SARJETA

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Sarjeta é aquela parte entre a guia e o leito carroçável por onde corre a água até chegar a uma boca de lobo.

Por ser o local destinado a conduzir as águas, a sarjeta deve ser confeccionada com material resistente e seu acabamento deve ser bem liso para facilitar o escoamento das águas.

É um erro grave, e isso costuma acontecer nas vias com pavimentação de blocos ou paralelepípedos não confeccionar a sarjeta. Os blocos de concreto ou pedras com suas arestas e outras irregularidades dificultam muito o escoamento das águas. Então a sarjeta deve ser construída, de preferência, com concreto, ser bem liso e ter a forma adequada para conduzir as águas, principalmente das chuvas.

Existem muitas maneiras de se construir a sarjeta mas o mais comum é empergar concreto fresco. Veja os detalhes construtivos:

A sarjeta deve ter uma inclinação transversal para acomodar a água da chuva. Quanto maior a inclinação e a largura da sarjeta maior será a capacidade de transportar água. A inclinação mais usada é de 20%. A inclinação não deve passar dos 25% pois resultará numa sarjeta muito inclinada podendo aferecer risco aos transeuntes.

Não há limites para a largura da sarjeta mas a largura mais utilizada é a de 40 centímetros. Larguras maiores oferecem uma capacidade maior de condução das águas, porém devemos lembrar que crianças e pessoas idosas têm dificuldade de passar por cima da sarjeta em dias de chuva. Se, em dias de chuva, a água que escoa vier a transbordar para fora da sarjeta invadindo parte do leito carroçável, é sinal de que a sarjeta foi mal calculada ou mal construída e então deve ser refeita.

A espessura da sarjeta deve suportar com tranquilidade o peso de um caminhão carregado, visto que ao estacionar os veículos saem do leito carroçável e colocam as rodas sobre a sarjeta, embora seja proibido o estacionamento de veículos ou a colocação de caçamba de entulho sobre a sarjeta, pois bloqueiam o livre fluxo das águas. A linha LBO limita o espaço transitável do Leito Carroçável. Ver mais detalhes em .

As dimensões habituais de um conjunto de guia e sarjeta são as seguintes:

 

Com essas dimensões, podemos calcular a capacidade máxima de escoamento da sarjeta sem que ocorram transbordamentos.  O cálculo é feito com o emprego da fórmula de Manning:

SIMULAÇÃO: Vamos ver a vazão que uma sarjeta consegue escoar na largura de 40 e 30 centímetros e com declividades diferentes da via.

1a HIPÓTESE: Largura da Sarjeta = 30 cm e Declividade Longitudinal = 2%

A aplicação de fórmula de Manning resulta numa vazão Q = 33 litros/segundo, portanto insuficiente para conter toda a enxurrada.

2a HIPÓTESE: Largura da Sarjeta = 40 cm e Declividade Longitudinal = 1%

A aplicação de fórmula de Manning resulta numa vazão Q = 34 litros/segundo, portanto ainda insuficiente para conter toda a enxurrada.

3a HIPÓTESE: Largura da Sarjeta = 40 cm e Declividade Longitudinal = 1,5%

A aplicação de fórmula de Manning resulta numa vazão Q = 41 litros/segundo, portanto mais que suficiente para conter toda a enxurrada. Adotaremos:

LSARJETA = 40 cm e DLONGITUDINAL = 1,5%

 

DIMENSIONAMENTO DA BOCA DE LOBO:

A vazão por uma Boca de Lobo qualquer, pode ser calculada pela Fórmula de Bernoulli:

Q = C L y (g y)1/2

onde C é o coeficiente de descarga, L a largura da boca, g a aceleração da gravidade e y a altura da lâmina d'água junto à guia.

Por meio de experi~encias práticas em modelo reduzido, chegaram à conclusão que para a chuva na cidade de São Paulo, teremos a fórmula simplificada:

Q = 0,75 y3/2 para sarjeta sem depressão e

Q = 1,02 y3/2 para sarjeta com depressão.

estas fórmulas valem para inclinação da rua entre 0,5% e 14%, declividade transversal da sargeta de 20%, largura da sarjeta de 40 centímetros que são o padrão adotado por muitas prefeituras.

Q = 17 litros por segundo, para sarjetas sem depressão e

Q = 23 litros por segundo, para sargetas com depressçao.

Veja as perspectivas para os casos de sarjeta sem e com depressão:

GUIA REBAIXADA PARA ENTRADA DE VEÍCULOS:

O Ministério dos Transportes, através do DNIT - Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes baixou a norma IPR-724 - Drenagem de Rodovias que oferece um modo bem prático de cálculo da capacidade de engolimento de água pela boca de lobo, através de um nomograma onde se entra com a relação altura da lâmina de água e altura da abertura da boca de lobo obtendo diretamente a vazão. Veja um exemplo:

 

Ver mais detalhes sobre Boca de Lobo em .

RMW\drenagem\sarjeta.htm em 18/12/2009, atualizado em 12/02/2018.