escola atende o Critério de Acesso.

40 PASSO: Verificação da Suficiência das Escadas:

Do Projeto Arquitetônico, tiramos que a Lagura Útil de Escadas é LE DISPONÍVEL = 3,70 metros

A mesma Tabela 5 fornece a Capacidade da Unidade de Passgem Escada

UPE = 60

Aplicando a fórmula N = P / UP

NE = P / UPE = 651 / 60 = 10,85

que arredondado:

NE= 11

A Largura das Escadas deve ser, no mínimo:

LE NECESSÁRIA = 11 X 0,55 = 6,05 metros

Daí, temos:

Como a largura disponivel das escadas é de LE DISPONÍVEL = 3,70 metros, e a largura necessária é de LE NECESSÁRIA = 6,05 metros, concluímos, por enquanto, que a Escola NÃO TENDE AO CRITÉRIO DA CAPACIDADE DE PASSAGEM DAS ESCADAS.

50 PASSO: Verificação da Suficiência das Rampas:

Além das escadas, a Rota de Fuga pode ser formada por rampas. É um meio mais seguro para dar vazão em situações de pânico pois facilita o escoamento de cadeirantes além de evitar tropeços em degraus.

Do Projeto Arquitetônico, tiramos que a nossa Escola possui 2 rampas, que são independentes das escadas, com largura de 1,50 metros cada.

LR = 3,00 metros

Da Tebela 5 tiramos a Capacidade da Unidade de Passagem Rampa:

UPR = 60

Aplicando a fórmula N = P / UP

NR = P / UPR = 651 / 60 = 10,85

que arredondado:

NR= 11, o mesmo da escada

A Largura das Rampas deve ser, no mínimo:

LR NECESSÁRIA = 11 X 0,55 = 6,05 metros

Daí, temos:

Capacidade de escoamento das Escadas e das Rampas:

LE DISPONÍVEL + LR DISPONÍVEL = 3,70 + 3,00 = 6,70 metros

LE+R NECESSÁRIA = 6,05 metros

Donde concluímos que, em conjunto, as escadas com as rampas atendem o Critério Escada e Rampas.

60 PASSO: Verificação da Suficiência das Portas:

Cada uma das portas existentes na Rota de Fuga deve atender ao Critério de vazão.

As Salas de Aulas possuem portas com largura útil de 1,00 metros

Uma das salas tem capacidade para 120 pessoas

NS = 120 / 100 = 1,2

Arredondando:

NS = 2

LS = 2 x 0,55 = 1,10 metros

LS NECESSÁRIA = 1,10 metros

LS DISPONÍVEL = 1,00 metros

Como se vê, a sala maior não tende o Critério da Porta. A largura 1,00m não é suficiente devendo ser aumentada para:

LS DISPONÍVEL = 1,10 metros

 

DISTÂNCIAS MÁXIMAS:

Não é suficiente todos os componentes ao longo de uma Rota de Fuga apresentarem, cada um individualmente, as condições ideais de segurança, se as pessoas em pânico tiverem que caminhar por um percurso demorado até atingir um local seguro. Quanto tempo você aguenta? Tem muita fumaça e você não enxerga os avisos? Tem muitas subidas? Escadas?

A norma NBR-9077 apresenta, na Tabela 6, as Distâncias Máximas que a Rota de Fuga pode ter para oferecer condições seguras de evacuação.

A tabela leva em consideração o Tipo de Edificação, isto é, uma Classificação X, Y e Z que define se o prédio apresenta condições favoráveis ou não para a propagação do fogo. Esta definição está na tabela 4, a seguir:

Tabela 4 - Classificação das edificações quanto às suas características construtivas
CÓDIGO DA CLASSE TIPO DO EDIFÍCIO ESPECIFICAÇÃO EXEMPLO
Classe X Edificações em que a propagação do fogo é FÁCIL Edificações com estrutura e entrepisos combustíveis (por exemplo de madeira) Prédios estruturados em madeira, prédios com entrepisos de ferro e madeira, pavilhões em arcos de madeira laminada e outros
Classe Y Edificações com mediana resistência ao fogo Edificações com estrutura resistente ao fogo, mas com fácil propagação de fogo entre os pavimentos Edificações com paredes-cortinas de vidro ("cristaleiras"); edificações com janelas sem peitoris (distância entre vergas e peitoris das aberturas do andar seguinte menor que 1,00 m); lojas com galerias elevadas e vãos abertos e outros
Classe Z Edificações em que a prpopagação do foto é DIFÍCIL Prédios com estrutura resistente ao fogo e isolamento entre pavimentos Prédios com concreto armado calculado para
resistir ao fogo, com divisórias incombustíveis,
sem divisórias leves, com parapeitos de alvenaria sob as janelas ou com abas prolongando os entrepisos e outros

De posse da Classe do Edifício, dado pela Tabela 4, entrar na Tabela 6, a seguir:

Tabela 6 - Distâncias Máximas a serem precorridas
Tipo de Edificação Grupo e Divisão de Ocupação SEM Chuveiros Automáticos COM Chuveiros Automáticos
Saída ùnica
(m)
Mais de uma Saída
(m)
Saída Única
(m)
Mais de uma Saída
(m)
Classe X Qualquer 10,00 20,00 25,00 35,00
Classe Y Qualquer 20,00 30,00 35,00 45,00
Classe Z C, D, E, F, G-3, G-4, G-5 , H e I 30,00 40,00 45,00 55,00
A, B, G-1, G-2 e J 40,00 50,00 55,00 65,00

Classe X - Quando o edifício tem qualquer peça estrutural não-resistente ao fogo. Grande parte dos sobrados têm a estrutura do telhado feita de madeira. Os sobrados antigos não têm laje de concreto entre os pavimentos mas sim um assoalho de madeira.

Classe Y - Um edifício todo feito de concreto é aparentemente um edifício resistente ao fogo, entretanto, o vão da escada, um vazio estético, abertura para passagem de dutos (ar condicionado, hidráulica, etc.), janelas externas de andares muito próximas que pode  permitir a passagem da labareda de um andar para outro ou qualquer outra abertura, que embora não esteja relacionada na norma, não resista a pelo menos 2 horas de fogo faz cair da classificação de Classe Z para Classe Y.

Classe Z - Difícil propagação do fogo. Prédios de concreto armado calculado para resistir ao fogo, com divisórias incombustíveis, sem divisórias leves, com parapeitos de alvenaria.

Então, num sobrado desses antigos com assoalho de madeira, sem chuveiro automático e dotados de uma única saída de emergência, a distância máxima a ser percorrida não pode passar de 10,00 metros. Já, numa escola em prédio moderno e com mais de uma saída, a distância máxima pode chegar a 55,00 metros.

 

\RMW\panico\rotadefuga.htm em 02/02/2013, atualizado em 09/10/2018 .