SISAL

 
Passeando pela Natureza

SISAL

O sisal é uma fibra produzida pelo beneficiamento da folha da Agave Sisalana, uma planta muito resistente e que se dá muito bem em regiões semiáridas como no nordeste brasileiro.

Os principais produtores de sisal estão os estados da Paraíba e da Bahia, neste último, especialmente na região sisaleira, onde está localizado o maior polo produtor e industrial do sisal do mundo, as cidades de Valente, Queimadas, Santaluz, Retirolândia, São Domingos e Conceição do Coité.

As fibras de sisal são largamente empregadas na fabricação de cordas, tapetes e até sapatos.

O emprego do sisal remonta à era précolombiana. Os Toltecas, Maias e Astecas, já empregavam a fibra de sisal na construção de alvenarias de suas casas.

No Brasil, o historiador Warming relata o uso da agave Rigidae em 1864 no município de Lagoa Santa, no estado de Minas Gerais. Em 1869, outras anotações referem-se ao cultivo da Agave Miradorensis no Estado de Goiás.

Com respeito ao Agave Sisalana, existe uma grande polêmica quanto a sua origem, pois, alguns historiadores asseguram que ela é nativa do Brasil, enquanto outros dizem que esta planta veio das Caraíbas, nos tempos pré-colombianos.

Outro tipo de agave, a Piteira Gigante (Gourcraya Gigantea), foi extensivamente cultivada no Estado de Pernambuco de onde  eram exportadas para as ilhas Maurício no arquipélago de Mascarenhas. Estas exportações concretizaram-se através do padre Leries (capelão-mor do príncipe João Maurício de Nassau - Siegren) no século XVII.

Os Estados do Sul foram privilegiados por muito tempo com a plantação desta cultura, tais como Rio Grande do Sul (São Sebastião do Cahy), Rio de Janeiro (Vassouras e Leitão da Cunha), Minas Gerais (Sete Lagoas e Morro Velho) e muitos outros Estados da Federação.

Na Paraíba, a introdução do agave é atribuída ao General Frederico Mindelo, numa data não muito bem delimitada pelos historiadores. As mudas do agave foram mandadas pelo Inspetor Diógenes Caldas para serem plantadas no Município de Areia.

No município de Cruz do Espírito Santo, nas terras de Augusto dos Anjos, o Engenheiro Agrônomo português J. Viana Junior iniciou o cultivo da Agave Sisalana e da Agave Fourcroydes, no ano de 1911, no governo do dr. João Machado

Rapidamente, o Município de Cruz do Espírito Santo, transformou-se num verdadeiro centro de exportação intensiva da planta e além do mais, instalando-se ainda em condições precárias, as indústrias de beneficiamento.

O primeiro a plantar a agava em grande extensão, foi o agricultor Antonio de Andrade, que recebeu o prêmio medalha de ouro Diógenes Caldas, da Sociedade de Agricultura e Inspetoria Agrícola Federal em 1929. Ainda em 1929, Antonio de Andrade recebeu um segundo prêmio, como incentivo a sua indústria de cordoalha, pela iniciativa de usar a fibra do agave, extraída de sua própria plantação, em sua indústria. Este prêmio foi uma quantia em dinheiro, correspondente a $ 3.000,00 (três mil réis) que serviram para implementar sua produção. Essa pequena indústria fabricava cordas, cabos, correias de transmissão de forças, chapéus, espanadores, tapetes, esteirinhas, mantas para selas, colchões e redes de malhas.

Para fortalecer a produção de sisal foi criado o Instituto do Sisal pelo ilustre Deputado Federal Janduhy Carneiro em 04 de agosto, de 1955.

Em Valente, encontra-se uma das maiores indústrias têxteis de sisal do mundo, a APAEB. produzindo carpetes, tapetes, capachos e fios.

Em Conceição do Coité encontram-se as principais batedeiras e indústrias de beneficiamento da fibra de sisal, destacando-se a HR, Cotesi, Sisalgomes, Sisaex e Fibraex, que além do beneficiamento da fibra, produzem fios e cordas de sisal, que são exportados para diversos países.

Santaluz foi a primeira cidade a investir no plantio em grande escala para a comercialização, tendo em sua principal praça um busto do primeiro cidadão que plantou a muda na cidade, tendo as maiores batedeiras de sisal da Bahia nas décadas de 60, 70, 80 e 90; destaca-se a batedeira de Luiz Campelo LTDA Falida em 1990.

Atualmente o Brasil é o maior produtor de sisal do mundo e a Bahia é responsável por 90% da produção da fibra nacional.

 

PROCESSO DE PRODUÇÃO DO SISAL

A Agave Sisalana, como todas as espécies de agave, ao amadurecer produz o Escapo Floral, uma haste comprida que sobe verticalmente chegando a ter 8 metros, preparando para emitir a inflorescência.

A inflorescência da agave, o que acontece apenas uma única vez na vida dela, indica a sua maturidade, quando a Agave Sisaliana atinge a produção máxima de fibras e está pronta para ser colhida.

Na fase madura a agave produz folhas compridas que atingem 140cm o que produz fibras longas e fortes com até 120cm de comprimento.

Veja uma plantação de agave sisaliana pronta para a colheita:

Exportada para o mundo inteiro, a produção de SISAL é uma atividade altamente rentável e seu cultivo é feito em grande escala:

Embora se use alta tecnologia no aprimoramento da variedade Sisalana, concorrendo para isso, até institutos federais como a Emprapa a sua colheira é feita, ainda hoje, manualmente.

Talvez, este fato se dê à abundância de mão de obra e a colheira manual dá emprego a um contingente muito grande de pessoas.

Colhidas, as folhas são transportadas até a "usina" de beneficiamento, em modernos sistemas de transporte:

A "usina" de beneficiamento á conhecida como BATEDEIRA por que no passado, não muito longínquo, a fibra era solta e separada batendo-se a folha com um pedaço de pau.

Antigamente, as folhas passavam por uma “máquina” denominada FARRACHO que batiam as folhas eliminando a polpa, processo conhecido como mucilagem e deixando apenas as fibras expostas. Além de bater na folha pode-se passar uma lâmina de ferro, raspando a folha, ou um outra “máquina” conhecida como ALICATE que prensava, apertava a folha eliminando a polpa.

Eis uma foto dessas “máquinas”:

Com o desenvolvimento da indústria do sisal, surgiram verdadeiras máquinas motorizadas que ficaram conhecidas como Motor de Agave ou Máquina Paraibana.

Eram tecnologicamente, à época, muito avançadas e trouxeram muitos benefícios aos trabalhadores que não precisavam mais gastar sua força física para prensar as folhas.

Entretanto a máquina era muito tosca e exigia grande esforço dos PUXADORES, pois os folhas não eram simplesmente introduzidas na máquina, o operador tinha que ficar segurando com força para não deixar a máquina engolir a folha. Ele introduzia a folha até a metade e depois puxava de volta para fora, virava a folha e introduzia a outra ponta para ser batida pela maquina.

Às vezes, devido à sua construção rústica, a máquina engolia não só a folha como também a mão e o braço do operador causando muitas perdas.

A boca da máquina, antes desprovida de qualquer dispositivo de segurança, ganhou segurança e assim diminuiu a ocorrência de acidentes.

Muitos políticos ganharam, nos idos tempos, muitos votos doando “batedeiras modernas e totalmente seguras”, o que era feito com muita festa e na presença de toda a comunidade:

Depois outras partes como o motor e a correia também receberam proteção, diminuindo muito a quantidade de acidentes:

Hoje são oferecidas batedeiras automáticas que fazem toda a operação de desfibração, dispensando a mão de obra:

Todas essas “modernidades” custam muito caro e dificilmente, o trabalhador rural, humilde e com sua produção usando a famigerada "técnica familiar" consegue dinheiro para investir nessas máquinas modernas.

Feita a extração a fibra é pesada, oque é feito, geralmente, em balanças modernas eletrônicas que emitem de forma automática um ticket com a quantidade exata de fibras.

Veja um dessas balanças que usa a tecnologia conhecida como balança de contra-peso, que recebe, é claro, certificados de aferição emitidas pelos órgãos governamentais:

Depois de pesadas, elas são transportadas até o quintal de secamento, o que é feito, claro, em lombos de jegue:

No quintal de secagem as fibras são colocadas em varais de arame esticado e lá permanecem até a secagem total:

O quintal de secagem fica próximo à “casa” do produtor pois costuma ocorrer muitos furtos.

Quando totalmente secas, as fibras já podem ser levadas para a fábrica:

Na fábrica, as fibras são transformadas em fios e cordas:

Daí, seguem caminhos diferentes conforme o produto final desejado:

Existem, atualmente, muitas pesquisas sendo feitas para novos usos do sisal.

Passeando pela Natureza

RMW\natureza\sisal.htm em 23/07/2017, atualizado em 23/07/2017.

    RMW-918-19/09/2019